Antes de me mudar para Nova York, diversos amigos e amigas anunciaram de antemão que me visitariam quando enfim eu me mudasse. Assim, quando finalmente me mudei (pra um apartamento provisório a princípio) e estava procurando um apartamento final na cidade, fiz questão de procurar apartamentos de dois quartos. A razão era uma só: ter um espaço pros amigos que fossem visitar.
Foi o que acabei fazendo; meu apartamento atual tem dois quartos, sendo que o maior (de “visitas”) é até maior que meu próprio quarto. Comprei duas camas pra esse quarto, até.
O experimento acabou ocorrendo como o esperado e tive a visita prolongada de diversos amigos e conhecidos até hoje (além de vários outras já agendadas pro futuro). Então, como não estou escrevendo muito aqui no blog esses dias, queria postar dois links que são exatamente de pessoas que estão me visitando nesse momento.
O primeiro é o blog Porra New York!, do Lucas Motta. O Lucas é um desenvolvedor Flash Brasileiro que foi recentemente contratado pela mesma empresa em que eu trabalho (Firstborn), e o site tem registros fotográficos e textuais de suas peripécias na cidade. E como eu sei que é um parto alguém se mudar do Brasil pra cá (além de ser uma bica), estou hospedando ele temporariamente enquanto ele procura apartamento (e aguarda o Rafael Rinaldi, que é outro desenvolvedor Flash Brasileiro que foi contratado pela Firstborn).
Outra pessoa que está visitando temporariamente é a Camila Chaves, com quem trabalhei na Grafikonstruct há alguns anos atrás. Ela está aqui só a turismo, mas se divertindo com a programação da primavera da cidade. O legal é que ela comprou uma câmera nova logo após chegar na cidade, e tem postado os vídeos feito com seus olhos de turista em sua página no Vimeo.
Ambos valem a visita, para os leitores que querem ver Nova York por outros olhos.
Finalmente, uma coisa interessante de notar devido a ter alugado um apartamento com dois quartos é que este é um conceito completamente alienígena pras pessoas da cidade. Sempre que conto pra alguém que moro numa casa com dois quartos, recebo olhares estupefatos como resposta; as pessoas assumem que ou eu sou louco, ou muito rico (pelo menos o segundo sei que não sou). Faz certo sentido, considerando-se que o fato de ter dois quartos (e mais espaço) aumenta o aluguel de um apartamento, mas algo que justifica o investimento sob meu ponto de vista (poder hospedar amigos) é algo que não é tão facilmente digerido pela cultura local. Por conta disso, hoje em dia, dificilmente digo para alguém que moro num apartamento de dois quartos; explicar as razões para isso já se tornou cansativo.
De certo modo, no entanto, mudei um pouco de idéia – 9 meses desse experimento me fizeram mudar de opinião. A verdade é que além de ser mais caro, ter um quarto a mais implica em mais espaço para limpar num apartamento, e mais espaço desperdiçado (se você não estiver hospedando ninguém). No final das contas, vale mais a pena pegar um apartamento só de um quarto, mas com mais espaço para os cômodos normais, pelo mesmo preço – amigos sempre podem ficar hospedados na sala, já que visitas geralmente são temporárias.
Meu próximo apartamento – devo me mudar em agosto, que é quando vence meu contrato atual – só terá um quarto.
Hoje é o dia do equinócio vernal no hemisfério norte, marcando o início da Primavera na terra imperial. E só agora que já estou em Nova York há um certo tempo – quase 9 meses – é que começa a ficar clara pra mim a real diferença entre o clima daqui e o do Brasil.
Mais do que mais frio, mais quente, mais úmido ou qualquer outra comparação similar, aqui o clima tem mais contraste do que eu esperava. É algo óbvio quando você para pra pensar, mas algo com que eu nunca tive de conviver antes: as mudanças de estações são mais sensíveis.
O verão é ensolarado – boa parte do dia é mais clara e, obviamente, mais quente. No outono, você vê as folhas das árvores amarelando e caindo, e o clima começa a esfriar. No inverno, as árvores são só galhos pelados, a neve toma conta das ruas, o frio força transeuntes a ir de um ponto a outro sem parar no meio do caminho, os parques ficam vazios, e o sol dura bem menos tempo no céu. E agora, na primavera, o calor está voltando.
Em São Paulo, essa diferença nunca existiu, pelo menos dessa mesma forma. Existe, sim, uma diferença na temperatura média da cidade, mas ao mesmo tempo, é comum você ter dias de calor extremo no inverno, ou frio congelante no verão. Da mesma forma, mudanças na natureza são difíceis de perceber (fenômeno provavelmente fortalecido pela bolha criada pelo concreto que cobre a superfície da cidade e pela extensa massa cinzenta que cobre o céu), algo que acaba sendo um belo retrato da nulidade das estações no cotidiano do cidadão.
Já em Nova York, é difícil deixar de viver em função da estação do ano. As mudanças se refletem no comportamento das pessoas e de toda a malha urbana de uma forma tal que é impossível você manter uma mesma rotina, ou uma mesmo estado de espírito, durante o ano todo.
Com a primavera começando, e alguns dias de calor despontando – agora são aproximadamente 20° C em Manhattan – isso fica especialmente fácil de notar na atitude das pessoas. É como se o sol despertasse algo que estava adormecido: você vê muito mais bicicletas nas ruas; os parques começam a lotar de pessoas que só querem gastar um tempo no sol; você vê muito mais turistas; qualquer queda de temperatura adicional é motivo pra alguém sair de chinelo e bermuda/saia; bares e restaurantes colocam suas mesas de volta nas calçadas, e as portas duplas (usadas pra bloquear o vento frio) são removidas dos mesmo estabelecimentos.
Mas, acima de tudo, os ânimos ficam muito mais positivos. É impossível não encontrar alguém no dia como de hoje e comentar o quão legal o clima está. E não é só um papo vago qualquer na falta de algum assunto mais profundo; é porque todo mundo está com o clima na cabeça. Pra comparar, a primeira coisa que checo quando acordo é a previsão do tempo no meu celular.
Esse contraste criado entre as estações deixa clara também uma parte da atitude do cidadão comum e, suspeito, da rotina de qualquer outra cidade no mundo onde o clima tem uma variação real: as pessoas estão mais preparadas para os altos e baixos de sua rotina anual, ao invés de simplesmente esperando uma uma rotina estável e sem muita variação. É uma coisa difícil de explicar, mas que percebo na minha própria atitude. De certo modo, passado o deslumbramento inicial com a neve, o inverno foi bem ruim por aqui pra mim – fica chato de sair, tem muito vento, tá muito frio, você tem de estar todo encapotado pra fazer qualquer coisa tipo ir no supermercado comprar cerveja; mas, ao mesmo tempo, saber que o inverno vai acabar logo e que um verão delicioso se aproxima faz tudo valer a pena e faz qualquer clima fácil de suportar. Seja qual for a sua estação preferida (muitos amigos meus aqui preferem o outono), você sempre sabe que ela chegará em breve, e você simplesmente se prepara pra isso.
Me lembro que, em São Paulo, era extremamente raro eu acordar e ser surpreendido positivamente pelo clima, ou de ter minha disposição muito influenciada pela temperatura. O clima simplesmente não afetava meu dia. Aqui em Nova York, o contrário acontece frequentemente, e o efeito no meu dia é visível – é muito difícil não deixar de se sentir extremamente otimista num dia como hoje. São só 20 graus, algo que qualquer um em São Paulo ou outra cidade do Brasil consideraria um dia normal (ou, talvez, até um pouco frio). Mas não é a temperatura absoluta que faz a diferença; é a relativa, e sentir uma mudança pra melhor. Impossível não se deixar levar.
Sabe aquelas épocas em que você sempre ouve a mesma música tocando na rua, ou em pontos comerciais (tipo lojas) – geralmente alguma música pop que aparentemente foi lançada no momento certo? Então.
Nos últimos meses, absolutamente todo lugar que entro aqui em Nova York tá tocando a mesma música – Empire State of Mind, por Jay-Z e Alicia Keys. Engraçado que eu já tava extremamente irritado com a faixa, apesar de nem saber do que se tratava, simplesmente porque ela acaba tocando em todo lugar.
Esses dias, numa festa, já na segunda execução da faixa, finalmente parei pra ouvir a letra pra ver do que se trata. Aí ficou fácil de sacar porque a música ficou tão popular: ao contrário dos raps normais que são encontrados por aqui, a letra é razoavelmente positiva e, mais importante, glorifica a própria cidade. E tenho de admitir: o vocal da Alicia Keys realmente faz a música, e a letra é muito superpracimex. Só pra citar o refrão:
New York
Concrete jungle where dreams are made of,
There’s nothing you can’t do,
Now you’re in New York
These streets will make you feel brand new,
the lights will inspire you,
Let’s hear it for New York, New York, New York
Triste ver que dificilmente encontramos algo sobre nossas próprias cidades. Sabe aquela coisa de ouvir a letra e se identificar um pouco pelo entorno? Então. Faz falta. Pelo menos algo que vira um hino de verdade como é o caso desta música, ou, ainda, outra que é um pouquinho mais conhecida.
Mas, só pra não passar batido – pelo menos temos “São Paulo”, do 365, na versão mais famosa do Inocentes.
Frio e garoa na escuridão é o que São Paulo é pra mim mesmo. Pena que, hoje, a coisa tá mais pra pânico mesmo.
Que falta faz uma boa banda com identificação local.
Pra quem não percebeu pelos últimos posts, ou não leu o que escrevi antes, gosto muito de escrever histórias. Sempre foi a área em que me dei melhor na escola.
Uma das razões principais de eu ter criado este blog foi exatamente pra ter a oportunidade de poder escrever histórias e artigos em português sem ter de me preocupar muito com o conteúdo, ou com o que as pessoas iriam achar – afinal, é um blog feito pra ter conteúdo pessoal mesmo, então não tenho que me preocupar com alguém acessando o site do outro lado do mundo pra tirar uma dúvida de ActionScript e acabar se deparando com uma história estranha sobre gaivotas, velhos homens anônimos, ou outros seres parecidos.
Escrever histórias do tipo das que gosto de escrever acaba sendo um exercício de criatividade imenso. Acho que é por isso que gosto de escrevê-las. Pode não parecer, mas pra mim, as histórias que conto não são aquela coisa de escrever uma experiência anterior disfarçada de ficção só pra poupar os envolvidos: nunca estou falando de mim ou de algo que aconteceu e quero botar pra fora, mas sim tentando fazer uma metáfora de lições de vida (tão pretensioso como isso possa soar) ou só situações interessantes/irônicas que imaginei.
Por uma feliz coincidência (ou não), há um tempo atrás comecei a sair com uma garota que quase todo dia me pedia pra contar uma história pra ela antes de dormir – ao vivo, ou via instant messenger. Cheguei a ler histórias de livros de fábulas (ótimo pra praticar o inglês por sinal), mas o que me dava mais prazer era bolar alguma história na hora.
É por isso que muitas das histórias que escrevo aqui são baseadas em contos ou argumentos trazidos de outras histórias, como contos chineses. O que eu fazia era procurar alguma história rapidamente, ler mais ou menos a premissa básica, e começar re-contar a história com modificações próprias, inventando alguma história diferente no decorrer do processo. Às vezes, só um personagem ou uma frase já serviam de ponto de partida. Pra se ter uma noção, uma das histórias mais tristes que contei usava uma frase da letra da música de abertura do desenho Sawamu, o Demolidor como ponto de partida (a parte que fala dos insetos dos charcos). E quando paro pra pensar, muitas das histórias que eu escrevia quando era mais novo se baseavam na mesma receita: eu assistia alguma propaganda de filme, imaginava do que se tratava o filme, e escrevia uma redação com a história, ou só baseada num personagem específico (e depois, quando eu ia ver o filme, ele geralmente não tinha nada a ver com o que eu tinha escrito).
O relacionamento no final das contas não durou muito tempo, e acabou como a maioria dos meus contos acabam – sem um final feliz. Mas as histórias ficaram; salvas no histórico do MSN, escritas rapidamente num arquivo txt qualquer, ou até mesmo anotadas com pressa num post-it, tenho uma série de histórias prontas para serem traduzidas ou reescritas em português.
Mas, mais importante, ficou acesa a chama da escrita. Não só nas histórias já elaboradas que estão esperando pra serem postadas, mas nas idéias que ainda estão surgindo a todo momento, uma vez que a prática do exercício de imaginação foi relembrado.
Enfim, tudo isso pra dizer, não se surpreendam se a partir de agora eu postar mais histórias estranhas aqui do que outra coisa. Minha cabeça anda coçando.
Era uma vez um homem cego que não sabia como era o Sol. Ele então decidiu pedir a outras pessoas para lhe explicarem.
Primeiro, ele perguntou a um amigo como era o Sol. “O Sol é grande e redondo, como uma grande panela”, disse o amigo, que era cozinheiro. Então o cego pegou uma panela emprestada, e passou a tateá-la, para sentir sua forma. A panela, no entanto, era feita de um metal frio, e ele sabia que o Sol não era frio, já que ele podia sentir o calor dos raios solares em sua pele. Insatisfeito, ele decidiu perguntar sobre o Sol a outra pessoa.
Mais tarde, ele encontrou um velho conhecido que trabalhava vendendo velas. Questionado sobre o Sol, sua resposta foi breve: “O Sol é brilhante e irradia luz, como as velas que vendo”. No entanto, o cego não conhecia a luz, portanto, essa resposta também não o satisfez.
No dia seguinte, enquanto fazia suas compras, ele decidiu perguntar ao vendedor do mercado sobre o Sol. “O Sol é como este ovo que você acabou de comprar”, respondeu o vendedor. Mas o cego sabia que o ovo era frágil e que se quebraria ao ser apertado, ou ainda que apodreceria em breve, caso não fosse consumido; o Sol, ao contrário, já existia há muito tempo, e era improvável que se quebraria ou apodreceria tão logo. Assim, esse exemplo também não o deixou feliz.
Chegando em casa, pensativo, o cego finalmente perguntou a seu vizinho, professor, como era o Sol. “O Sol é uma gigantesca massa esférica composta de plasma e gases”, disse o professor, “e também a principal força gravitacional de nosso sistema solar”. Esta explicação, no entanto, era complexa demais para ele, e mais uma vez, deixou-o insatisfeito.
Passados alguns dias, obstinado em tentar achar uma resposta, o homem cego recebeu uma notícia através de um primo. “Um monge muito sábio está passando pela cidade”, disse ele. “Por que você não o visita para perguntar sobre o Sol?”. Ansioso, o cego decidiu visitar o templo onde o monge estava hospedado naquele mesmo dia. Afinal, um monge tão sábio saberia explicar o Sol para um homem cego.
Lá chegando, explicou sua história para os guardiões do templo, e pediu uma audiência com o sábio monge para que pudesse pergunta sobre o Sol. Quando finalmente foi atendido, e posto na presença do sábio monge, fez uma simples pergunta: “Como é o sol?”.
“O Sol flutua no céu, e aquece minha pele durante o dia”, disse o monge. “Ele também traz luz àqueles à minha volta, ajuda as plantas a crescerem, e as roupas a secarem no varal”, concluiu.
Surpreso, o cego finalmente exclamou, depois de alguns segundos de silêncio, “mas isso eu já sabia! É exatamente o que o Sol é para mim!”, disse o cego.
“Então é isso que o Sol é”, declarou o monge, sorrindo. “Temos a tendência de ver, sentir, ou entender as coisas que fazem parte de nossa vida através do funil de nossas experiências. Assim como o cozinheiro vê uma panela quando olha para o Sol, ou o vendedor de velas vê a chama que traz luz, o cego sente o calor em sua pele. Ao invés de tentar enxergar o Sol através dos olhos de outras pessoas, procure aceitá-lo como ele é – como é para você, porque é isso que importa. Meras descrições não vão fazê-lo entender o que outras pessoas sentem, assim como ninguém terá a mesma percepção que você tem do Sol.”
Satisfeito com a explicação, o cego foi para casa e nunca mais precisou se perguntar como era o Sol.
Ontem à tarde finalmente nevou em Nova York – uma neve que só parou de cair esta manhã. Foi o primeiro dia de “tempestade de neve” deste inverno, e já bateu recorde dos anos recentes – com 14 polegadas 35 centímetros de neve segundo medições oficiais, é a maior precipitação desde 2003 (informações ouvidas na TV, então, sem links para fontes, sinto).
Mas digo “tempestade” entre aspas porque, na realidade, é algo bastante brando e fácil de lidar. Eu diria que é até mesmo uma bela mudança.
Nova York tem uma coisa interessante: apesar de não ser uma das regiões mais frias dos Estados Unidos (a temperatura média nas últimas semanas tem sido “só” 0ºC), ela acaba sendo vítima de um fenômeno bizarro – os túneis de vento que se formam entre os quarteirões, devido à forma como a maioria das avenidas e ruas foi criada (baseada num grid). Então é normal estar uma temperatura até suportável, mas dependendo de onde você está, você pega um vento frio absurdo contra você que faz a sensação de temperatura ser muito pior. Nesse sentido, as últimas semanas têm sido bastante instrutivas pra mim, Brasileiro acostumado a temperaturas mais amenas – você entende que a razão de alguém usar cachecol não é meramente estética, deixa de achar ceroulascalças térmicas engraçadas, compreende a diferença que agasalhos de verdade fazem, e aprende a diferença entre os doisprincipais tipos de luva (que são, também, bastante necessárias).
A parte mais interessante é que tudo isso parece mudar um pouco com a neve. Por algum motivo, com a neve, o clima ficou mais estável – os ventos simplesmente sumiram – e por isso, apesar da queda da temperatura e da neve que sobre o chão, é tudo muito mais suportável: você consegue ficar na rua com a cabeça descoberta, o que é um avanço descomunal em relação às últimas semanas.
É também interessante ver a reação das pessoas à neve. Em certo sentido, é uma grande chateação – é mais difícil de caminhar, serviços essenciais ficam prejudicados (a coleta de lixo, por exemplo, foi adiada esta semana), e você é obrigado a fazer uma série de coisas pra se livrar da neve (caso contrário, você pode ser processado se alguém, por exemplo, escorregar na sua calçada – coisas de um país litigioso). Imagino que dirigir nesses condições deve ser algo bizarro também.
Mas, ao mesmo tempo, o tapete branco traz consigo uma certa atitude positiva ao coração das pessoas. Começou ontem mesmo, quando andando por Manhattan, percebi a neve caindo (então uma poeira fina) e a reação de encanto na cara de boa parte dos pedestres. E hoje, em plena madrugada de domingo pós-tempestade, vi muito mais pessoas nas ruas do que de costume – muitas limpando a calçada, é verdade, mas várias também simplesmente paradas, olhando em volta e admirando a mudança.
A neve em si é muito do que me falaram; parece areia, em consistência, embora seja mais fofa. Você pisa em 30cm de neve e a coisa se reduz a uns 2cm de gelo. Daí o motivo de se fazer bolas de neve – você tem de amassar uma boa quantidade de neve na mão, até ela se solidificar o suficiente pra manter a forma. Do mesmo modo, como muito da neve é só ar, você entra em algum lugar com a roupa coberta de neve e depois de poucos minutos ela já evaporou, sem chegar a encharcar nada (botas razoavelmente à prova d’água são definitivamente necessárias pra andar na rua, no entanto, já que os pés têm de lidar com muito mais neve).
Não vi guerras de bolas de neve nem homens de gelo por aqui – é algo que seria bastante difícil, de certo modo porque não tem tantas crianças na região, e também porque comparado a outras regiões do país, a neve que cai aqui é muito pouca e durante pouco tempo (fica suja rapidamente) pra permitir a construção de grandes estruturas. Mas, ao mesmo tempo, ainda não visitei os parques do bairro ainda, então fica difícil de julgar só pela minha rua.
Vendo o frio que fez no final do outono e agora no começo do inverno, eu tava meio temeroso com a neve e o frio que ela iria trazer – com o vento frio é muito mais chato andar na rua, fazer qualquer tipo de exercício, ou simplesmente sair pra fazer alguma coisa diferente. Mas a mudança de temperatura sentida trazida pela neve, por enquanto, tem sido positiva.
Esta é a página pessoal de Zeh Fernando. Este é um website criado para amigos e familiares; se você não me conhece, você provavelmente não deveria estar aqui – nada vai fazer muito sentido. Para mais informações, visite minha página normal (em inglês).
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