Esportes nos Estados Unidos

by Zeh on November 16, 2012

Ontem, a convite do CEO da Firstborn, tive a honra de visitar a recém-inaugurada arena Barclays Center, um ginásio poliesportivo no Brooklyn que serve de casa para o time de basquete Brooklyn Nets. Fomos assistir ao (disputadíssimo) jogo do Nets contra o visitante Boston Celtics.

Barclays Arena

Eu já tinha ido assistir um jogo de basquete anteriormente no Madison Square Garden (Los Angeles Lakers versus New York Knicks). Esse jogo foi bem parecido, o que me fez ter certeza de uma coisa: a relação com esportes populares do público nos Estados Unidos é completamente diferente do que é visto no Brasil. Aqui, esporte é entretenimento.

Quem assiste regularmente a jogos de futebol no Brasil sabe o que esperar: o a experiência dentro de um estádio é visceral, até mesmo brutal em clássicos, e algo que só os mais sérios torcedores – daqueles que praticamente vão no estádio todo mês – conseguem suportar. Com exceção de jogos menores, ou amistosos com preços caríssimos (como jogos da seleção), não é um ambiente muito familiar.

A razão é óbvia. O futebol está enraizado na identidade do Brasileiro, e é comum alguém levar seu time de futebol mais a sério do que, sei lá, religião.

Apesar do resultado às vezes trágico (quando acontecem brigas entre torcidas), a verdade é que essa paixão louca do Brasileiro por futebol traz uma energia fenomenal para o estádio. Cantos, olas, bandeiras – tudo isso é resultado da febre sentida pelo torcedor, e amplificada em grandes grupos.

O que quero dizer é que os administradores do estádio não fazem nada além de fornecer a estrutura e dois times de futebol para jogar bola por 90 minutos. O resto, a própria torcida faz. Mas nos Estados Unidos, a coisa é um pouco diferente.

A experiência dentro do estádio de basquete Norte-Americano é bastante diferente da experiência dentro de um estádio de futebol. A torcida está ali para ser entretida, não para trazer o entretenimento.

Isso fica mais óbvio devido ao som do estádio. Os dois jogos que assiti tinham algo parecido com um comentarista – um cara que anuncia brevemente o que aconteceu na partida, nomes de jogadores que realizaram algo importante, usa alguns efeitos sonoros para ilustrar as jogadas, e toca trechos de músicas a todo momento, para trazer mais energia à torcida. Algo como um comentarista de futebol em rádios AM. Nesses jogos, é comum, por exemplo, tocar o começo da música We Will Rock You quando um dos times está fazendo pressão no adversário – a idéia, imagino, é fazer a torcida reproduzir as mesmas batidas.

Não é muito diferente de um talk show com sinais pedindo “APLAUSOS” à platéia. O resultado é algo que, pelo menos para mim, parece extremamente artificial. O comentarista e os telões do estádio constantemente indicam à platéia o que eles devem gritar, cantar, ou celebrar a cada momento. É um grande contraste a estádios no Brasil, onde a reação da torcida acontece de forma muito mais natural (e talvez, por isso, seja mais forte).

Da mesma forma, o público tem uma relação menos profunda com o jogo. Ao contrário de um jogo de futebol típico, onde o espectador da arquibancada é torcedor roxo de um ou outro time, os espectadores de um jogo de basquete não são, necessariamente, fãs de nenhum dos dois times ali presentes, ou mesmo do esporte em si. Afinal, eles estão ali para ser entretidos.

A cena que sempre me vem à memória quando penso em torcedores Brasileiros em estádios é de um cara vidrado no jogo ao mesmo tempo que segura um rádio grudado em seu ouvido, escutando o próprio jogo sendo narrado com uma emoção irreal. É alguém que está ali para ver o jogo. E de alguém iniciando um canto no momento oportuno e sendo acompanhado pelos torcedores ao seu redor.

Em jogos por aqui, o envolvimento é um pouco mais relaxado. É uma festa para amigos, com um jogo ocorrendo em paralelo. Existem fanáticos por um ou outro time, mas o envolvimento é de certa forma diferente – não existem, digamos, torcidas organizadas nos moldes do que é visto no Brasil.

Não quer dizer que um seja melhor que o outro.

Mas ajuda a explicar o porque de certos esportes fazerem mais sucesso por aqui, imagino: são esportes com um milhão de interrupções (para anunciantes, promoções e mais entretenimento) e de fácil degustação para quem não está tão envolvido com os times.

Barclays Arena

De qualquer forma, foi um ótimo jogo. O último minuto de jogo deve ter demorado uns 15 minutos no total, de tão disputado que estava a partida (a partida inteira levou quase 3 horas). Foi bom também para ver um dos primeiros jogos do Brasileiro Leandrinho pelo Boston Celtics. Uma surpresa da noite, na verdade: demorou um pouco pra cair a ficha de que o “Barbosa” que o comentarista ficava repetindo era alguém do qual eu já tinha ouvido falar.

É, finalmente, uma experiência que recomendo para quem visitar a cidade, independente da paixão pelo esporte.

  • Claudio Baptista Jr,

    José Fernando, imagine então aliar as duas coisas. O ambiente espontâneo brasileiro e o poder de entreter das arenas americanas.
    Isso que deve ser implementado nos novos estádios aqui no Brasil.
    Abs