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Divagações inconclusivas, muitas vezes bastante esdrúxulas, e expostas sem muito planejamento.
Divagações inconclusivas, muitas vezes bastante esdrúxulas, e expostas sem muito planejamento.
Escrito em 10/July/2009, 9:44 em choque, pirações | 5 comentários
Se mudar pra um apartamento novo (ainda que temporário) é também perceber a falta que coisas pequenas fazem. Algo que eu sabia (até porque quanto tinha me mudado de volta pra São Paulo há 15 anos atrás eu tinha sentido a mesma coisa), mas aqui é amplificado já que é uma cidade e país novos sem muitos conhecidos ou parentes ao redor; não tem a quem recorrer quando falta alguma coisa.
É perceber que você tem de tomar banho e não tem esponja ou bucha, e não fazer a menor idéia de onde encontrar isso, aí ser obrigado a tomar banho um dia só com o sabonete mesmo. Explico: aqui as categorias de lojas são meio diferentes, então é difícil saber onde ir quando você precisa de algo. Acabei encontrando uma bucha legal numa loja que é um misto de mercadinho, farmácia, e loja de cosméticos. Você acha batom do lado do doritos e da cerveja. Nada incomum por aqui.
É também perceber que os pacotes de produtos de consumo aqui são oferecidos de forma diferente. Você não tem pacotes médios; só pequenos ou gigantes. Fui comprar band-aid – outra coisa que você só percebe que faz falta quando é tarde demais – e só pude comprar um mini-pacotinho com 8 unidades. Mesma coisa pra cotonetes: é um pacotinho que cabe no bolso. Já sucos, você só acha em embalagens de 2 litros pra cima.
É se dar conta que a variação também irrita um pouco. Comprimido pra dor-de-cabeça? Tem de 200 tipos diferentes. Uma mesma marca vai ter uma dúzia de categorias – pro dia, pra noite, pra tarde ensolarada, pra manhã de ressaca, pra homens às 3 horas da tarde quando você está assistindo TV e seu peso é um número par e seu sobrenome começa com a letra “D”. Coisas assim. Só pensar em qual você precisa pra uma dor-de-cabeça típica já amplifica a dor. Só quero paracetamol puro ou o equivalente, obrigado.
Eu atualmente tenho uma lista de coisas simples que preciso comprar. É a lista mais aleatória do mundo. Bloco de papel pra anotações. Caneta. Papel vegetal pro microondas. Abajur. Cabo USB extra pra ligar o celular no computador. Um carregador pro meu celular antigo (esqueci no Brasil, duh). Catchup. Lanterna. Chaveiro. Rádio-relógio. Mais toalhas de banho. Tesoura. Algum cesto pra pôr a roupa suja. Suportes para coisas no chuveiro. Panela pra esquentar água. Isso porque já comprei alguns dos itens mais fundamentais.
Sempre que passo em alguma loja mais esquisita, entro pra ver se tem algum item da lista. Aí também é comum perceber que tinha algo lá que eu precisava, mas que não tinha me dado conta ou adicionado à minha lista ainda. Foi assim com cortador de unha e com adaptador de tomada – achei ambos, sem querer, no primeiro dia, numa loja onde só entrei pra tirar xerox. Ainda bem; precisava cortar a unha e precisava do adaptador de tomada pra poder fazer a barba com meu barbeador antigo. Um viva para a aleatoriedade, me fazendo parecer menos com um ser da caverna.
Nem todas as pequenas coisas você pode comprar, no entanto. E essas podem, da mesma forma, fazer uma falta descomunal.
Escrito em 12/June/2009, 1:16 em crônicas, pirações | 9 comentários
Há algumas semanas atrás, o grande @mjlogan publicou uma frase em sua conta do Twitter que achei genial:
@mjlogan: Gata, pode vir populando que meu array já está inicializado. #pedreiro_geek
Era mais uma – de muitas – cantadas geek que estavam circulando naquele dia no Twitter (e que continuam circulando) com a hashtag #pedreiro_geek (ou #geekpickuplines na versão gringa). Neste caso, bastante voltada pra programação.
Ler isso fez com que uma verdadeira lâmpada se acendesse acima da minha cabeça. Ou seja, estava sem fazer porra nenhuma e pensei, “Caralho, dá pra fazer um monte de cantadas toscas desse tipo relacionadas a programação!“.
Quem me conhece sabe que sou um solteiro convicto, mas a oportunidade me pareceu boa demais pra deixar passar. Sabe aqueles momentos em que a inspiração bate e você não liga muito pras consequências? Então. Foi aí que acabei despejando uma torrente de frases parecidas na minha conta no Twitter, mas todas relacionadas a Object-Oriented Programming, ou OOP (Programação Orientada a Objetos, em português). Quem teve a honra prazer sorte infelicidade de acompanhar os tweets não deve ter entendido muita coisa, porque elas são realmente muito voltadas pro mundo OOP; no máximo, pode ter achado uma ou outra engraçadinha.
Como o search do Twitter não parece funcionar pra coisas muito antigas, não dá mais pra listar tudo que postei através de um simples link. Mas como a data é bastante propícia, decidi postá-las aqui para guardá-las pra posteridade.
No entanto, pro bem da humanidade, e pra ter algum propósito minimamente útil neste artigo, decidi colocar explicações de cada frase junto de cada uma delas. Pra quem não entendeu nada quando as escrevi, pode ser uma oportunidade de entender o quão genial razoável cada uma das frases era; pra quem está aprendendo OOP, pode ser uma oportunidade de sacar alguns conceitos através de exemplos, digamos, pouco ortodoxos; e pra quem já sabe, pode ler sem precisar de muitas explicações, no máximo utilizar as descrições pra ver se acertou, e talvez, quem sabe, achar um pouco de graça.
Seguem abaixo as cantadas oop, na ordem em que foram postadas. A explicação de cada uma delas está escondida; clique na setinha no final de cada frase para ler a explicação correspondente.
Nota: os links que coloquei na explicação, bem como as expressões que usei, são dos conceitos originais em inglês (porque foi assim que aprendi), mas é só clicar no link pra versão em português na página da Wikipedia que se abre pra achar o equivalente em português. Além disso, alguns dos conceitos explicados nas frases do começo não são repetidos mais além, então vale a pena ler na sequência porque as explicações podem parecer meio vagas mais pro final da lista.
Gata, você é uma constante na minha classe estática. ▼
Gata, no Singleton do meu coração, você é a instância default. ▼
Gata, se meu coração é o Model, você é o Controller e eu sou o View.▼
Gata, não tem Garbage Collection que consiga fazer eu te esquecer. ▼
Gata, eu ter esquecido o dia do seu aniversário é culpa de um memory leak. ▼
Gata, sua classe é final. ▼
Gata, não tem longint grande o suficiente pra dizer o quanto eu gosto de você. ▼
Gata, vou extender meu coração só pra fazer um override no toString() pra escrever seu nome nele. ▼
Gata, sua classe não tem clone(). ▼
Gata, você implementa ILoveYou. ▼
Gata, todos os meus overloads têm você como parâmetro. ▼
Gata, meu dispose() é disparado automaticamente se sua referência for removida da instância. ▼
Gata, me diz qual o método da sua API que retorna seu coração. ▼
Gata, sua instância é única. ▼
Gata, quero te extender pra classe MyGirl. ▼
Gata, vamos fazer um composition que instancia nós dois. ▼
Gata, depois que eu terminar com você, vão escrever um capítulo novo sobre você no Gang Of Four. ▼
Gata, depois que eu terminar com você, não vai ter refactoring que faça você me esquecer. ▼
Gata, o unit testing de minha classe só retorna válido se ele te encontrar. ▼
Gata, depois de ser instanciada, deus removeu sua classe do repositório. ▼
Gata, não tem encapsulamento que esconda o que eu sinto por você. ▼
Gata, não dá setar o que sinto por você pra null. ▼
Gata, meu o command pattern tá preso em loveYou(). ▼
Gata, minha paixão está em loop infinito. ▼
Gata, todas as entradas do meu iterator apontam pra você. ▼
Gata, você não tem factory, é base class. ▼
Gata, você provocou uma exceção no init() do meu coração. ▼
Gata, não tem especificação que explique sua classe. ▼
Gata, você conseguiu acessar uma propriedade do meu coração que era protected até eu te conhecer. ▼
Gata, depois de te conhecer, deu um lock na instância do meu coração. ▼
Gata, não tem pattern que explique o que sinto por você. ▼
Gata, meu try é pra dizer o que sinto por você, pra catch seu coração, e finally te conquistar. ▼
Gata, quero adicionar um listener em todos os seus eventos. ▼
Gata, você é tão única que seu prototype é private. ▼
Gata, todos os seus erros são fatais para meu coração. ▼
Gata, espero a documentação que me ajude a conquistar seu coração. ▼
Gata, universo = universo.replace(/([\.-,;\s]+s|^s)o(l$|l[\.-,;\s])/im, “você”); ▼
Nota final: não garanto a eficácia de nenhuma das cantadas listadas acima. Use por sua própria conta e risco.
E, por favor, não leve a sério.
Escrito em 25/April/2009, 18:16 em pirações, trampo | 15 comentários
Acabei de voltar do 14º EDTED, onde dei uma palestra prum público de umas 400 pessoas (chute aproximação heurística), basicamente sobre meu trampo de Flash e porque eu acho que sites em Flash não são a cria do demônio. Era mais ou menos a mesma apresentação que fiz no EWD do Rio de Janeiro mês passado, embora melhorada – com algumas imagens adicionais, e utilizando os sites ao vivo ao invés de só mostrar screenshots.
Não que eu costume palestrar demais (geralmente evito), mas sempre que estou pra fazer apresentações pra um público superior a 10 pessoas, quem não me conhece faz as perguntas óbvias, tipo, “tá tudo certo? cê tá nervoso?”.
Eu tenho várias fobias/bloqueios/vergonhas na vida, algumas razoavelmente bizarras. Felizmente, falar em público não é uma delas. Ao contrário, eu acho muito louco.

Slide mostrando o website "Absolut Ruby Red", por Gringo Interactive
(foto por Henrique Locatelli)
O que não quer dizer que eu faça a coisa muito bem. Eu falo rápido demais – não porque eu esteja nervoso, mas porque realmente falo rápido demais – e às vezes esqueço de me controlar pro pessoal poder acompanhar e pra eu não me enrolar muito. Eu também tenho problemas pra olhar nos olhos dos espectadores – não gosto de ficar secando ninguém – então geralmente fico olhando pro chão ou pro além. Mas, no geral, pelo fato de não ficar nervoso e conseguir falar o que planejei antes, acho que conduzo apresentações de forma razoável.
No entanto, o legal de ir em eventos como o de hoje é que dá pra medir legal como está sua habilidade em criar uma apresentação decente e mostrá-la pro público. Você vê como os outros palestrantes de comportaram com um conteúdo voltado pra uma mesma audiência, então tem alguns parâmetros de comparação que podem ser usados.
O foda é que sempre que faço isso fico meio com vergonha da minha palestra, achando ela a coisa mais banal e óbvia do mundo, e me sentindo meio lixo. Isso porque neguinho vem e faz um questionamento super pertinente e aí eu penso “caralho, cadê o questionamento na minha palestra, tá conformista demais”. Aí fulano vem e faz uma apresentação impecável e eu penso “cacete, titubeei na hora de falar tal frase, já esse cara não titubeia nunca”. Dá pra ver o que te falta ainda pra melhorar.
O evento de hoje não foi diferente.
Duas das palestras – a do Gil Gardelli e a do Roberto Cassano – eu já sabia o que esperar, afinal, já havia assistido às duas no evento do Rio de Janeiro. No entanto, ambas – a primeira, uma metralhada de questionamentos que eu continuo achando muito pertinentes, e a segunda, um resumo de uma experiência singular com mídias sociais online – são duas das que me fizeram sentir um pouco diminuído. Não que eu não tenha fé e não goste de meu trabalho, muito pelo contrário; mas ambas são apresentações que levavam a crer que talvez minha mensagem não se encaixasse tanto ali no meio.
Mas hoje, em especial, o que me fez sentir que tem algo mais além foi assistir à palestra do Luli Radfahrer. De conteúdo, sua palestra foi um misto de experiência, questionamento e divagações; difícil definir, já que foram pulos entre tópicos diferentes de forma muito rápida. Onde a palestra realmente funcionou, no entanto, foi no formato – vídeo/slideshow sincronizado com uma fala meticulosamente trabalhada – e na retórica aguçada do palestrante.
Só pra constar, não acho que sou nenhum ignorante em relação a palestras e apresentações. Já assisti vídeos de muitas apresentações do TED, Pecha Kucha e afins. E não é que a palestra tenha sido uma coisa de outro mundo, com fogos de artifício e coisa e tal. Foi, sim, uma apresentação muito bem feita, sem desvios de atenção. Mas acho que o que fez a diferença pra mim – comparando com vídeos que já vi do TED – foi assistir a palestra ao vivo. Tem quase uma energia que rola que faz com que você perceba que a apresentação não está sendo só uma palestrinha normal. Não devido a algum segredo técnico empregado na sua realização, mas por um resultado final impecável.
Deu pra perceber que tenho que comer muito PowerPoint Impress ainda.
Escrito em 23/April/2009, 19:42 em comida, memória, pirações | 3 comentários
No artigo anterior sobre trabalhar em casa eu disse que comer fora, num lugar legal, acabava perdendo o sentido quando você trabalha sozinho.
Bom, é verdade, quando você trabalha em casa não tem mais aquela coisa divertida de ir comer na churrascaria toda última sexta-feira do mês, ou fazer um almoço mais longo só pra comer num lugar legal específico, ou num lugar mais caro só porque é dia do pagamento. Não faz tanto sentido se você vai sozinho e não tem com quem compartilhar aquele momento gastronômico solene ou o almoço de 3 horas reservado especialmente pra estragação financiada pelo chefe.
Mas acho que menti um pouquinho. Pelo menos no meu caso, mesmo trabalhando em casa, acabei sim criando alguns costumes gastronômicos vagamente relacionados ao trabalho. Basicamente, após cada trabalho que faço que vai pro ar, tomo um gole da Vodka Absolut de baunilha que ganhei da Gringo há um tempão atrás (valeu!); e sempre que efetivamente recebo um pagamento, vou comer num lugar legal pra comemorar. Nada super chique, só um lugar que eu goste, talvez meio fora de mão, talvez um lugar que não visito há muito tempo, etc. Não é nada tão bom quanto trabalhar num escritório – onde é mais fácil você ir comer num lugar diferente a cada dia – mas é alguma coisa.
No final do mês passado recebi um pagamento por um trabalho que fiz mas, devido à correria de outro trabalho que estava terminando, nem pude ir no banco transferir a grana pra minha conta (como recebo de fora do país, sempre tenho de ir no banco fazer o pedido de transferência do câmbio). Finalmente fui lá hoje, com o dólar num lindo palíndromo (2.22000222), e saindo do banco, decidi dar início a mais uma instância deste importante ritual alimentício. Como meu banco é perto da Praça da República, resolvi dar uma volta no beco da memória e ir comer no Ponto Chic, que fica no Largo do Paissandú (atrás da Galeria do Rock, perto da Praça do Correio).
Pra quem não conhece, o Ponto Chic é um bar/restaurante/lanchonete super antigo de São Paulo (com várias filiais pela cidade, mas este do centro é o original). Fundado em 1922, é um lugarzinho meio cult embora não seja, assim, nada de mais visualmente. É também onde foi inventado o Bauru.
A principal razão de eu ter ido lá é porque este é um lugar que costumava ir bastante com meus pais quando eu era mais novo (no final da década de 80), em nossas inúmeras andanças pelo centro, então tenho boas memórias do ponto. E também gosto bastante do Bauru que eles fazem. Costumo ir lá esporadicamente, mas já faziam uns 4 anos que eu não visitava o lugar.
Sempre que vou lá, é um momento meio agridoce: legal repetir o mesmo ato que realizei décadas atrás, mas meio chato ver como o lugar mudou. Aquela coisa meio nostálgico-bobalhão.
Entrando no restaurante hoje, já tive um choque: razoavelmente lotado, todo mundo comendo… comida. Comida normal. Tipo grelhado e tal. Pô, pra mim o lugar é lanchonete, gostava de ir lá e comer Bauru e Banana-split. Mas, pelo menos naquele horário – deviam ser umas 2 ou 3 da tarde – o lugar era um restaurante normal.
O que é meio triste é pensar que, até pela localização, o lugar tem de se adaptar. Não é um lugar da moda: é no meio do centrão. Não é mais ponto de encontro de intelectuais nem nada do tipo. Imagino que não tenha muita coisa do lado que justifique uma clientela assídua, nem muitos atrativos especiais pro lugar, até porque já tem choperias mais badaladas por perto. Então não dá pro lugar sobreviver só na base da memória. Até o nome hoje soa meio esquisito, quase um eufemismo. Então acho que ninguém devia estar lá pelo que o lugar oferece de diferente, mas sim por ser mais um lugar normal pra comer.
Cheguei, sentei. O garçom que veio me atender era um cara um pouco mais de idade, e provavelmente um veterano do restaurante. Recusei o cardápio, e, resoluto, pedi um Bauru logo de cara.
Posso estar errado, mas acho que percebi um brilho em seus olhos.
Escrito em 19/April/2009, 19:55 em línguas, pirações | 5 comentários
Eu sou uma merda pra escrever. Principalmente pra escrever emails. Não que eu escreva tão mal assim, mas é que eu escrevo demais.
Quando eu era mais novo, a única matéria que eu realmente gostava na escola – e a única matéria onde eu me dava bem – era Redação. Eu adorava escrever redações. A professora chegava pra sala e dizia que tínhamos de entregar uma redação com 35 linhas pro dia seguinte, e a sala inteira gemia, resignada. No dia seguinte, a maioria da sala entregava uma redação com exatas 35 linhas. Eu entregava uma de 100 ou algo próximo disso; lembro que meu máximo foi umas 150 linhas. Duas professoras diferentes chegaram a pedir à minha mãe, em reuniões de pais e mestres, pra ela parar de me ajudar nas redações. Elas achavam que minha mãe que escrevia as redações. O detalhe é que minha mãe nem sabia quando eu escrevia redações – ela não tinha nada a ver com a história. Elas não deviam ser os melhores textos do mundo, imagino, mas eram longas. Enfim, sempre gostei de escrever.
O problema piorou na época que comecei a acessar BBSs e mandar mensagens que iam levar quase uma semana pra chegar ao destinatário. Por algum motivo, foi quando comecei a escrever melhor, mas também quando peguei o costume de escrever mais no computador.
Mas a questão é que escrever muito não é um negócio muito bom. Ninguém gosta de textos longos. Todo mundo tem preguiça de ler, e ninguém quer receber um email verborrágico que descreve algo nos mínimos detalhes. Quando acabo mandando emails assim, é comum as pessoas simplesmente pularem parte do texto. A pessoa responde e percebo que ela passou batido pela parte mais importante da mensagem. Aí eu tenho de responder com frases que começam com “como falei no email anterior, …”. Sabe aquela teoria de que a gente só lê o começo dos parágrafos em textos na Internet? Então. É verdade.
Mas quem me fez perceber mesmo a minha falta de habilidade em ser sucinto foi o Macaco Louco.

Macaco Louco (ou Mojo Jojo, no original em inglês) é um personagem do desenho animado Meninas Superpoderosas, do Cartoon Network. Principal antagonista da série, ele é um macaco cientista super inteligente cujos planos de dominação mundial (ou municipal) são sempre frustrados pelas três heroínas que dão nome ao desenho. E ele tem uma característica interessante: linhas de diálogo extremamente redundantes, onde ele repete diversas vezes a mesma informação, de formas ligeiramente diferentes. Suas frases são algo do tipo “Vou dominar o mundo, meninas, porque após derrotá-las, o mundo será dominado por mim, Macaco Louco, porque terei acabado de derrotá-las.”
Infelizmente não achei nenhum vídeo legal com a dublagem em português (que acho sensacional), mas o vídeo abaixo, no áudio original, dá uma idéia do ethos do personagem.
Uma coisa que comecei a reparar depois de ter entrado em contato com essa entidade é que realmente às vezes repito a mesma informação de formas ligeiramente diferentes. Digo que A é B porque B é A na esperança de que isso ajude o entendimento. Poder de síntese nulo.
É meio bizarro falar isso, mas foi só aí que comecei a mudar um pouco meu modo de escrever. Não quer dizer que eu realmente escreva melhor. Mas agora, pelo menos, acabo revisando meus textos depois de tê-los escritos pra ver o que dá pra ser enxugado. A faculdade ajudou bastante com isso também; textos enxugados geralmente são muito melhores pra serem lidos, e quando você fica um ano em cima do mesmo texto, tem tempo de sobra pra polir o que tá em excesso.
Nem sempre funciona. Escrevendo em fóruns, é comum eu perder um tempão descrevendo algo nos mínimos detalhes, mesmo quando acho que não tem nenhuma repetição de informações, e aí alguém vem e em 6 palavras diz tudo o que eu estava tentando dizer, mas de uma forma muito mais curta (e agradável).
Ou, pior, gastar um tempo escrevendo um texto imenso e aí chegar no final e ter a certeza de que ninguém vai ter tido a paciência de ler tudo que escrevi, já que a informação era tão inútil que poderia ter sido escrita num só parágrafo.
Escrito em 18/April/2009, 22:48 em meta, pirações | 1 comentário
Um dia, eu comecei a achar que eu era foda.
Mas aí alguém veio e me acordou.
Por que estou escrevendo isso aqui? Porque daqui a anos, quando for parar pra ler o que escrevi aqui, quero me lembrar exatamente de como me sentia, e achei que seria legal começar dessa forma. O que acabei de escrever acima é algo que me ocorre a toda hora, e uma bela analogia de algo que já me aconteceu em diversos momentos-chave da vida: achar que estou fazendo algo fora deste mundo, só para olhar pro lado e perceber que tem alguém que já está muito além. Ou, pior, conhecer alguém que faz você olhar pra dentro de si mesmo de uma forma mais crítica e perceber os inúmeros defeitos e limites que você tem.
Isso porque tenho a sorte de ter contato com pessoas fantásticas, e é comum me deparar com trabalhos tão fenomenais vindos de algumas pessoas que me fazem parar e me perguntar que diabos estou fazendo – e perceber o quanto ainda preciso aprender para chegar naquele nível. Não quero que isso soe negativo, porque não é tão frustrante quanto parece; não é tanto o caso de se ter um objetivo inalcançável, algo que está sempre à frente, mas sim de ter um novo objetivo logo após ter conquistado o último.
Enfim, bobeira, mas é como penso. Fica o registro para todos os fins cabíveis.
Esta é a página pessoal de Zeh Fernando. Este é um website criado para amigos e familiares; se você não me conhece, você provavelmente não deveria estar aqui – nada vai fazer muito sentido. Para mais informações, visite minha página normal (em inglês).
Ah, e esse site não funciona direito em Internet Explorer. Não é de propósito. Depois arrumo isso. Enquanto isso, você pode instalar um browser de gente como o Chrome ou o Firefox.