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Artigos relacionados à prática acadêmica, aprendizado, estudos e semelhantes.
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Escrito em 6/June/2009, 14:37 em estudos, trampo | 7 comentários
Hoje foi a última aula da oficina de Flash Lite 3.0 que dei no Senac São Paulo (a quem estiver curioso, o conteúdo ensinado está aqui, e os arquivos usados e criados estão aqui).
Não sou professor, mas como andei dando alguns desses cursos livres (gratuitos, abertos pra alunos de graduação de Design de Interfaces, contando como atividade complementar) e como acho que vai demorar muito tempo até eu repetir a experiência, achei que seria legal falar um pouco do negócio aqui.

Comecei a dar essas aulas em 2007, com uma oficina de Flash Lite 2.1 pra minha própria sala, não só para difundir um certo conhecimento que eu tinha, mas também pra contar como horas de atividade complementar tanto para mim como para minha sala (precisávamos disso de acordo com o currículo do curso). Depois da primeira, acabei dando outras oficinas de Flash e Processing também pra minha sala, e esta última, de Flash Lite 3.0, para outro semestre do mesmo curso, cada uma com carga horária total entre 16 e 20 horas.
Para mim, uma das vantagens de dar essas aulas foi a oportunidade de aprender a expor melhor alguma informação. Nunca fui muito bom de explicações com o propósito de ensinar, e nunca tinha dado nenhum tipo de aula (na verdade, sempre tive um certo preconceito contra a prática), então acho que aprendi bastante nesse sentido – não só como elaborar o discurso do aprendizado e o roteiro de uma aula, mas até como falar melhor em público.
No entanto, uma coisa que eu não esperava muito bem – que eu não imaginava que seria tão diferente – é o quanto entendi da visão da sala e da rotina de cada aula a partir do ponto de vista de quem está lá na frente falando e explicando – do ponto de vista do professor.
E aí, neguinho, em verdade lhe digo, ser professor é treta.

Uma das coisas mais difíceis de dar aula é preparar cada aula. Como é algo invisível pros alunos, é algo que pode passar despercebido, por isso acho que muita gente não leva em consideração. Mas, pelo menos no meu caso, eu tinha de passar horas preparando cada uma das aulas, bolando o roteiro do que seria passado e de que forma; eu gastava mais tempo pra planejar cada aula do que pra efetivamente dar a aula.
E nem é tanto uma coisa de conhecimento – de ser obrigado a pesquisar o assunto porque não o conhecia tão bem. É porque, por mais que você saiba um assunto, você precisa ter um roteiro decorado e testado pra poder dar uma aula real. Não dá pra sair improvisando; diferente de uma aula, quando você trabalha de verdade, criando algo pra você mesmo usando uma tecnologia qualquer, existem mil coisinhas que podem sair erradas, com erros de sintaxe ou seja o que for, mas que qualquer desenvolvedor pode resolver rapidamente. Já numa aula, isso causa uma quebra perigosa na linha de pensamento dos alunos, já que qualquer coisa fora do normal te força a parar e se concentrar em resolver o problema ao invés de continuar despejando o conhecimento.
Eu conheço muito de Flash, etc etc, afinal já trabalho com a plataforma há uma década; ainda assim, em determinados momentos, em aulas anteriores, tive de parar de falar e explicar algo porque tive algum resultado inesperado no que estava montando em tempo real como exemplo (geralmente, porque não tinha testado o roteiro de aula suficientemente e me deparei com algum problema inesperado na plataforma ou no programa). O foda é que nesses momentos eu tenho de reverter pro meu modo desenvolvedor e começar a depurar o que tinha dado de errado, e só aí virar e explicar pra sala o que aconteceu. É uma coisa bem chata e quando isso acontece deve dar ao aluno a impressão de que o professor é meio retardado e não sabe do que está falando. Sei que já tive momentos parecidos assistindo a aulas de outros professores, e agora entendo um pouco melhor o lado deles.
E outra coisa que pude sentir na pele é que muitas vezes os alunos não tratam o professor como gente, mas sim como alguém que está lá realizando um serviço opcional, que ninguém tem a obrigação de gostar ou aceitar.
Espero que nesse sentido ninguém me entenda mal, até porque todas as turmas pra quem dei aula foram super legais e só tenho a agradecer pelo tempo que me aturaram. Mas o que quero dizer é que quando você está lá na frente, é muito fácil se sentir meio frustrado quando você olha pra sala e percebe que só metade está ouvindo o que você está falando (o resto escrevendo no MSN/lendo email/falando com colega/vendo vídeo), ou quando você olha pra lista de presença e percebe que só metade da turma compareceu, como se o tempo que você perdeu pra preparar a aula fosse inútil e não compensasse o tempo que o aluno gastaria assistindo-a. É algo que eu mesmo também sou culpado de quando era aluno, e algo que só saquei de verdade quando também fiquei em pé lá na frente ficando com a boca seca de tanto falar.
Professor também é gente. Então, a meus professores, o meu muito obrigado.
Escrito em 13/May/2009, 19:57 em estudos, trampo | 14 comentários
Como disse antes, aqui vai o slideshow da curta apresentação que fiz no InterfaceCamp do Senac algumas horas atrás. É um slideshow bem simples.
Essa palestra contém 10 (11, na verdade) dicas que acho legal pra quem está começando na carreira. Elas são bem pessoais, e razoavelmente práticas – um resgate do que aprendi em 15 anos de experiência. Talvez nem todas sirvam pra todos (até porque são mais voltadas pra profissionais web/motion), mas achei legal passar já que na pior das hipóteses uma ou outra pode servir bem. Seguem elas abaixo, explicadas, pra complementar o slideshow.
1. Faça o que você gosta. Importante por dois motivos: você trabalha mais feliz, e você tem mais gás para ir atrás e se atualizar. Querer trabalhar com algo que você não gosta só porque dá dinheiro ou tem demanda é receita pra uma qualidade de vida inferior.
2. Tenha foco, mas não tenha medo de ser multidisciplinar. Especialize-se em algo. Animador não tem de saber programação. Programador não tem de saber design. Os profissionais ideais não são os que fazem tudo, mas os que fazem bem seu trabalho – e que, talvez, saibam um pouco de outras áreas. Ser multidisciplinar é legal pra ficar antenado no que rola, e ter conhecimentos que lhe permitem explorar bem sua própria área de atuação. As únicas empresas que querem profissionais que fazem tudo são empresas que não sabem que tipo de profissional querem contratar (e isso vem de um programador que desenha, gosta de animação, e de modelagem 3d).
3. Aprenda inglês. A quantidade de informações em inglês é extremamente vasta, muito maior do que a quantidade em qualquer outra língua, bem como a velocidade com que tal informação é gerada. Saber inglês abre inúmeras portas e faz com que o seu conhecimento em potencial aumente de forma exponencial. Todos devemos aprender inglês para leitura o quanto antes. Quem quiser saber mais sobre o assunto, escrevi muito mais neste post anterior.
4. Mantenha uma lista de pendências. Dica prática: manter uma lista do que deve ser feito num projeto te ajuda a realizá-lo. O ideal é começar com uma lista bem alto nível, com tarefas bem gerais, e ir detalhando conforme você as realiza. Além disso, a lista pode funcionar como um guia da metodologia que você usará pra realizar uma tarefa, já que você pode listar as tarefas que devem ser criadas em ordem cronológica. As listas devem ser simples: um item por linha, e você vai riscando (ou apagando) itens conforme são feitos. Eu mantenho listas de pendências em documentos do Google Docs, e uma lista meta, mais geral, num bloco de papel que deixo anotado do lado do computador mesmo.
5. Arquive seus trabalhos. Sempre guarde sempre seus trabalhos, de preferências organizados por pastas que façam um sentido cronológico (anos, meses, etc). Fica mais fácil na hora de reunir portfólio, ou buscar alguma coisa antiga. Não deixe pra depois. Um pouco de organização já ajuda muito; assuma uma metodologia de nomenclatura de pastas e a utilize sempre.
6. Aprenda a achar as respostas, ao invés de saber tudo. Ninguém é dono do conhecimento, principalmente hoje. Ninguém sabe tudo. Ao invés de tentar saber tudo, saiba encontrar a resposta – que mecanismos utilizar (Google) e como procurar. Profissionais hoje podem ser vistos como indexadores de informação mais do que receptáculos de informações estáticas. Não tenha medo de procurar, ou de saber algo por cima. A resposta sempre está lá fora.
7. Faça seu portfólio. Quando alguém vai te contratar, quer ver seu portfólio. Liste seus trabalhos, faça um portfólio. Currículo vale pouca coisa.
8. Portfólio tem de ser simples. Não precisa de pirotecnia, animação, seja o que for. O portfólio tem de ser simples e informar bem – imagens e descrições do que você fez. Você vai mostrar sua qualidade através dos trabalhos que fez, não do portfólio. Qualquer um pode fazer um portfólio extravagante; uma empresa quer é ver como você saiu com tarefas reais, sejam pra clientes, sejam pra escola. Ninguém quer levar um tempão pra poder ver os trabalhos.
9. O melhor lugar pra trabalhar é um conceito relativo. Não é porque uma agência é conhecida que ela é o melhor lugar do mundo pra trabalhar. Às vezes não é nem porque os trabalhos dela são ótimos. Lógico que todo mundo gosta de fazer trabalhos legais, mas a qualidade dos trabalhos ou a fama da empresa não querem dizer nada sobre a qualidade de vida de quem trabalha lá. Tem muito lugar legal pequeno ou pouco conhecido.
10. Salário não significa (quase) nada. Não é porque algum lugar paga bem que o trabalho é bacana, que as pessoas são gente fina, ou que você vai aprender muito. Pode ser o contrário: ganhar bem estando preso num lugar horrível onde você não aprende e não desenvolve um trabalho legal é um beco-sem-saída. Salário deve ser um dos últimos ou o o último item a ser usado na hora de decidir onde você quer trabalhar. Existem exceções a esta regra – por exemplo, quando você precisa de um salário suficiente pra pagar sua faculdade, ou seu aluguel.
xx. Tenha karma. Dica bônus. Fiquei meio com vergonha de falar muito na hora, até porque não quero parecer pregador e porque é um assunto mais genérico, mas aqui a idéia é, seja um cara gente boa, preocupe-se com seu próprio trabalho, e as coisas acontecem. Não tente passar a perna em ninguém, não tente tomar atalhos, não tente gozar com o pau dos outros tomar crédito de trabalhos que não são seus. O mercado não é tão grande quanto parece, e tentar dar uma de espertinho nesse meio não compra muitos amigos. Pra quem faz um trabalho legal, o reconhecimento vem naturalmente.
Escrito em 12/May/2009, 11:26 em design, estudos | 3 comentários
Não sei quando foi, mas a School of Visual Arts de Nova York atualizou sua lista de catálogos online, colocando no ar o catálogo 2009-2010 dos cursos de pós-graduação (em versão PDF).
Uma daquelas coisas que planejo-mais-ou-menos há muitos anos é fazer o curso de Master of Fine Arts em Computer Art deles (equivalente a mestrado aqui), por isso eu checo às vezes pra pegar a versão mais nova do catálogo e saber a quantas anda o lugar e o curso.

Também tem vários trabalhos bacaninhas mostrados no site do curso.
Uma coisa legal de universidades Norte-americanas, a julgar por conversas que já tive com amigos nativos, é que você faz o currículo de seu curso do jeito que quiser, já que você pode escolher as matérias que quer assistir. O catálogo da SVA confirma isso, já que lá são listadas as matérias que você pode escolher – e são até mesmo fornecidos modelos de combinações para perfis específicos de formação. As únicas exigências quanto à montagem do currículo são a inclusão de algumas poucas matérias obrigatórias, e um número mínimo de créditos que devem ser cursados.
Pelo que entendo, essa solução é uma coisa que não pode ser feita aqui porque o MEC não permite. Não sou educador ou pedagogo, estão é uma visão meio leiga do assunto, mas do jeito que as coisas tão caminhando, acho difícil que essa estrutura de cursos engessados consiga durar muito tempo. O curso de Interfaces Digitais que fiz no Senac sofre um pouco disso – os perfis dos estudantes do curso são muito diferentes – e tentar fazer um curso para todos sempre gerava frustrações, como quando você tentava forçar alguma mente criativa a aprender programação de forma rápida, ou alguma mente analítica a desenhar.
O problema nem é ter uma aula de programação, mas colocar todos os alunos dentro do mesmo saco. Não é surpresa que o tal curso em Computer Arts citado acima tenha uma matéria chamada Programming for Artists, e que outras matérias sejam divididas em diversos módulos introdutórios e avançados.
No caso do Senac, acho que as malfadadas atividades complementares foram uma tentativa de ir por um caminho nesse sentido de permitir uma customização, mas não deu muito certo. Pelo menos foi um passo; quem sabe no futuro.
Escrito em 11/May/2009, 10:28 em estudos, línguas | 2 comentários
Dia 13 (quarta-feira próxima) às 20:00hs farei no InterfaceCamp do Senac uma apresentação chamada “Dez dicas para seus primeiros dez anos de carreira”. É algo bastante pessoal, e são algumas dicas simples, mas que eu considero importantes pra quem tá começando a carreira agora – coisas que venho usando nos últimos anos ou que só recentemente saquei o quanto são importantes. São também, em sua maioria, respostas às dúvidas mais frequentes que costumo ouvir de quem está começando a trabalhar ou estudar, então achei que seria legal trazer isso pra dentro do ambiente acadêmico.
De todas as dicas que preparei pra apresentação, tem uma que considero uma das mais importantes, senão a mais importante (porque muita gente não a considera como tal). No dia mesmo eu não vou falar tanto do assunto: tava ficando muito extenso, e muito negativo, aí dei uma resumida, já que tinham outras dicas mais positivas pra serem dadas. Eu vou, então, usar este espaço ao invés pra descarregar meu argumento. Spoiler alert: pra quem for assistir à apresentação, pode ignorar e ler depois.
Enfim, é algo que muita gente não gosta de ouvir, ou tem preguiça de pensar nisso, ou fica até ofendido quando me ouve sugerindo o lance e discutindo as razões. Mas, aqui vai:
Todos temos de aprender inglês, e aprender bem. No mínimo, pra poder ler qualquer texto ou livro em inglês sem problemas.
Não precisa sair escrevendo artigo em inglês, vendo LOST sem legenda (apesar de ser bem melhor!), ou falando numa boa com gringo via Skype. Mas tem de saber ler. E tem três principais razões pra isso.
A primeira, talvez mais óbvia (e que engloba as outras), é que a quantidade de informações disponível sobre qualquer tipo de assunto é muito maior em inglês. A menos que estejamos falando sobre algum assunto extremamente específico do Brasil, tipo Acarajé, você vai ter muito mais fontes de informação na língua inglesa do que na portuguesa. Quer ver? Procura no Wikipedia por qualquer coisa, tipo, sei lá, Zeus. A versão em inglês da página vai ser invariavelmente maior que a versão em português. Muitas vezes, muito maior. Isso se a versão em português sequer existir.
A mesma coisa se percebe quando você quer procurar um assunto no Google: nosso querido Zeus retorna 14 milhões de resultados em inglês, contra 2 milhões em português. Uma diferença do tamanho do monte Olimpo.
A segunda é que qualquer conteúdo que é traduzido para o português acaba sendo lançado com uma grande atraso. Saiu um livro legal em inglês que tá fazendo o maior sucesso? Ótimo, agora espere meses (ou anos) até o mesmo conteúdo sair em português. Ah, e vai ser mais caro que o original. Isso se sair, obviamente.
Essa situação se agrava quando se trata de livros técnicos. Você espera 1 ano por um livro sobre, sei lá, alguma versão de alguma linguagem de programação, e quando ele sai o assunto já está defasado.
A mesma coisa acontece com conteúdo online. Sempre que algo de novo acontece, é divulgado em inglês. Não adianta. Acaba saindo só em português quando alguém resolve traduzir. Você lê novidades de informática, gadgets e afins em blogs em português? Maravilha – esses caras, em sua enorme maioria, não fazem nada além de xupinhar conteúdo dos originais em inglês e traduzi-los pra consumo local. São só intermediários. Tudo que você lê é filtrado, mastigado, e regurgitado. O que você lê é o vômito coletivo de algo que outros acharam que você gostaria de engolir. Fora quando é mal traduzido.
A terceira razão, talvez maior, é que mesmo quando algo é finalmente traduzido, a tradução geralmente é feita de uma forma bem porca, ou sofre de problemas graves de perda de significado. Isso porque tradução, na verdade, é uma mentira. É um faz-de-conta. Pra uma tradução ser realmente bem feita, o tradutor precisa saber muito bem do que está falando, de modo a reescrever o texto, ao invés de fornecer uma tradução literal de algo. E mesmo assim existem problemas, que geralmente pediriam extensas notas de rodapé em qualquer tradução – coisa que, pela minha experiência, praticamente nunca acontece.
Pra ilustrar esse problema, tem três causos que acho fantásticos.
O primeiro é sobre o livro Emergence, do Stephen Johnson. Cultuado livro pop-científico que fala sobre padrões que podem emergir de sistemas complexos – como de colônias de formigas, cidades e afins – o problema em traduzir o livro começa já pelo nome. Emergence, em inglês, vira Emergência, em português. O problema é que essa palavra tem dois sentidos distintos, sendo que o correto é o menos usado – aí você vê a capa e fica achando que o livro é um sobre acidentes e outras emergências. Isso porque a palavra “emergência”, em português, significa tanto uma situação de risco que requer ação imediata (emergency, em inglês) quando o ato de emergir (aí sim, emergence, o nome original).
Por sorte, eu li esse livro em inglês, e foram inúmeras as vezes que me deparei com frases que me fizeram pensar “cacete, isso é intraduzível pro português”. Isso porque o mesmíssimo problema do título se repete dentro do livro. O texto está escrito com palavras relativamente simples, mas que possuem um significado muito específico – e que seriam extremamente complicadas de se traduzir por não terem um equivalente direto em português. Pattern é uma delas. O significado original é algo como “qualquer tipo de tema recorrente”, e talvez pudesse ser traduzido como “padrão de comportamento” ou “padrão de reconhecimento” no livro dependendo do contexto usado em cada parte. Mas na versão em português, ela vira só padrão, provavelmente pra não deixar o texto muito esquisito, mas fazendo com que algumas frases tenham duplo sentido. A dificuldade fica mais óbvia quando você vê que, pra inverter, padrão pode ser usado não só como tradução de pattern, mas também de standard. Então quando você lê o livro, surge a dúvida sobre qual padrão que ele tá falando – um padrão de comportamento que é padrão, porque ele se repete em determinadas situações, ou um padrão de comportamento que é padrão porque é o esperado em alguma situação?
Nesse caso, o problema nem é tanto devido à capacidade ou atenção do tradutor. Pelo que ouvi dizer, a tradução que foi feita desse livro é realmente muito boa, contando até mesmo com notas de rodapé que explicam o contexto onde as palavras difíceis acabam se inserindo. A tradutora mesmo parece super gente boa (ela tava acompanhando o Steven Johnson na Campus Party de São Paulo em 2008, fazendo as vezes de intérprete e ajudando-o a responder questões do público, o que me leva a crer que ela está bem a par do trabalho do cara). Então esta nem é uma crítica à tradução deste livro, já que nem o li em português. É mais uma ilustração dos problemas que existem pra realizar uma tradução: e meu argumento de que, por melhor que ela seja feita, lidar com a tradução acaba virando um impecilho pra quem quer entender o texto. Você primeiro tem de entender o que o tradutor quis dizer, já que vai invariavelmente ler um texto adaptado, pra depois entender o que o texto original estava falando.
O segundo causo é muito pior, e provavelmente muito mais comum. É quando as traduções são mal feitas mesmo.
Eu gosto muito de ler ficção científica. Leio desde que era moleque. E o último livro de ficção científica que li em português, há, acho, uns 10 anos atrás, foi Neuromancer, do William Gibson. Foi o livro que deu origem ao que depois foi chamado de ficção científica cyber-punk. Esse livro eu acabei lendo em português por mero acidente – nessa época mesmo eu já lia só ficção em inglês, porque livros desse tipo em português eram praticamente inexistentes (na verdade, um dos motivos principais de eu ter aprendido inglês foi pra poder ler o que eu gostava – eu me forçava a ler os livros mesmo quando não entendia 100% do que tava acontecendo).
Enfim, eu li o livro inteiro, e pra ser sincero, entendi pouco. Era tudo muito confuso. A impressão é que era uma história tipo Blade Runner contada por um maconheiro. Fiquei com a impressão de que era o estilo do autor – escrever de uma forma mais surreal, mais metafórica. De que você tinha de parar pra pensar no que o cara tava descrevendo e chegar às suas próprias conclusões.
Alguns anos depois, achei uma MP3 do audiobook do livro pra baixar. Decidi baixar o tal audiobook pra escutar no carro, enquanto ia e voltava do trabalho, já que pegava um trânsito do cacete nessa rotina.
Ouvir o audiobook me revelou uma história muito diferente. Eram inúmeras as situações que eu não me lembrava de quando li o livro. Principalmente o final. Tá, fazia um tempão que eu tinha lido o livro, mas como eu podia ter esquecido tanta coisa?
Depois de ter ouvido o final, a primeira coisa que fiz foi chegar em casa e procurar o livro pra conferir. Li a parte final inteira, e, batata – era muito diferente do que eu havia lido. Foi aí que saquei – comparando algumas frases da versão escrita com a versão em áudio, ficou claro que era um problema de tradução. A pessoa que havia feito a tradução não fazia a mínima idéia do que estava fazendo, e recheou o texto de frases traduzidas em sua forma literal, sem nenhuma preocupação com o contexto ou o argumento. Era tipo passar a história por um moedor de carne e tentar juntar os pedaços depois no formato do bife original. Perdia completamente o sentido.
Por isso que, anos depois, tive de dar muita risada quando vi que havia uma nova edição do livro sendo lançada numa vitrine da Livraria Cultura. Estampado bem grande do lado do livro em exibição estava a frase “nova tradução”.
E nem pense que este é um problema exclusivo de livros. O mesmo acontece com notícias e afins. Por exemplo, já vi diversas notícias que vêm da Reuters ou outras agências internacionais postadas no Estadão com uma tradução porca, do tipo que comete aqueles erros crassos e cai na armadilha de diversos falsos cognatos.
Mas, se quer saber, foda-se. Muito melhor do que esperar a boa vontade de uma editora ou um site é pegar o original. Sem demora, sem perda de significado, e sem depender de ninguém. Se eu fosse depender do português, não teria lido 90% das séries de ficção que já li até hoje. Não são poucas.
O último causo é mais específico e relacionado a livros técnicos. Livros técnicos são de tradução notoriamente difícil, porque alguns termos podem fazer parte das linguagens ou softwares usados e não podem ser traduzidos. Um exemplo típico é a palavra Array. Essa palavra faz parte de muitas linguagens de programação, já que é usada pra descrever um tipo de dado bastante comum – matrizes ou listas de dados.
O problema é que você tem de traduzir a palavra em algumas das explicações, senão fica uma mistureba de palavras sem sentido, com inglês no meio do português. Então uma frase do tipo “To create an array of data you use the Array type” vira “para criar uma matriz de dados você usa o tipo Array”. Tá correto, mas aí você acaba usando duas palavras pra mesma coisa, perde um pouco da explicação. Então cada livro faz de um jeito.
E coisas do tipo String então, sem tradução direta? Se você for usar a tradução literal (corda), acaba virando algo completamente nonsense. A tradução prática (texto) é genérica demais, e pode também introduzir problemas no futuro. Por isso você acaba tendo textos misturados, algo do tipo “Crie uma string paga guardar os dados…”. Vira uma salada.
Outro problema relacionado a isso é que se o tradutor escolhe uma tradução completa, ele pode acabar tendo um choque de palavras. A melhor explicação ainda é sobre o Array. Essa palavra geralmente pode ser traduzida para lista, conjunto ou matriz. O mais comum, pelo que já vi, é matriz. Aí a linguagem sofre uma atualização – caso do Flash mais recente – e adicionam um novo tipo de dado, chamado de Matrix, esse sim uma matriz numérica, no sentido mais matemático da palavra. E como você vai traduzir isso, se matriz já quer dizer Array? Acaba precisando reescrever toda a explicação, assumindo uma nova palavra pra um diferente tipo de dado. Tutoriais escritos anteriormente se tornam defasados.
Não tem saída fácil. O melhor é usar sempre só o original para não ter de lidar com problemas intermediários – isto é, conteúdo em inglês.
Talvez pra mim seja meio suspeito falar disso tudo como se fosse a coisa mais fácil do mundo, porque aprendi inglês relativamente cedo. Sei que não é. Mas quem está ainda pensando se vale a pena aprender inglês tem de pensar que a gente está numa cultura onde saber onde achar a informação (e fazê-lo de forma rápida) tem mais valor do que reter a informação. Nesse aspecto, recusar-se a utilizar fontes na linguagem mais utilizada é, sinceramente, burrice.
E perceba que de todos os exemplos que citei, em áreas mais técnicas, tipo programação, o problema é muito pior. Vai procurar solução pra algum problema de, sei lá, Flash, em português. Vai existir, mas pra cada item que você achar em português, vai achar mais 100 em inglês.
E na questão técnica o problema é muito pior não porque existe o domínio de algum grande império que visa massificar sua cultura capitalista, mas sim porque faz sentido que uma linguagem seja adotada pra comunicação global. Quando você procura por algum conteúdo em inglês, você não está procurando necessariamente por conteúdos escritos por Norte-americanos ou Ingleses. Está procurando por conteúdos escritos por gente de todo o mundo, e isso é uma coisa que profissionais notoriamente pragmáticos – programadores, cientistas, etc – abraçam mais rapidamente.
Meu trabalho de conclusão de curso é um bom exemplo disso. É um trabalho acadêmico realizado pra uma faculdade Brasileira, mas 90% das referências são em inglês. Não quer dizer que eu não procurei por nada em português – procurei, não só em bibliotecas locais, como em bibliotecas eletrônicas parceiras do Senac. Mas os trabalhos encontrados acabavam sendo extremamente deficientes e sempre apontando pra referências em inglês que aí sim eram o que eu buscava. Não só isso, mas utilizar o scholar.google.com fez com que minha pesquisa fosse muito mais produtiva. Imagina se eu fosse ignorar todo conteúdo em inglês pro meu trabalho – ele não ia sair nunca.
Realmente acredito que uma das primeiras coisas que alguémpode fazer pela sua carreira profissional é aprender inglês.
E antes que alguém entenda errado, eu não detesto o português. Ao contrário; uma das razões de eu ter iniciado este blog é exatamente pra praticar mais o português, algo que eu tava começando a deixar de lado sem querer. E o inverso do que falei também é verdade – tenho pena de quem tem de ler Jorge Amado em inglês e vai provavelmente pegar um texto tão mal traduzido (ou hermético) quanto costumamos pegar nos nossos livros traduzidos do inglês. Como que alguém vai traduzir Marinete pra inglês sem perder parte do significado ou a beleza quase sinestésica do nome? Abra a boca e diga: “Marinete”. Vai virar o quê em inglês, Coachy?
Aprender inglês não é desaprender o português. Não é questão de valorizar uma língua estrangeira e desvalorizar nossa língua. É abrir a possibilidade de pesquisa e de busca de informações pra muitas outras fontes. É agregar, não trocar.
Escrito em 29/April/2009, 16:31 em estudos, trampo | 15 comentários
Ainda no assunto Edted, durante a realização da mesa-redonda final alguém fez uma pergunta (via Twitter acho) querendo saber se eu achava que faculdade era uma coisa importante na formação de uma pessoa.
Na ocasião eu acabei respondendo com um breve “sim”, em parte porque não queria tomar muito o tempo da mesa, e em parte porque é uma discussão tão grande que não caberia direito no breve tempo de discussão que a gente tinha disponível de qualquer forma.
Aparentemente essa foi a resposta certa, porque o pessoal que estava assistindo até curtiu: os outros palestrantes deram risada, e teve um início de palmas na audiência. Mas, pra ser sincero, acho que a brevidade da resposta fez com que ela soasse meio seca (pra não dizer cretina); então, pra complementá-la, e até porque esse é um assunto muito pessoal, aqui vai um pouco do que acho sobre o tema. Eu até já tinha falado um pouco disso nos comentários deste artigo escrito pelo Bruno Ribeiro, mas escrevo aqui de forma mais extensa. Aviso: verborragia master, como sempre.
Eu sempre fui um cara meio contra faculdade e cursos em geral. Pra explicar: eu comecei a trabalhar efetivamente com desenvolvimento de sistemas (e suas interfaces) em 1994, quanto eu tinha 16 anos, e desde então nunca parei de trabalhar. Sempre aprendi fazendo e indo atrás, isso numa época pré-Google e até pré-Internet. Comecei a programar aos 10 anos, e talvez por isso sempre fui muito defensor de um esquema autodidata de aprendizado.
Depois que terminei o segundo grau, resolvi, por diversos motivos, dar um tempo nos estudos. Eu até cheguei a fazer faculdade em 97 e 98 (Propaganda e Marketing), mas acabei abandonando por falta de grana pra continuar e tempo pra estudar – tive de escolher entre trabalhar e ter dinheiro pra sobreviver, ou viver de vento e estudar sabe-se lá como.
Nesse período em que fiquei exclusivamente trabalhando, tive algumas experiências que me levaram a detestar ainda mais essa idéia de levar certificações ou diplomas ao pé da letra. Duas eu posso citar em especial.
A primeira é que eu trabalhava num lugar onde tinha uma pessoa que possuía um grande certificado de um software bastante usado na época (Aldus/Adobe Page Maker), e deixava o certificado pendurado logo acima do computador. Isso basicamente atestava que a pessoa sabia o que estava fazendo e era um profissional de destaque na área. Essa pessoa ganhava um pouco mais do que o dobro do que eu ganhava. O detalhe é que quando tinha algum problema muito cabuloso para resolver no Page Maker, essa pessoa me chamava, já que eu era o faz-tudo do lugar na época – e incluía-se aí mexer com o Page Maker, coisa que nem era minha especialização.
Nada contra essa pessoa, que era super gente boa. Mas a experiência me deixou com uma opinião amarga sobre certificações.
A segunda é mais contundente. Na primeira agência de Internet em que comecei a trabalhar, era costume criar propostas de projetos para clientes em potencial, e apresentações que acompanhavam essas propostas. Aquelas típicas apresentações cretinas e pomposas que falavam sobre a agência. Enfim, um dia estávamos desenvolvendo umas três propostas pra serem apresentadas pra um grande cliente. A secretária estava montando um slideshow com informações sobre as propostas – uma das quais eu que estava desenvolvendo – e tivemos um papo mais ou menos assim:
Secretária: Então, Zeh, estou montando a apresentação pro <Grande cliente X>, e estou colocando as fichas da agência. No que você é formado?
Zeh: Não sou formado.
Secretária: (Boquiaberta) Não é formado?! Não fez faculdade?
Zeh: Não.
Secretária: Mas você não fez nenhum curso?
Zeh: Só me formei no segundo grau, em Processamento de Dados.
Secretária: Ahn… tudo bem.
Aí ela foi e fez a apresentação… sem meu nome. Não importa que o conceito, design, e programação da proposta eram meus: se eu não tinha nenhuma graduação interessante pra citar, eu não importava, valia mais a pena colocar o bio de um dos sócios da agência. Não era culpa da secretária, diga-se de passagem, já que ela também era gente fina; era uma coisa normal da agência.
Essa mesma agência era aquela típica empresa anos 90, que considerava melhor alguém que tivesse um curso de graduação, fosse ele qual fosse. Você podia ser graduado em veterinária, que pronto, era automaticamente um melhor designer. Eles até queriam meu conhecimento, já que profissionais de Internet não eram tão comuns na época. Mas eu era meio que um patinho feio.
E na real, nem sei se apresentação toda foi pro cliente mesmo. Essa idéia de propostas era um mundinho de faz-de-conta às vezes.
Por conta dessas e de outras, criei uma certa mágoa de todo essa idéia de formação. O fato de que conheci ótimos profissionais sem formação alguma, bem como péssimos profissionais formados – típico do começo da Internet no Brasil, acho – não ajudou a imagem do mundo acadêmico.
Não quer dizer que eu detestasse cursos. Cheguei a fazer 3 anos de Panamericana exatamente porque achei que tava perdendo um pouco do contato com o mundo do design, e porque queria respirar um pouco mais da coisa. Não que seja uma super escola, e obviamente não tem nada a ver com formação acadêmica, mas é um curso, e aprendi algumas coisas lá sim.
Mas minha opinião geral sobre faculdades e formação só começou a mudar lá pros idos de 2000, quando visitei o Senac pela primeira vez, por convite/dica da Lu Terceiro. Foi num evento com palestras de diversos monstros do (então) webdesign mundial, em especial a Designers Republic (!). Fiquei impressionado com duas coisas: primeiro, a iniciativa de uma faculdade de trazer designers desse porte pra um evento local; e segundo, a grade do curso de Design Gráfico que existia até então no Senac, distribuída como parte do material promocional do evento. Três semestres de tipografia? Eu não sabia que existia nenhum curso desse tipo em São Paulo – eu precisava fazer aquela faculdade.
Só havia um problema: o curso do Senac era à tarde. Eu escrevi um email pro então coordenador do curso perguntando sobre a possibilidade de cursos à noite no futuro, e ele foi bastante otimista, dizendo que existia a idéia e que isso deveria rolar no futuro.
Nessa época, eu estava terminando a Panamericana (na verdade, num hiato de 2 anos sem estudar que tive entre o segundo e o terceiro ano do curso). Decidi terminar a Panamericana e aguardar novidades do Senac.
Foi o que eu fiz. Após terminar a Panamericana, Fiquei juntando grana por 2 anos, e então, em 2004, veio a novidade de que o curso de Design do Senac iria se desmembrar, e novas especializações seriam criadas: Design Industrial, e Design de Interfaces. Apesar de meu desejo ser mais de focar no design gráfico – que continuaria existindo à tarde – decidi que o Design de Interfaces se encaixaria bem nos meus planos e decidi tentar.
Todo mundo da área que eu conhecia achou a decisão meio doida. Todo mundo apoiou, mas ainda assim achou esquisito, porque naquela área, com já uma década de experiência, eu “não precisaria” desse tipo de formação. E por um lado eles estavam certos, era uma coisa meio doideira, e eu ia gastar uma bela grana e um bom tempo com isso. Mas ainda assim, era uma coisa que me deixava feliz, porque eu finalmente tinha a grana (e, de certo modo, o tempo) pra fazer a faculdade, então era uma boa oportunidade pra me livrar de algo que tinha virado meio que uma pedra imaginária no sapato cerebral pra mim. Como quando eu finalmente terminei Double Dragon (só uns 10 anos depois de ter jogado pela primeira vez, com raiva, usando um emulador e save states).
Ainda assim, nunca fui fazer faculdade de modo muito otimista. Eu queria três coisas, basicamente: 1. Um papel chamado “diploma”, pra poder usar pra todos os fins cabíveis, ainda que cretinos; 2. Saber mais sobre o mundo acadêmico, a fim de poder falar mal com algum ganho de causa; e 3. Aprender um pouquinho, quem sabe, talvez, sobre design.
Enfim, em 2005, com 26 anos, comecei o curso de Bacharel em Design de Interfaces no Senac São Paulo. Me formei em dezembro de 2008, com 31 anos.
Pra resumir a história – até porque já escrevi coisa pra caralho sobre isso aqui (em inglês) – minhas expectativas ao fazer a faculdade foram superadas. Talvez eu fosse cínico demais – não gosto de confiar em pessoas, empresas ou serviços – mas entrei lá sem esperar muita coisa e saí com mais do que pensava. Fazer um curso onde te forçam a pensar de modo diferente, e a ter contato com tecnologias, mídias, plataformas e problemas que você não encontraria no dia-a-dia do trabalho real é extremamente gratificante. Não que o Senac seja a faculdade perfeita – ele com certeza tem seus defeitos, e eu era da primeira turma do curso – mas eu acredito que fez bem o que se prestou a fazer.
Mesmo ter o contato com as pessoas – meus colegas eram, em média, 10 anos mais novos do que eu – foi algo que me fez aprender muito. Não é à toa que faço questão de ter links pra blogs de todos meus colegas que os têm aí do lado da página. Pra mim foi um ótimo período; extremamente difícil – já que tive de abrir mão de diversas coisas – mas ainda assim, muito recompensador.
O engraçado é que eu provavelmente consegui aproveitar o curso muito mais exatamente por ser mais velho. Tenho certeza de que ter um repertório adicional me fez captar algumas aulas de uma forma muito melhor e absorver muito mais do curso do que a maioria dos outros alunos. Não que eu tenha alguma diferença intelectual – pelo contrário, eu acredito que a grande maioria dos meus colegas está num nível muito superior do que o que eu tinha quando tinha a idade deles (voz de velho caquético) – mas porque minha experiência que fez com que o discurso dos professores tivesse uma digestão muito mais fácil.
Ou seja, quem estiver pensando em começar faculdade mais tarde, eu recomendo. Vale a pena.
Tenho certeza de que saí da faculdade uma pessoa melhor, e um profissional melhor. Não que minha opinião tenha sido completamente mudada – ainda acredito que é possível, sim, ser um profissional de destaque sem um curso superior. Acredito, sim, que muita gente com um curso superior continua sendo um zero à esquerda simplesmente porque não aproveitou o período acadêmico do jeito que poderia. Sou, sim, contra a tal “regulamentação” e exigência de diploma nas empresas desta área; acho uma puta coisa retrógrada. Mas agora também acredito que, pra quem realmente quer, faculdade pode ser um grande salto pessoal, intelectual e profissional.
Faculdade vale a pena.
E minha colação de grau é semana que vem.
Esta é a página pessoal de Zeh Fernando. Este é um website criado para amigos e familiares; se você não me conhece, você provavelmente não deveria estar aqui – nada vai fazer muito sentido. Para mais informações, visite minha página normal (em inglês).
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