Falar é fácil, difícil é dizer
by Zeh on April 25, 2009
Acabei de voltar do 14º EDTED, onde dei uma palestra prum público de umas 400 pessoas (chute aproximação heurística), basicamente sobre meu trampo de Flash e porque eu acho que sites em Flash não são a cria do demônio. Era mais ou menos a mesma apresentação que fiz no EWD do Rio de Janeiro mês passado, embora melhorada – com algumas imagens adicionais, e utilizando os sites ao vivo ao invés de só mostrar screenshots.
Não que eu costume palestrar demais (geralmente evito), mas sempre que estou pra fazer apresentações pra um público superior a 10 pessoas, quem não me conhece faz as perguntas óbvias, tipo, “tá tudo certo? cê tá nervoso?”.
Eu tenho várias fobias/bloqueios/vergonhas na vida, algumas razoavelmente bizarras. Felizmente, falar em público não é uma delas. Ao contrário, eu acho muito louco.

Slide mostrando o website "Absolut Ruby Red", por Gringo Interactive
(foto por Henrique Locatelli)
O que não quer dizer que eu faça a coisa muito bem. Eu falo rápido demais – não porque eu esteja nervoso, mas porque realmente falo rápido demais – e às vezes esqueço de me controlar pro pessoal poder acompanhar e pra eu não me enrolar muito. Eu também tenho problemas pra olhar nos olhos dos espectadores – não gosto de ficar secando ninguém – então geralmente fico olhando pro chão ou pro além. Mas, no geral, pelo fato de não ficar nervoso e conseguir falar o que planejei antes, acho que conduzo apresentações de forma razoável.
No entanto, o legal de ir em eventos como o de hoje é que dá pra medir legal como está sua habilidade em criar uma apresentação decente e mostrá-la pro público. Você vê como os outros palestrantes de comportaram com um conteúdo voltado pra uma mesma audiência, então tem alguns parâmetros de comparação que podem ser usados.
O foda é que sempre que faço isso fico meio com vergonha da minha palestra, achando ela a coisa mais banal e óbvia do mundo, e me sentindo meio lixo. Isso porque neguinho vem e faz um questionamento super pertinente e aí eu penso “caralho, cadê o questionamento na minha palestra, tá conformista demais”. Aí fulano vem e faz uma apresentação impecável e eu penso “cacete, titubeei na hora de falar tal frase, já esse cara não titubeia nunca”. Dá pra ver o que te falta ainda pra melhorar.
O evento de hoje não foi diferente.
Duas das palestras – a do Gil Gardelli e a do Roberto Cassano – eu já sabia o que esperar, afinal, já havia assistido às duas no evento do Rio de Janeiro. No entanto, ambas – a primeira, uma metralhada de questionamentos que eu continuo achando muito pertinentes, e a segunda, um resumo de uma experiência singular com mídias sociais online – são duas das que me fizeram sentir um pouco diminuído. Não que eu não tenha fé e não goste de meu trabalho, muito pelo contrário; mas ambas são apresentações que levavam a crer que talvez minha mensagem não se encaixasse tanto ali no meio.
Mas hoje, em especial, o que me fez sentir que tem algo mais além foi assistir à palestra do Luli Radfahrer. De conteúdo, sua palestra foi um misto de experiência, questionamento e divagações; difícil definir, já que foram pulos entre tópicos diferentes de forma muito rápida. Onde a palestra realmente funcionou, no entanto, foi no formato – vídeo/slideshow sincronizado com uma fala meticulosamente trabalhada – e na retórica aguçada do palestrante.
Só pra constar, não acho que sou nenhum ignorante em relação a palestras e apresentações. Já assisti vídeos de muitas apresentações do TED, Pecha Kucha e afins. E não é que a palestra tenha sido uma coisa de outro mundo, com fogos de artifício e coisa e tal. Foi, sim, uma apresentação muito bem feita, sem desvios de atenção. Mas acho que o que fez a diferença pra mim – comparando com vídeos que já vi do TED – foi assistir a palestra ao vivo. Tem quase uma energia que rola que faz com que você perceba que a apresentação não está sendo só uma palestrinha normal. Não devido a algum segredo técnico empregado na sua realização, mas por um resultado final impecável.
Deu pra perceber que tenho que comer muito PowerPoint Impress ainda.