Balloon vessel
by Zeh on June 17, 2009
Começou aos poucos: um dia alguém avistou um saco de bolas dentro do metrô. “Alguém deve ter esquecido”, foi o que pensaram. “Algum entregador deixou aí. O pessoal da limpeza vai achar pro setor de achados e perdidos”, diziam. Teve quem achasse graça.
Mas mal sabiam eles que este não era só um caso isolado. Ele se repetiu no dia seguinte, com um saco de bolas diferente. E depois. E depois. E aí já não era mais um saco de bolas. Eram dois. Três. Meia dúzia. Uma dúzia. Duas dúzias. Centenas. Milhares. A graça acabou bem rápido.
Rapidamente eles tomaram o espaço dos homens e mulheres nos vagões dos trens do metrô. A situação ficou insustentável. Ninguém conseguia mais ir trabalhar; o metrô estava tomado por sacos de bolas. Eles ocupavam os bancos, os corredores, a área das portas, até os assentos reservados. Como saber se um saco de bolas é mais ou menos idoso?
“Faça alguma coisa!”, repetiam os cidadãos. “Esses sacos não deveriam estar aqui!”, diziam outros. É verdade. Mas estavam. E tinham tanto direito quanto qualquer um de utilizar o metrô. Teríamos de ligar com isso. Os sacos de bolas haviam chegado para ficar.
Foto e título por Juliana Mundim