Ode ao soldado de bolso
by Zeh on July 14, 2009
Talvez eu não tenha deixado muito claro, mas toda a minha adaptação à nova cidade após a mudança teve a ajuda de um elemento importantíssimo. Peça-chave de qualquer tarefa que tenho de realizar em solo imperial, ele está sempre lá, me ajudando sem reclamar.
Falo do meu telefone celular.
O telefone que comprei aqui é o HTC Dream, vendido em solo local como T-Mobile G1. Apesar de ter falado um pouco desse fone antes, acho que ele merece um post próprio.
Esse era um fone no qual eu já estava interessado há um tempo por dois motivos. O primeiro é por saber do que o celular é capaz, já que existe uma caralhada de aplicativos disponíveis pra ele (e vale lembrar, aplicativos que não têm de lidar com censura prévia, ao contrário do que a Apple faz com o iPhone). O segundo é a abertura do sistema operacional (Android), que permite que você desenvolva aplicativos e extenda funcionalidade do sistema operacional sem muita dor-de-cabeça (de novo, especialmente em comparação a sistemas mais restritos, como o do iPhone). Eu já tinha brincado com desenvolvimento pra ele através do emulador e estava com vontade de tentar algo mais real.
Comprar o celular foi a primeira coisa que tentei fazer logo quando pisei em Manhattan, recém-chegado do aeroporto. Não consegui (pois já passava das 7 da noite e as lojas já estavam fechadas), mas no dia seguinte, após pagar os olhos da cara (já que eu não possuía credit score, fui obrigado a comprar o fone pelo preço total, sem subsídio através de contrato), era o feliz dono de um G1.
Fica difícil explicar o quanto ele ajudou, então seguem alguns exemplos do meu uso do celular por aqui.
O uso mais óbvio é pra mapas através do Google Maps, já que boa parte do software do G1 é criado pelo Google e o aparelho possui GPS. O vídeo abaixo é meio forçado e usa uma versão antiga do aplicativo, mas mostra bem os recursos disponíveis.
Com a facilidade dos mapas, é comum eu sair andando a esmo pela cidade sem me preocupar onde estou – isso porque, quando quiser, posso me localizar facilmente. Se um dia minha bateria acabar do nada, não vou saber voltar.
Na mesma onda dos mapas, o G1 também possui o editor de mapas My Maps, que permite que você acesse seus mapas criados no Google Maps e edite-os da forma como desejar, criando novos pontos onde quiser, ou só consultando os pontos salvos anteriormente. Ou seja, igualzinho ao editor do site (utilizando o mesmo banco de dados), só que no celular.
Um último nessa categoria que me saiu super útil é o My Tracks. Ele permite a você gravar sua localização constantemente, criando assim um percurso que pode ser então salvo de diversas formas diferentes – incluindo dentro do Google Maps.
Pra se ter uma idéia da praticidade da coisa toda: há cerca de duas semanas, eu comprei uma bicicleta. Passei boa parte da semana passada andando de bike pelo Brooklyn, em parte porque realmente é muito fácil de andar de bicicleta por aqui (mais sobre isso no futuro) e em parte porque queria dar uma volta pelos bairros sugeridos por amigos e colegas pra decidir onde eu procuraria apartamentos para alugar em definitivo.
Conforme eu andava de bike, eu gravava meu trajeto pelo My Tracks. O intuito era não só me lembrar por onde passei, mas também saber quantos km andei, por quanto tempo, velocidade médias e máximas, etc.
Meu trajeto todo foi salvo no Google Maps. A imagem abaixo mostra 3 dias diferentes intercalados, totalizando uns 40km de percurso.
Além disso, sempre que eu chegava num ponto digno de nota, criava um novo marcador no Google My Maps com anotações e com uma foto da rua tirada na hora (não mostrados na imagem acima), pra me ajudar a lembrar da localização.
Outra utilização muito prática do celular é localizar um ponto comercial específico – tudo através do Places Directory, um aplicativo que ajuda a localizar lojas, restaurantes, bares e afins disponíveis ao seu redor. O aplicativo conta com informações e reviews sobre cada ponto, além da distância e de mapas e compassos indicando como chegar ao lugar.
Acabo usando esse aplicativo diversas vezes por dia. Esse aplicativo já me ajudou em diferentes momentos de uma forma incrível. Pra citar alguns: em determinado momento, andando por Manhattan, me deparei com um restaurante que anunciava ser de comida Brasileira. Como era uma quarta-feira, me perguntei se valeria ir a pena tentar entrar no lugar e pedir uma feijosada. Saquei o celular, procurei o restaurante no aplicativo (facilmente encontrado, já que ele estava bem na minha frente), e li os reviews disponíveis, trazidos de outros websites. As opiniões eram tão negativas que me fizeram mudar de idéia e trocar o paio hipotético por um sanduíche do Subway mesmo.
Outro exemplo é mais curioso. Um dia, voltando do trabalho, andando pelo bairro onde estou morando provisoriamente, me perguntei se havia algum supermercado por perto. Novamente, saquei o celular, procurei por “supermarket”, e encontrei um… a cerca de 40 metros atrás do ponto onde eu estava. Super perto, mas eu provavelmente teria demorado muito até perceber o supermercado por acaso.
E tudo isso sem contar os aplicativos sociais, que fizeram muita gente estranhar que eu estivesse respondendo mensagens e emails na rua: Meebo pra Android que me permite ficar lendo MSN e Google Talk enquanto ando (agora, quando alguém ver meu status como “On Mobile”, já sabe do que se trata); TwitterRide pra perder tempo no Twitter; Email embutido; etc.
Já muitos outros aplicativos pequenos/simples me ajuda bastante no dia-a-dia. O compasso, pra saber pra que lado eu tenho de ir quando estou num lugar desconhecido; o mapa do metrô de NY; jogos pra passar o tempo; etc.
Ou seja, o celular tem sido uma ajuda absurda na minha adaptação à cidade. Não só porque eu posso procurar qualquer informação na Internet mais rapidamente com ele, mas devido à gama de aplicativos pra facilitar a vida que ele tem. E nada disso é forçado; eu ainda me permito tentar um monte de coisas diferentes e sair aleatoriamente sem ficar verificando onde estou a cada 10 metros, e sem medo de experimentar algo novo. O bom é que o celular acaba poupando tempo e saliva quando preciso de alguma informação, ao invés de ser ser o condutor direto dos meus pés.
Eu amei até mesmo o teclado do aparelho, que eu originalmente achei que seria um porre de usar, e já não vivo sem ele. O G1 até tem teclado na tela estilo o iPhone; não uso nunca.
A verdade é, eu não consigo sequer imaginar como teria sido minha vida de transeunte estrangeiro em NY até agora sem o negócio. Eu cheguei na cidade com uma dúzia de papéis impressos, com mapas e informações pra poder me localizar onde quer que estivesse; mas, após ter adquirido o fone, pude me desfazer de tudo. Agora tenho tudo e mais um pouco à mão – ou instalado no celular, ou disponível online.
Isso porque ainda nem usei coisas como Wikitude (mais voltado pra turismo) e Shop Savvy (mais voltado pra compras).
Se já me sinto numa rotina sem muitas surpresas (às vezes, sério mesmo, dá impressão de que já vivo aqui há décadas, e já devo ter ajudado uma dúzia de pessoas na rua) é porque o celular fez com que a adaptação fosse a mais fácil possível. Talvez seja uma coisa que nem percebamos no Brasil, uma vez que não temos tanta informação online sobre comércios e tal (e fora que conexão G3 nem é tão difundida assim), mas depois de utilizar o celular por um tempo, fica fácil de perceber como dispositivos móveis estão prontos a revolucionar a computação móvel – eles estão solucionando problemas que mal entendíamos, e fazendo isso de forma fenomenal, super prática, e invisível.
Não quer dizer que o G1 seja algo de outro mundo; não levem por esse lado. Embora eu tenha amado o aparelho, provavelmente tudo citado aqui pode ser realizado através de um iPhone, Palm Pre, Blackberry e outros. A questão não é o modelo, mas a plataforma, e o contexto onde ela se insere. Pra mim é meio foda mostrar o quanto fico deslumbrado porque afinal trabalho com tecnologia e já sabia do que a plataforma era capaz, mas acho que o contraste de rotinas proporcionado por essa minha mudança é que me permitiu que eu absorvesse esse choque tecno-cultural em sua plenitude.
Smartphones são foda.