Dicas de viagem: dinheiros

by Zeh on July 17, 2009

Conversando com um amigo meu agora há pouco comecei a me lembrar de tudo que aprendi nas primeiras semanas de adaptação ao dinheiro de brinquedo avançado sistema monetário Norte-Americano, então seguem algumas dicas aleatórias para viagens ao exterior (talvez em especial pros Estados Unidos, que é o que minha experiência me permite reportar).

Obviamente, antes de viajar, é recomendável você já sair com uma grana na moeda do local para onde você está se dirigindo (geralmente trocada localmente numa casa de câmbio qualquer, tipo as de shopping).

Quando você for trocar o dinheiro na casa de câmbio, é bem melhor pegar notas em valores mais baixos. Isso é uma coisa do qual eu não me dei conta e que me deu certa dor-de-cabeça. No caso dos dólares, notas de US$ 100 são foda. Na verdade elas até são bem aceitas sem muitos problemas por humanos, mas a treta é que muitas das máquinas que aceitam pagamento em dinheiro (coisa bem comum aqui, em especial para compra de bilhetes de metrô) só aceitam notas de até US$ 50. Então, se não quiser ter problemas, peça umas notas de US$ 50, $20, ou $10 durante a troca.

Saiba também que, caso você seja um milionário e a quantia sendo levada para fora do Brasil (seja a espécie que for) passe de R$ 10,000.00, você tem de declará-la através de um formulário.

Caso você não queira levar muito dinheiro com você (o que foi o meu caso) mas ainda assim precise de uma quantida considerável (o que também foi o meu caso, já que teria de pagar aluguel e o escambal), ou mesmo se você quiser mais segurança pra andar pra cima e pra baixo sem uma bolada debaixo do chapéu, uma boa é pegar um Visa Travel Money. Esse cartão é como um cartão de crédito/banco/débito pré-pago que você faz, coloca uma grana nele, e aí pode fazer saques em moeda local ao redor do mundo em caixas específicos. Você também pode usar o cartão pra fazer pagamentos em alguns cantos, como cartão de crédito (apesar de que não cheguei a usar pra isso). Finalmente, você pode consultar o saldo online e tal. É um treco realmente prático. Esse cartão você também faz em casas de câmbio e outros cantos em São Paulo mesmo, e não tem de declarar nada (a própria casa de câmbio que reporta a operação pra Receita Federal como via de regra, então se você quiser evadir divisas, esta não é uma boa forma).

No meu caso, o que eu fiz foi viajar com uma grana em mãos só pra segurança, e colocar um valor legal no Visa Travel Money, aí sacava quando precisava. Fiz ambos a operação de câmbio e o cartão na Action.

Sacar dinheiro (pelo menos em Nova York) é bem fácil. À primeira vista os caixas (“ATMs”) podem assustar – eles são em sua maioria bem toscos, montados na calçada mesmo, ou dentro dos pontos mais esdrúxulos do mundo, como metrô, pizzaria, farmácia, vendinha, papelaria, banca de jornal e afins. Do tipo que se fosse no Brasil, metade seria roubado durante a madrugada. Mas eles até que funcionam bem (e muitos têm atendimento sonoro, pra cegos, coisa que no Brasil acho que é bem recente).

ATM por Divwerf

Pra saques do Visa Travel Money, você precisa usar um caixa da rede “Visa Plus”, que é bem frequente aqui em NY. E embora não exista limite pra saques do cartão em si, cada caixa tem um limite diferente. Já vi caixas com limite que iam de US$ 100 a US$ 800. Quando tive de fazer um saque pro pagamento do aluguel do meu apartamento provisório, por exemplo, tive de sacar US$ 2400 (aluguel, mais depósito de segurança) em três saques seguidos, no mesmo caixa. Me senti um criminoso utilizando cartão roubado.

Pra quem reclama de caixas que dão notas de valor alto no Brasil (sempre que eu queria dinheiro, costumava sacar algum valor super quebrado, tipo R$ 48, só pra poder pegar dinheiro trocado), aqui os caixas parecem só despejar notas de US$ 20 pra baixo. Alguns limitam a US$ 10. Inclusive quando não é conveniente. Como falei, tive de sacar US$ 2400 de uma vez só – saí dos caixas quase um gangster, dado o bolo de dinheiro que tive de carregar em notas de US$ 20. Fora o ato de pagar o aluguel com isso depois, parecia venda de drogas.

Uma última coisa engraçada de ATMs é que você pode fazer saques de sua conta de bancos Brasileiros em alguns caixas, utilizando seu cartão do banco. É uma coisa bizarra e completamente aleatória (você nunca vai saber o quê funciona e onde), mas é uma outra alternativa. Eu não fazia a mínima idéia que isso rolava – achei que teria de usar agências locais do meu Banco pra isso – mas a gerente do meu banco local (Chase) me deu um toque, aí fui no ATM do Chase mesmo e fiz um saque direto da minha conta do Real, de São Paulo. Bem conveniente. Mas o problema é que como qualquer coisa em banco Brasileiro, acaba caindo num limite aleatório, arbitrário e desconhecido qualquer – meu limite de saques, por exemplo, é algo em torno de US$ 400 por dia, apesar da conta ter saldo suficiente. Por isso, e pela aleatoriedade do suporte à operação, não recomendo confiar muito.

E finalmente, moedas. Como toda o resto da infinita gama de países que conheço além do Brasil (ou seja, Austrália), aqui na terra do Information Society tudo se resolve na base da moeda. As muitas máquinas que o cidadão comum tem de usar durante o dia aceitam moedas (algumas moedas), e existem máquinas pra trocar dinheiro por moedas (vital em lugares como lavanderia).

E aqui tem uma coisa bizarra: ninguém reclama na hora de te dar o troco. Você paga algo de US$ 1.48 com uma nota de US$ 20 e o cara te dá US$ 18.52 de troco. Sem titubear. Com uma porrada de moedas. Tanto que realmente enche o saco. Já não sei onde colocar mais moedas. Minha carteira tá prestes a estourar, isso porque sempre desovo as moedas na estante quando chego em casa pra não ter de ficar carregando-as pra cima e pra baixo. Às vezes despejo todas elas na máquina do metrô, pra carregá-las no saldo do meu MetroCard, mas não sei o que fazer com as de US$ 0.01, já que a máquina não parece aceitar. Fico me sentindo um Tio Patinhas do subúrbio.

Tio Patinhas

Então, se você estiver vindo pra essas terras, lembre-se de trazer uma bolsa para as moedas.

E vale lembrar, elas nem fazem muito sentido, já que não têm o valor direto gravado – então você que tem de saber que um “nickel” é US$ 0.05, um “dime” é US$ 0.10, e por aí vai. Avançado demais.