home


categorias

  • choque (16)
  • comida (5)
  • crônicas (9)
  • design (2)
  • entretenimento (8)
  • estudos (5)
  • línguas (4)
  • memória (3)
  • meta (3)
  • nova york (14)
  • pirações (12)
  • trampo (12)
  • O cego e o sol

    Escrito em 27/December/2009, 9:46 em crônicas

    Era uma vez um homem cego que não sabia como era o Sol. Ele então decidiu pedir a outras pessoas para lhe explicarem.

    Primeiro, ele perguntou a um amigo como era o Sol. “O Sol é grande e redondo, como uma grande panela”, disse o amigo, que era cozinheiro. Então o cego pegou uma panela emprestada, e passou a tateá-la, para sentir sua forma. A panela, no entanto, era feita de um metal frio, e ele sabia que o Sol não era frio, já que ele podia sentir o calor dos raios solares em sua pele. Insatisfeito, ele decidiu perguntar sobre o Sol a outra pessoa.

    Mais tarde, ele encontrou um velho conhecido que trabalhava vendendo velas. Questionado sobre o Sol, sua resposta foi breve: “O Sol é brilhante e irradia luz, como as velas que vendo”. No entanto, o cego não conhecia a luz, portanto, essa resposta também não o satisfez.

    No dia seguinte, enquanto fazia suas compras, ele decidiu perguntar ao vendedor do mercado sobre o Sol. “O Sol é como este ovo que você acabou de comprar”, respondeu o vendedor. Mas o cego sabia que o ovo era frágil e que se quebraria ao ser apertado, ou ainda que apodreceria em breve, caso não fosse consumido; o Sol, ao contrário, já existia há muito tempo, e era improvável que se quebraria ou apodreceria tão logo. Assim, esse exemplo também não o deixou feliz.

    Chegando em casa, pensativo, o cego finalmente perguntou a seu vizinho, professor, como era o Sol. “O Sol é uma gigantesca massa esférica composta de plasma e gases”, disse o professor, “e também a principal força gravitacional de nosso sistema solar”. Esta explicação, no entanto, era complexa demais para ele, e mais uma vez, deixou-o insatisfeito.

    Passados alguns dias, obstinado em tentar achar uma resposta, o homem cego recebeu uma notícia através de um primo. “Um monge muito sábio está passando pela cidade”, disse ele. “Por que você não o visita para perguntar sobre o Sol?”. Ansioso, o cego decidiu visitar o templo onde o monge estava hospedado naquele mesmo dia. Afinal, um monge tão sábio saberia explicar o Sol para um homem cego.

    Lá chegando, explicou sua história para os guardiões do templo, e pediu uma audiência com o sábio monge para que pudesse pergunta sobre o Sol. Quando finalmente foi atendido, e posto na presença do sábio monge, fez uma simples pergunta: “Como é o sol?”.

    “O Sol flutua no céu, e aquece minha pele durante o dia”, disse o monge. “Ele também traz luz àqueles à minha volta, ajuda as plantas a crescerem, e as roupas a secarem no varal”, concluiu.

    Surpreso, o cego finalmente exclamou, depois de alguns segundos de silêncio, “mas isso eu já sabia! É exatamente o que o Sol é para mim!”, disse o cego.

    “Então é isso que o Sol é”, declarou o monge, sorrindo. “Temos a tendência de ver, sentir, ou entender as coisas que fazem parte de nossa vida através do funil de nossas experiências. Assim como o cozinheiro vê uma panela quando olha para o Sol, ou o vendedor de velas vê a chama que traz luz, o cego sente o calor em sua pele. Ao invés de tentar enxergar o Sol através dos olhos de outras pessoas, procure aceitá-lo como ele é – como é para você, porque é isso que importa. Meras descrições não vão fazê-lo entender o que outras pessoas sentem, assim como ninguém terá a mesma percepção que você tem do Sol.”

    Satisfeito com a explicação, o cego foi para casa e nunca mais precisou se perguntar como era o Sol.

    Um comentário no artigo “O cego e o sol”:

    1. Zeh divagou em 27/December/2009 às 9:46:

      Outra história com argumento inspirado num conto chinês mas com desenvolvimento um pouco diferente.

    Escreva um comentário