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  • Falar é fácil, difícil é dizer

    Escrito em 25/April/2009, 18:16 em pirações, trampo

    Acabei de voltar do 14º EDTED, onde dei uma palestra prum público de umas 400 pessoas (chute aproximação heurística), basicamente sobre meu trampo de Flash e porque eu acho que sites em Flash não são a cria do demônio. Era mais ou menos a mesma apresentação que fiz no EWD do Rio de Janeiro mês passado, embora melhorada – com algumas imagens adicionais, e utilizando os sites ao vivo ao invés de só mostrar screenshots.

    Não que eu costume palestrar demais (geralmente evito), mas sempre que estou pra fazer apresentações pra um público superior a 10 pessoas, quem não me conhece faz as perguntas óbvias, tipo, “tá tudo certo? cê tá nervoso?”.

    Eu tenho várias fobias/bloqueios/vergonhas na vida, algumas razoavelmente bizarras. Felizmente, falar em público não é uma delas. Ao contrário, eu acho muito louco.

    Edted 14

    Slide mostrando o website "Absolut Ruby Red", por Gringo Interactive
    (foto por Henrique Locatelli)

    O que não quer dizer que eu faça a coisa muito bem. Eu falo rápido demais – não porque eu esteja nervoso, mas porque realmente falo rápido demais – e às vezes esqueço de me controlar pro pessoal poder acompanhar e pra eu não me enrolar muito. Eu também tenho problemas pra olhar nos olhos dos espectadores – não gosto de ficar secando ninguém – então geralmente fico olhando pro chão ou pro além. Mas, no geral, pelo fato de não ficar nervoso e conseguir falar o que planejei antes, acho que conduzo apresentações de forma razoável.

    No entanto, o legal de ir em eventos como o de hoje é que dá pra medir legal como está sua habilidade em criar uma apresentação decente e mostrá-la pro público. Você vê como os outros palestrantes de comportaram com um conteúdo voltado pra uma mesma audiência, então tem alguns parâmetros de comparação que podem ser usados.

    O foda é que sempre que faço isso fico meio com vergonha da minha palestra, achando ela a coisa mais banal e óbvia do mundo, e me sentindo meio lixo. Isso porque neguinho vem e faz um questionamento super pertinente e aí eu penso “caralho, cadê o questionamento na minha palestra, tá conformista demais”. Aí fulano vem e faz uma apresentação impecável e eu penso “cacete, titubeei na hora de falar tal frase, já esse cara não titubeia nunca”. Dá pra ver o que te falta ainda pra melhorar.

    O evento de hoje não foi diferente.

    Duas das palestras – a do Gil Gardelli e a do Roberto Cassano – eu já sabia o que esperar, afinal, já havia assistido às duas no evento do Rio de Janeiro. No entanto, ambas – a primeira, uma metralhada de questionamentos que eu continuo achando muito pertinentes, e a segunda, um resumo de uma experiência singular com mídias sociais online – são duas das que me fizeram sentir um pouco diminuído. Não que eu não tenha fé e não goste de meu trabalho, muito pelo contrário; mas ambas são apresentações que levavam a crer que talvez minha mensagem não se encaixasse tanto ali no meio.

    Mas hoje, em especial, o que me fez sentir que tem algo mais além foi assistir à palestra do Luli Radfahrer. De conteúdo, sua palestra foi um misto de experiência, questionamento e divagações; difícil definir, já que foram pulos entre tópicos diferentes de forma muito rápida. Onde a palestra realmente funcionou, no entanto, foi no formato – vídeo/slideshow sincronizado com uma fala meticulosamente trabalhada – e na retórica aguçada do palestrante.

    Só pra constar, não acho que sou nenhum ignorante em relação a palestras e apresentações. Já assisti vídeos de muitas apresentações do TED, Pecha Kucha e afins. E não é que a palestra tenha sido uma coisa de outro mundo, com fogos de artifício e coisa e tal. Foi, sim, uma apresentação muito bem feita, sem desvios de atenção. Mas acho que o que fez a diferença pra mim – comparando com vídeos que já vi do TED – foi assistir a palestra ao vivo. Tem quase uma energia que rola que faz com que você perceba que a apresentação não está sendo só uma palestrinha normal. Não devido a algum segredo técnico empregado na sua realização, mas por um resultado final impecável.

    Deu pra perceber que tenho que comer muito PowerPoint Impress ainda.

    15 comentários no artigo “Falar é fácil, difícil é dizer”:

    1. Fernando sussurrou em 25/April/2009 às 18:31:

      palestrar é uma arte divina, jesus foi o maior palestrante de toda a historia humana. Não tive oportunidade de assistir essa, mais já assisti outras, e sempre gosto, por serem o total inverso de minha pessoa, as suas são simples e objetivas! hehehe

    2. Thd replicou em 25/April/2009 às 19:03:

      Melhor coisa que me ensinaram em relação a falar em público (já que eu também não costumo olhar na cara das pessoas): olhar pra parede (ou espaço) atrás delas. Você não olha pra ninguém e quem está assistindo tem a sensação de estar assistindo a alguém que está falando pra 50000 pessoas. Funciona melhor alternando as paredes do lado e do meio.

      De quebra você ainda aparece olhando um pouco pra cima nas fotos, firme e confiante.

    3. Thiago Toledo gritou em 25/April/2009 às 19:20:

      Salve Zeh,

      Esse sentimento que você muito bem descreve acima, é natural e necessário para qualquer a evolução de qualquer coisa em nossa vida.
      Imaginas tu se apareces aquela guria, que te faz o cara no lado dela.
      A primeira coisa que possivelmente viria a sua cabeça, após os milhões de pensamentos do tipo, “eu sou um cara de sorte”, seria: O que eu tenho que fazer para continuar ao lado dela?
      Faz parte esse jogo de superação, que inclusive proporciona para quem se destina a ganhar, experiências nunca antes vividas e estremamente bacanas.
      Sabes aquele frio que passa quando você vai subir para a produção aquele puta site, que demorastes um tempão programando? E aquela idéia louca que passa quando você imagina: Caramba nunca imaginei que eu poderia fazer parte disso!
      Por essa e outras que penso sempre quando posso: Tem coisas que só a vida pode fazer por você. O lance é viver intensamente e fazer aquilo que realmente lhe faça feliz!
      E certamente serás forte candidato a passar essas e outras boas experiências.

      Grande abraço e parabéns
      Thiago Toledo

    4. RafaeldeSouza escreveu em 25/April/2009 às 21:32:

      Zeh, estive hoje na sua palestra na EDTED e gostei muito, sou novo neste mundo do webdesign, vendo seus cases acredito q vc é o maior desenvolvedor flash que conheço, vc realmente fala rápido mas com muito conteúdo. A algum tempo atraz fiz um curso caro numa boa escola de flash mas estava quase desistindo de desenvolver nessa plataforma, hoje vc me deu mais um empurrão…já estou com umas idéias aqui…

    5. Marcio Toledo argumentou em 25/April/2009 às 23:20:

      Queria estar presente, porém fica pra próxima.. já vou estar morando em sampa denovo! =)

      []s

    6. Zeh Fernando » Blog Archive » The obligatory post-EDTED post linkou em 26/April/2009 às 7:55:

      [...] can finally be found here (in Brazilian Portuguese) and I wrote some honest, personal impressions here (also in Brazilian [...]

    7. Zeh decretou em 26/April/2009 às 8:08:

      Valeu Thd, gênio. Vou ver se faço isso da próxima vez.

      Valeu Thiago.

      E não reparem se o post soa meio depreciativo. Não é pra ser, mas às vezes escrevo algo e acaba saindo assim.

    8. xixa afirmou em 26/April/2009 às 10:08:

      A tua palestra foi excelente Zeh, gostei em especial da analogia dos livros. É bem simples mas realizou um upgrade no paradigma que eu tinha na minha cabeça sobre RIA (Já adotei no meu repertório de argumentos!)

      Sobre a condução da palestra, de alguma forma a seu modo de expressão rápido, nervoso, me parece muito pertinente pra quem faz um trabalho como o seu, dessa qualidade. Essa obcessão (no bom sentido), paixão pelo tema, por essa forma de arte que muda e se desenvolve nessa frequência ridicula e requer novas aptidões e conhecimentos a toda hora, pede por pessoas assim rápidas, ansiosas.

      A palestra do Luli foi impressionante em sua forma. Quando me caiu a ficha que ele não estava usando um controle eu fiquei maluco. Foda. Mas no fim das contas achei o discurso muito prolixo e me pareceu que ele forçou o argumento pra criar aquele formato palindrômico. É realmente bacana quando algo naturalmente faz essa forma, e tudo termina onde começou, e a vida é um grande ciclo, bibibi, mas né?
      Me pareceu especialmente claro quando ele se atrapalhou num slide e soltou uma internjeiçãozinha nervosa seguido de uma torrente de palavras pra recuperar o timming, e no final, quando ele fez questão de frisar que não tinha usado controle. Desnecessário. Não acho que a maioria das pessoas que levantaram para aplaudi-lo tenham uma idéia mais concreta do que você ou eu tenhamos a respeito do que ele disse. Aplaudiram o show, e não deveria ser esse o mérito.

      Você é um cara observador e auto analítico, não sei se isso é uma boa ou má dica nesse caso, mas ainda que eu tenha gostado de sua palestra, se você ainda quer desenvolver seus skills nessa área, eu recomendo Presentation Zen do Garr Reynolds, me abriu os olhos pra muitos aspectos a respeito de uma boa a uma má apresentação:

      http://www.amazon.com/Presentation-Zen-Simple-Design-Delivery/dp/0321525655/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1240765303&sr=1-1

      Abraço!

    9. Nandico comentou em 26/April/2009 às 17:05:

      Pô, Zeh.. Desencana. Tô cansado de ver palestrante profissional. Prefiro mil vezes ver um profissional de verdade tentando palestrar, assim como você fez. Gosto de conteúdo de gente com experiência REAL e CONTEMPORÂNEA de mercado, e não orador que fez “opt-out” de mercado dando suas opiniões formadas sobre tudo. Abraços, valeu!

    10. Ramon Fritsch afirmou em 26/April/2009 às 21:26:

      Eu não vi a palestra..

      mais só pelos slides.. ta massa. aquele livro da alice, eu achava o afude quando era criança esses livros que “saltavam pra fora” huhUh..

      muito massa. abraço

    11. Zeh comentou em 27/April/2009 às 0:35:

      Valeu, galera.

      Aliás, faltou falar aqui ou citar nos créditos do slideshow: o livro usado na apresentação é “Alice’s Adventures in Wonderland”, por Robert Sabuda. Recomendo bastante a página do cara. Ele tem um trabalho sensacional e é um bom “porta-voz” desses livros pop-up, não só divulgando outros trabalhos mas também ensinando como se faz no site dele.

    12. Fernando Gois Rossetto acrescentou em 27/April/2009 às 5:07:

      Realmente o zeh fala bem rápido mesmo. Me lembro nas aprensetações da faculdade! De fato, eu acho que o zeh manda bem nas aprensentações…
      Não tive a oportunidade de ver esta palestra, mais imagino que o zeh tenha passado muita coisa boa nela.

    13. Neto alertou em 27/April/2009 às 12:05:

      Zeh, blz? Eu ví sua palestra, mas você disse que no final ia disponibilizar a palestra para baixa-la, você pode passar o link ??? grande abraço.

    14. Zeh afirmou em 27/April/2009 às 12:22:

      Oi Neto,

      Pô, que vacilo, achei que era só baixar do slideshare, mas testei agora e parece que ele só deixa baixar se você estiver registrado. Erro meu.

      Bom, se você não tiver conta/não quiser se registrar, tem link direto pra dl aqui (PDF de 12mb):
      http://zehfernando.com/d/20090425_ewd.pdf

    15. Henrique Locatelli questionou em 27/April/2009 às 16:17:

      Fala Zeh,
      Vi a apresentação e te cumprimentei, mas vale deixar registrado aqui que foi realmente muito boa. Você reconhece que falou rápido, mas de um modo que fez todo o sentido. As mensagens da palestra ficaram bem claras.

      Não há como comparar com as outras palestras porque a pegada de cada apresentação foi diferente. O conteúdo que você passou foi super relevante.

      No mais, sabemos que apresentação é tudo! Então vale ter como objetivo se desenvolver nesse quesito cada vez mais.

      Falou!

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