A grama do vizinho é mais modular

by Zeh on May 12, 2009

Não sei quando foi, mas a School of Visual Arts de Nova York atualizou sua lista de catálogos online, colocando no ar o catálogo 2009-2010 dos cursos de pós-graduação (em versão PDF).

Uma daquelas coisas que planejo-mais-ou-menos há muitos anos é fazer o curso de Master of Fine Arts em Computer Art deles (equivalente a mestrado aqui), por isso eu checo às vezes pra pegar a versão mais nova do catálogo e saber a quantas anda o lugar e o curso.

School of Visual Arts - Gallery

Também tem vários trabalhos bacaninhas mostrados no site do curso.

Uma coisa legal de universidades Norte-americanas, a julgar por conversas que já tive com amigos nativos, é que você faz o currículo de seu curso do jeito que quiser, já que você pode escolher as matérias que quer assistir. O catálogo da SVA confirma isso, já que lá são listadas as matérias que você pode escolher – e são até mesmo fornecidos modelos de combinações para perfis específicos de formação. As únicas exigências quanto à montagem do currículo são a inclusão de algumas poucas matérias obrigatórias, e um número mínimo de créditos que devem ser cursados.

Pelo que entendo, essa solução é uma coisa que não pode ser feita aqui porque o MEC não permite. Não sou educador ou pedagogo, estão é uma visão meio leiga do assunto, mas do jeito que as coisas tão caminhando, acho difícil que essa estrutura de cursos engessados consiga durar muito tempo. O curso de Interfaces Digitais que fiz no Senac sofre um pouco disso – os perfis dos estudantes do curso são muito diferentes – e tentar fazer um curso para todos sempre gerava frustrações, como quando você tentava forçar alguma mente criativa a aprender programação de forma rápida, ou alguma mente analítica a desenhar.

O problema nem é ter uma aula de programação, mas colocar todos os alunos dentro do mesmo saco. Não é surpresa que o tal curso em Computer Arts citado acima tenha uma matéria chamada Programming for Artists, e que outras matérias sejam divididas em diversos módulos introdutórios e avançados.

No caso do Senac, acho que as malfadadas atividades complementares foram uma tentativa de ir por um caminho nesse sentido de permitir uma customização, mas não deu muito certo. Pelo menos foi um passo; quem sabe no futuro.

  • Fala Zeh!

    Aqui em Curitiba existe uma instituição que permite essa modularização para que o aluno possa custumizar a grade que ele deseja. E até que é uma instituição séria e tudo mais, portanto, acho que é possível sim esse tipo de solução. Pelo menos na área que a instituição atua, que é de business (marketing etc).

    Sobre essa estrutura engessada, eu concordo plenamente, pois, no meu caso – design gráfico / PUCPR, o povo acaba saindo meio que genérico demais, sem saber o que querer da vida.

  • Betânia

    Olá.
    Vim parar aqui nem sei como… mas fui ficando e fiquei.
    Muito bom!
    Parabéns!

  • Zeh

    @Thiago: brigado pela informação. É novidade pra mim. Na verdade, acho que certa liberdade pelo MEC até existe (foram o que as atividades complementares do Senac tentaram ser, e sei que a Anhembi Morumbi tem algo parecido sendo colocado em prática), mas pessoalmente não vi aplicado com sucesso ainda. De repente esse seu exemplo é diferente e mostra como vai ser o futuro da coisa.

    @Betânia: valeu!