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	<title>pessoal.zehfernando.com &#187; trampo</title>
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		<title>Então, você quer trabalhar numa agência de fora&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 23:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[choque]]></category>
		<category><![CDATA[nova york]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao contrário do que muita gente pensa, ir trabalhar numa agência de fora do país não é nenhum bicho de sete cabeças.
Talvez eu tenha dado um pouco de sorte, porque quando vim pra cá, já tinha uma boa experiência depois de trabalhar com o mesmo pessoal durante dois anos, e já tinha vários outros amigos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao contrário do que muita gente pensa, ir trabalhar numa agência de fora do país não é nenhum bicho de sete cabeças.</p>
<p>Talvez eu tenha dado um pouco de sorte, porque quando vim pra cá, já tinha uma boa experiência depois de trabalhar com o mesmo pessoal durante dois anos, e já tinha vários outros amigos que tinham me dado uma boa noção do que esperar, então não acho que fui pego de surpresa em relação às coisas mais importantes. Mas, considerando que muita gente me pergunta sempre sobre o mesmo assunto, aqui vai um apanhado de coisas que aprendi de um jeito ou de outro sobre a experiência específica de se transplantar pra uma agência ou um estúdio interativo fora das terras de Cabral, em especial nos Estados Unidos; imagino que possa ser útil pra quem esteja contemplando esse passo no futuro.</p>
<p><strong>Contratar gente de fora é coisa normal</strong>. Boa parte das agências faz isso sem se preocupar. Isso se deve a uma combinação de vários fatores, mas gosto de acreditar que um dos principais seja o fato de que um ambiente mais rico em experiências tende a refletir positivamente no trabalho que é criado. Acho que na <a href="http://firstbornmultimedia.com/">Firstborn</a>, onde trabalho, metade dos funcionários é estrangeiro.</p>
<p>Da mesma forma, embora estejam sempre à espreita atrás dos <em>melhores do mercado</em> &#8211; coisa que só o mercado local não dá conta, daí a necessidade de se contratar gente de fora &#8211; é comum que agências contratem também funcionários mais juniores, ou <em>interns</em> &#8211; algo como um estágio &#8211; por um período menor de tempo. A Firstborn constantemente contrata caras de várias partes do mundo pra trabalhar aqui por 3 meses, muitas vezes estudantes universitários. Ou seja, as agências contratam gente de todo nível.</p>
<p><strong>Agências são extremamente pragmáticas na hora de contratar</strong>. Isso quer dizer que elas levam em consideração tudo que é importante &#8211; em especial o <em>portfólio</em> de alguém &#8211; e nada mais. Aquela coisa do &#8220;quem indicou&#8221; é muito menor por aqui &#8211; a impressão é que eles querem evitar que alguém seja contratado só por ser conhecido de alguém (embora <em>recomendações</em> sejam bem aceitas, e às vezes até requisitadas). A título de ilustração, é normal a agência onde eu trabalho ter contactado ou entrevistado gente que eu conheço sem que eles tivessem me questionado sobre a pessoa, só o fazendo no final do processo; talvez eles temessem que eu levasse pro lado pessoal mais do que o profissional.</p>
<p>Ou seja, ter um <em>camarada</em> dentro de um lugar não quer dizer muita coisa, ou pelo menos, nem tanto quanto quer dizer no Brasil. Não existem muitos atalhos (e note que não estou dizendo que isso seja bom ou ruim).</p>
<p>O melhor método pra conseguir uma emprego é sempre ir no site das agências que estejam com vagas e mandar seus dados. Não tem magia nenhuma envolvida.</p>
<p><strong>O motivo de contratar estrangeiros não é mão-de-obra-barata</strong>. Embora isso talvez seja verdade em outros setores da indústria, a verdade é que contratar estrangeiros é mais chato e mais caro (em alguns casos, <em>muito mais</em> caro e <em>muito</em> mais chato) do que contratar algum nativo. É algo que é feito com base nos méritos profissionais de cada indivíduo, não na sua capacidade de aceitar salários mais baixos.</p>
<p><strong>Salários são sempre declarados pelo valor anual</strong>. O salário nunca é descrito pelo seu valor mensal, como no Brasil. Então, quando você estiver pra aceitar uma oferta, lembre-se de que pra sacar direito o quanto isso representa, é necessário dividir por 12; se você vir alguma oferta de emprego que oferece, digamos, $50k (50,000), isso significa um salário mensal de $4166.</p>
<p><strong>Os salários são sempre declarados em sua forma bruta, sem imposto</strong>. Da mesma forma, salários sempre são oferecidos e declarados em vagas sem o imposto ter sido contabilizado &#8211; e o imposto corta, <em>em média</em>, 30% do salário. No caso acima, dos $4166 mensais, uma boa parcela seria removida, chegando ao total de $2916 mensais que seriam então recebidos pelo empregado.</p>
<p>Ou seja, quando alguém lhe fizer uma oferta de emprego, calcule bem antes para não ter nenhuma surpresa. Isso não é feito imediatamente claro pelas empresas quando elas contratam algum estrangeiro, porque é algo muito óbvio para elas, mas fazemos a coisa de modo diferente no Brasil, diferenciando entre <em>bruto</em> e <em>líquido</em> com mais frequência (e na verdade, nosso imposto real é muito mais alto).</p>
<p><strong>Não tem décimo-terceiro, um mês de férias remuneradas, nem nada disso</strong>. Os <em>benefícios</em> variam de empresa pra empresa (em especial em relação a como as férias funcionam), e muitas até oferecem bônus durante o ano ou em seu final, mas no geral, vale lembrar que as regras trabalhistas fora do país não são as mesmas de dentro do Brasil.</p>
<p><strong>O custo de vida aqui é muito mais alto</strong>, talvez em especial em Nova York. É comum alguém ver uma oferta de emprego e ficar excitado pelo valor oferecido &#8211; em dólares! &#8211; porque faz uma comparação com o mesmo valor no Brasil. A verdade é que algumas coisas são bem mais caras por aqui, em especial o aluguel: em Nova York, a média é gastar um terço do seu salário líquido com o aluguel. Ou seja, nunca julgue seu futuro salário sob o prisma do Brasil &#8211; você pode acabar recebendo uma merreca que mal dá para pagar as contas, enquanto achava que estaria fazendo rios de dinheiro.</p>
<p>Embora exista uma certa inversão desse fator &#8211; qualquer tipo de dispositivo eletrônico é, obviamente, muito mais barato aqui do que no Brasil &#8211; ele não é suficiente pra compensar a diferença a longo prazo.</p>
<p><strong>Existem diferentes tipos de visto de trabalho</strong>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_visas#Classes_of_Visas">cada um</a> com suas próprias vantagens e desvantagens em relação a tempo de duração, preços, tipo de trabalho, dificuldade em se obter, etc. Quando uma empresa vai contratar alguém, o visto faz certa diferença já que alguns vencem depois de um tempo e alguns dão um trabalhão para serem tirados. Só pra referência, pro meu visto, tive de passar uns 6 meses escrevendo textos (em paralelo com meu trabalho normal) numa rotina longa e chata que me deixou numa pilha de nervos eterna. O processo de aprovação mesmo levou 2 semanas, mas toda a preparação pode levar muito mais.</p>
<p>Além disso, nenhum é muito automático &#8211; é comum as pessoas acharem que só porque uma empresa quer contratar alguém, o visto é &#8220;mais fácil&#8221;. Não é bem por aí &#8211; na verdade, o fato de uma empresa requerer seu visto é, salvo raras exceções, o <em>mínimo</em> requerimento necessário pra começar o processo.</p>
<p>Da mesma forma, <strong>visto de trabalho é visto de trabalho</strong>. Não é cidadania, não é <em>greencard</em>, não é nada disso &#8211; é só um sinal de que o governo Norte-Americano deu a um estrangeiro a permissão de trabalhar pra uma empresa durante um certo tempo. Assim, seu visto de trabalho está vinculado à empresa que te contratou: se você se demitir, tem de sair do país, e se você quiser mudar de emprego, a nova empresa precisa requerer um novo visto (ou transferir o anterior, dependendo do tipo). Além disso, embora portadores de visto de trabalho estejam tão <em>dentro da lei</em> quanto possível, e tenham <em>Social Security Number</em> (uma espécie de CPF nos Estados Unidos), eles não são <em>cidadãos</em> ou imigrantes Norte-Americanos: não podem votar, por exemplo, e são obrigados a seguir algumas restrições adicionais de permanência e trânsito internacional.</p>
<p>Ou seja, embora alguns vistos de trabalho possam ser renovados indefinidamente, a permanência do portador do visto dentro do país é vista, antes de tudo, como <em>temporária</em>. Obviamente, outros países podem tratar a coisa de forma diferente, mas minha experiência é limitada aos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Ninguém vai ficar dando assistenciazinha quando você chega de fora</strong>. Lógico, a empresa geralmente tá preparada pra ajudar com indicações de corretores, hotéis e coisas assim quando alguém chega de fora da cidade ou do país, e é comum ter um pequeno bônus pra ajudar no custo da mudança. Mas ninguém vai ficar alugando casa ou comprando móveis pra recém-contratados &#8211; isso é uma coisa mais pessoal e espera-se que as próprias pessoas façam isso. Pra quem vem de fora, é uma boa planejar com antecedência como a coisa acontecerá, ao invés de ficar esperando alguém levar pela mão e ser surpreendido ao invés.</p>
<p>E finalmente, <strong>vale mais a pena pela experiência do que por qualquer outra coisa</strong>. Pra quem quiser fazer dinheiro fácil, é mais prático e lucrativo trabalhar remotamente &#8211; ou seja, do Brasil para alguma agência nos Estados Unidos ou em outro lugar. Mas, para quem quer aprender, e ter uma boa dose de uma experiência meio diferente, é uma experiência fantástica e bastante recompensadora.</p>
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		<title>Engolindo as próprias palavras, uma tecnologia por vez</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 18:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais ou menos em 2004, trabalhando na Grafikonstruct, o Teco me falou de um cara que trabalhava com uma tecnologia web para edição de textos &#8211; algo descrito como um Word rodando dentro do browser, pra ser vendido pra empresas que precisavam de edição de texto rico online.
Na época, achei hilário &#8211; pra não dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais ou menos em 2004, trabalhando na <a href="http://www.grafikonstruct.com.br">Grafikonstruct</a>, o <a href="http://video.aol.in/video-detail/entrevista-rodrigo-teco/4182243437">Teco</a> me falou de um cara que trabalhava com uma tecnologia web para edição de textos &#8211; algo descrito como <em>um Word rodando dentro do browser</em>, pra ser vendido pra empresas que precisavam de edição de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Formatted_text"><em>texto rico</em></a> online.</p>
<p>Na época, achei hilário &#8211; pra não dizer completamente idiota.</p>
<p>Eu acreditava que esse tipo de coisa nunca funcionaria. Tecnicamente, até era possível: já existia tecnologia semelhante pra compartilhamento de texto e edição online &#8211; <em>Wikis</em> &#8211; e em todo caso, editores de texto rico também eram comuns. Mas, basicamente, não via razão real pra tal coisa além de em wikis eventuais. Quem em sã consciência iria trocar a facilidade de se rodar um aplicativo estável por algo rodado num servidor, com uma série de dependências de conexão, pra editar um texto?</p>
<p>Fast forward para os dias atuais. Hoje, quando chego no escritório, rodo o Google Chrome e ele automaticamente já abre uma dezena de abas de documentos que utilizo, todos eles mantidos no <a href="http://docs.google.com/">Google Docs</a> &#8211; a maioria textos, mas algumas planilhas também. Não só <em>online</em>, editados num browser, mas compartilhados com inúmeras pessoas envolvidas em cada projeto &#8211; internamente e em outros lugares ao redor do país &#8211; e editados simultaneamente sem precisar ficar mandando arquivos anexados em email, e sem conflitos de edição no mesmo documento. De forma similar, meu trabalho de conclusão de curso quando me formei ano passado foi completamente editado no Google Docs, já que o fazia de uma série de computadores diferentes e era mais prático ter o documento sempre acessível a partir dum website do que ficar carregando versões de um arquivo sempre comigo.</p>
<p>Desnecessário dizer que mudei de idéia em relação à edição de documentos online.</p>
<p>O óbvio hoje pra mim é que não dá pra prever direito o quão eficiente um novo recurso vai ser só pelo lado técnico, ou só pelos contexto que temos imediatamente disponível. Às vezes, as soluções não chegam pra tentar ser uma duplicata do que já existe, mas sim pra apresentar novas possibilidades &#8211; coisas que nem eram imaginadas como possíveis ou práticas até então.</p>
<p>Devido a esta e outras previsões furadas de forma semelhante, uma coisa que venho tentando praticar nos últimos anos é deixar de fazer previsões. Manter a mente aberta, ou mais especificamente, evitar <em>pré-julgar</em> qualquer tecnologia ou serviço digital estritamente pela parte técnica. Fico com medo de virar um neo-<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luddismo">ludita</a> revoltado &#8211; alguém que odeia tudo que surge de novo só porque é novo.</p>
<p>E pessoas que trabalham com tecnologia, por mais irônico que pareça, são mais suscetíveis a isso, uma vez que elas quase sempre têm a certeza de que <em>sabem de tudo</em>.</p>
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		<title>Aprendendo ActionScript 3</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 17:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[pirações]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta semana, publico aqui o conteúdo de minha coluna de cartas do leitor, originalmente publicada nas páginas do Compêndio Anual Regulatório de Análise Linguística e Habilidades Outras. Reproduzido com permissão da editora.
Caro Sr. Zeh Fernando,
Eu quero criar websites Flash em ActionScript 3, mas não sei o que eles comem. Pode me ajudar?
Um abraço,
Leitor Assíduo
Caro Leitor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana, publico aqui o conteúdo de minha coluna de <em>cartas do leitor</em>, originalmente publicada nas páginas do <em>Compêndio Anual Regulatório de Análise Linguística e Habilidades Outras</em>. Reproduzido com permissão da editora.</p>
<blockquote><p>Caro Sr. Zeh Fernando,</p>
<p>Eu quero criar websites Flash em ActionScript 3, mas não sei o que eles comem. Pode me ajudar?</p>
<p>Um abraço,<br />
Leitor Assíduo</p></blockquote>
<p>Caro Leitor Assíduo,</p>
<p>Muito pertinente sua dúvida. Essa é uma questão que sempre vem à tona nos círculos intelectuais dos criadores Flash, seja em palestras, mesas de discussão, mesas de bar, ou sarjetas pós-mesa de bar. A criação de sites Flash é algo difícil, e considerando-se a velocidade das mutações à qual o organismo desta plataforma tem passado nos últimos anos, as técnicas para criação e manutenção de websites em Flash estão também em constante mudança.</p>
<p>Para tentar elucidar as questões mais pertinentes e retratar o patamar atual desta parcela tão curiosa de nossa ecologia de interfaces, listo aqui algumas conclusões à qual cheguei após a observação da espécie, não só em cativeiro mas também em seu habitat natural. No entanto, seria difícil para mim discorrer aqui sobre todas as técnicas para criação de websites em ActionScript 3, considerando-se a complexidade do tema, então o que farei é listar algumas das soluções normalmente utilizadas para o aprendizado das tais técnicas. Um meta-ensino, por assim dizer.</p>
<p>Uma das primeiras alternativas para o aprendizado de ActionScript 3 que geralmente vem à mente de criadores amadores é o de utilizar <em>cursos</em> de Flash ou de ActionScript 3.</p>
<p>Talvez eu não seja a melhor pessoa indicada para falar disso &#8211; visto que nunca fiz nenhum curso de ActionScript, Flash ou de nenhuma outra linguagem de programação (com a exceção de algumas aulas de <em>BASIC</em> que tive na escola, quando ainda era um mero pimpolho de 10 anos, um <em>programacultor</em> em formação) &#8211; mas minha sincera opinião é de que cursos desse estilo não funcionam muito bem. Como a maioria das variantes das linguagens de programação orientadas a objeto, ActionScript 3 é um assunto de difícil assimilação e definitamente não é algo que se aprende em 6 meses, ou mesmo em um ano, a menos que o aspirante a programacultor ActionScript já tenha uma boa experiência com outras culturas de linguagem de programação.</p>
<p>Da mesma forma, cursos voltados a plataformas parecidas geralmente tentam atrair e manter o aluno através de <em>resultados rápidos</em>,  o que nem sempre isto é a melhor opção. Existem diferentes formas de criar websites com ActionScript 3, e os melhores métodos a longo prazo são, geralmente, os que levam mais tempo para assimilação. Infelizmente, a grande maioria dos alunos quer ver seus botões em ActionScript 3 desabrochando e saltitantes com o mínimo tempo e esforço, sem se preocupar em aprender as melhores técnicas para seu semeio, ou sem explicar <em>o porquê</em> deles serem criados de uma forma e não de outra. Isso faz com que a longevidade de sua produção sofra, algo que só se percebe tarde demais.</p>
<p>Um último e controverso ponto é de que <em>a maioria</em> dos instrutores encontrados em escolas de programacultura não são exatamente os melhores criadores de websites em ActionScript 3. Infelizmente, instrutores são só isso, <em>instrutores</em>, geralmente pagos para ensinar o semeio de diferentes culturas ao mesmo tempo, sem nunca se focar no cultivo de uma plataforma específica. Isso quer dizer que eles são treinados para passar o conteúdo de uma apostila previamente planejada com louvor, mas possuem limites em seu conhecimento &#8211; resultando num discurso bem linear e unilateral. Questões oriundas de uma mente em aprendizado inquisitiva poderão ficar sem resposta. Pior, seu conhecimento é frequentemente datado, especialmente quando pensamos numa cultura em mutação constante como a de ActionScript.</p>
<p>Minha conclusão nesse sentido é de que, para quem gosta de um aprendizado coletivo, em grupos, um curso pode ser uma boa porta de entrada ao mundo da programacultura para Flash. No entanto, provavelmente não é o caminho ideal para se seguir. Não recomendo gastar muito dinheiro nisso.</p>
<p>Outra alternativa é através de <em>publicações</em>. Nessa área, felizmente, a programacultura ActionScript 3 está muito bem servida, já que existe uma boa quantidade de de material didático existente.</p>
<p>E perceba que quando falo de material didático, quero dizer livros, não <em>apostilas</em>. Apostilas é coisa de quem quer fazer cursinho e não tem paciência pra estudar, quem quer plantar e não quer esperar a planta crescer, quem quer adubar e sentir cheiro de flores, quem quer aprender kung-fu sem levantar a bunda da cadeira. Apostilas são um mito.</p>
<p>A principal recomendação literária de minha parte é ler, de cabo a rabo, o último livro do Colin Moock &#8211; atualmente, <a href="http://www.moock.org/eas3/">Essential Actionscript 3.0</a>. Este livro contém todo tipo de informação que os criadores de sites em Flash precisam saber para um cultivo proveitoso, não só para programacultores experientes como também para iniciantes (embora seja uma leitura mais demorada). É realmente leitura obrigatória, inclusive a cada nova versão escrita.</p>
<p>Uma boa leitura complementar é o <a href="http://oreilly.com/catalog/9780596526955/">ActionScript 3.0 Cookbook</a>, que ensina diversas técnicas bastante práticas para o semeio de ActionScript &#8211; não só técnicas que podem ser usados no dia-a-dia em sua criação, mas que lhe ensinarão a ser um melhor programacultor.</p>
<p>Existem algumas leituras complementares avançadas, mas talvez fuja um pouco do escopo deste artigo, já que programacultores experientes provavelmente não precisarão de minhas dicas para irem atrás do que precisam. No entanto, em prol da ilustração, cito em especial o <a href="http://oreilly.com/catalog/9780596528461/">ActionScript 3.0 Design Patterns</a>, que ensina aos criadores a melhor maneira de dispor sua horta de forma a conseguir o melhor aproveitamento possível do solo e por consequência o melhor semeio a curto e longo prazos.</p>
<p>E, finalmente, gostaria de encerrar esta coluna com uma constatação do óbvio: nada substitui a prática. A criação com sucesso de sites em Flash é algo que requer tempo, paciência, e um pouquinho de amor. Portanto, não existem atalhos. A minha recomendação final é simplesmente tentar, errar, e fazer algo de diversas formas diferentes, até acertar. Por mais incrível que possa soar, criação orientada a objetos não é uma ciência exata, e requer um certo tempo até todos acertarmos a mão. Comece aos poucos, mantenha o foco, que a coisa vem naturalmente.</p>
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		<title>Ode ao soldado de bolso</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 02:49:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[choque]]></category>
		<category><![CDATA[nova york]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez eu não tenha deixado muito claro, mas toda a minha adaptação à nova cidade após a mudança teve a ajuda de um elemento importantíssimo. Peça-chave de qualquer tarefa que tenho de realizar em solo imperial, ele está sempre lá, me ajudando sem reclamar.
Falo do meu telefone celular.

O telefone que comprei aqui é o HTC [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez eu não tenha deixado muito claro, mas toda a minha adaptação à nova cidade após a mudança teve a ajuda de um elemento importantíssimo. Peça-chave de qualquer tarefa que tenho de realizar em solo imperial, ele está sempre lá, me ajudando sem reclamar.</p>
<p>Falo do meu telefone celular.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-452" title="T-Mobile G1" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/07/g1.jpg" alt="T-Mobile G1" width="440" height="330" /></p>
<p>O telefone que comprei aqui é o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/HTC_Dream">HTC Dream</a>, vendido em solo local como <a href="http://www.t-mobileg1.com/">T-Mobile G1</a>. Apesar de ter falado um pouco desse fone antes, acho que ele merece um post próprio.</p>
<p>Esse era um fone no qual eu já estava interessado há um tempo por dois motivos. O primeiro é por saber do que o celular é capaz, já que existe <a href="http://www.android.com/market/">uma caralhada de aplicativos disponíveis pra ele</a> (e vale lembrar, aplicativos que não têm de lidar com censura prévia, ao contrário do que a Apple faz com o iPhone). O segundo é a <em>abertura</em> do sistema operacional (<a href="http://www.android.com/">Android</a>), que permite que você desenvolva aplicativos e extenda funcionalidade do sistema operacional sem muita dor-de-cabeça (de novo, especialmente em comparação a sistemas mais restritos, como o do iPhone). Eu já tinha brincado com <a href="http://developer.android.com/index.html">desenvolvimento</a> pra ele através do emulador e estava com vontade de tentar algo mais real.</p>
<p>Comprar o celular foi a primeira coisa que tentei fazer logo quando pisei em Manhattan, recém-chegado do aeroporto. Não consegui (pois já passava das 7 da noite e as lojas já estavam fechadas), mas no dia seguinte, após pagar os olhos da cara (já que eu não possuía <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Credit_score">credit score</a>, fui obrigado a comprar o fone pelo preço total, sem subsídio através de contrato), era o feliz dono de um G1.</p>
<p>Fica difícil explicar o quanto ele ajudou, então seguem alguns exemplos do meu uso do celular por aqui.</p>
<p>O uso mais óbvio é pra mapas através do <a href="http://googlemobile.blogspot.com/2008/10/google-on-android-maps.html">Google Maps</a>, já que boa parte do software do G1 é criado pelo Google e o aparelho possui GPS. O vídeo abaixo é meio forçado e usa uma versão antiga do aplicativo, mas mostra bem os recursos disponíveis.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_YFw9p0TjT8&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/_YFw9p0TjT8&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Com a facilidade dos mapas, é comum eu sair andando a esmo pela cidade sem me preocupar onde estou &#8211; isso porque, quando quiser, posso me localizar facilmente. Se um dia minha bateria acabar do nada, não vou saber voltar.</p>
<p>Na mesma onda dos mapas, o G1 também possui o editor de mapas <a href="http://googlemobile.blogspot.com/2008/12/your-maps-in-your-hands-for-holidays.html">My Maps</a>, que permite que você acesse seus mapas criados no Google Maps e edite-os da forma como desejar, criando novos pontos onde quiser, ou só consultando os pontos salvos anteriormente. Ou seja, igualzinho ao editor do site (utilizando o mesmo banco de dados), só que no celular.</p>
<p><a href="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/07/my_maps.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-456" title="My Maps" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/07/my_maps.png" alt="My Maps" width="214" height="320" /></a></p>
<p>Um último nessa categoria que me saiu super útil é o <a href="http://www.ditii.com/2009/02/13/my-tracks-android-app-for-t-mobile-g1-android-powered-phones/">My Tracks</a>. Ele permite a você gravar sua localização constantemente, criando assim um percurso que pode ser então salvo de diversas formas diferentes &#8211; incluindo dentro do Google Maps.</p>
<p><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IBmjJrgUGdE&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/IBmjJrgUGdE&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
<p>Pra se ter uma idéia da praticidade da coisa toda: há cerca de duas semanas, eu comprei uma bicicleta. Passei boa parte da semana passada andando de bike pelo Brooklyn, em parte porque realmente é muito fácil de andar de bicicleta por aqui (mais sobre isso no futuro) e em parte porque queria dar uma volta pelos bairros sugeridos por amigos e colegas pra decidir onde eu procuraria apartamentos para alugar em definitivo.</p>
<p>Conforme eu andava de bike, eu gravava meu trajeto pelo My Tracks. O intuito era não só me lembrar por onde passei, mas também saber quantos km andei, por quanto tempo, velocidade médias e máximas, etc.</p>
<p>Meu trajeto todo foi salvo no Google Maps. A imagem abaixo mostra 3 dias diferentes intercalados, totalizando uns 40km de percurso.</p>
<p><a href="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/07/ride.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-455" title="Bike Rides" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/07/ride-251x300.png" alt="Bike Rides" width="251" height="300" /></a></p>
<p>Além disso, sempre que eu chegava num ponto digno de nota, criava um novo marcador no Google My Maps com anotações e com uma foto da rua tirada na hora (não mostrados na imagem acima), pra me ajudar a lembrar da localização.</p>
<p>Outra utilização muito prática do celular é localizar um ponto comercial específico &#8211; tudo através do <a href="http://googlemobile.blogspot.com/2009/06/places-directory-app-for-android.html">Places Directory</a>, um aplicativo que ajuda a localizar lojas, restaurantes, bares e afins disponíveis ao seu redor. O aplicativo conta com informações e reviews sobre cada ponto, além da distância e de mapas e compassos indicando como chegar ao lugar.</p>
<p><a href="http://googlemobile.blogspot.com/2009/06/places-directory-app-for-android.html"><img class="aligncenter size-full wp-image-457" title="Places Directory" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/07/lpd-1.png" alt="Places Directory" width="214" height="320" /></a></p>
<p>Acabo usando esse aplicativo diversas vezes por dia. Esse aplicativo já me ajudou em diferentes momentos de uma forma incrível. Pra citar alguns: em determinado momento, andando por Manhattan, me deparei com um restaurante que anunciava ser de comida Brasileira. Como era uma quarta-feira, me perguntei se valeria ir a pena tentar entrar no lugar e pedir uma feijosada. Saquei o celular, procurei o restaurante no aplicativo (facilmente encontrado, já que ele estava bem na minha frente), e li os reviews disponíveis, trazidos de outros websites. As opiniões eram tão negativas que me fizeram mudar de idéia e trocar o paio hipotético por um sanduíche do Subway mesmo.</p>
<p>Outro exemplo é mais curioso. Um dia, voltando do trabalho, andando pelo bairro onde estou morando provisoriamente, me perguntei se havia algum supermercado por perto. Novamente, saquei o celular, procurei por &#8220;supermarket&#8221;, e encontrei um&#8230; a cerca de 40 metros atrás do ponto onde eu estava. Super perto, mas eu provavelmente teria demorado muito até perceber o supermercado por acaso.</p>
<p>E tudo isso sem contar os aplicativos <em>sociais</em>, que fizeram muita gente estranhar que eu estivesse respondendo mensagens e emails na rua: <a href="http://www.meebo.com/android/">Meebo</a> pra Android que me permite ficar lendo MSN e Google Talk enquanto ando (agora, quando alguém ver meu status como &#8220;On Mobile&#8221;, já sabe do que se trata); <a href="http://twitterride.net/">TwitterRide</a> pra perder tempo no Twitter; Email embutido; etc.</p>
<p>Já muitos outros aplicativos pequenos/simples me ajuda bastante no dia-a-dia. O compasso, pra saber pra que lado eu tenho de ir quando estou num lugar desconhecido; o <a href="http://episode6.com/Products.aspx">mapa do metrô de NY</a>; jogos pra passar o tempo; etc.</p>
<p>Ou seja, o celular tem sido uma ajuda absurda na minha adaptação à cidade. Não só porque eu posso procurar qualquer informação na Internet mais rapidamente com ele, mas devido à gama de aplicativos pra facilitar a vida que ele tem. E nada disso é forçado; eu ainda <em>me permito</em> tentar um monte de coisas diferentes e sair aleatoriamente sem ficar verificando onde estou a cada 10 metros, e sem medo de experimentar algo novo. O bom é que o celular acaba poupando tempo e saliva quando preciso de alguma informação, ao invés de ser ser o condutor direto dos meus pés.</p>
<p>Eu amei até mesmo o teclado do aparelho, que eu originalmente achei que seria um porre de usar, e já não vivo sem ele. O G1 até tem teclado na tela estilo o iPhone; não uso nunca.</p>
<p>A verdade é, eu não consigo sequer imaginar como teria sido minha vida de transeunte estrangeiro em NY até agora sem o negócio. Eu cheguei na cidade com uma dúzia de papéis impressos, com mapas e informações pra poder me localizar onde quer que estivesse; mas, após ter adquirido o fone, pude me desfazer de tudo. Agora tenho tudo e mais um pouco à mão &#8211; ou instalado no celular, ou disponível online.</p>
<p>Isso porque ainda nem usei coisas como <a href="http://www.wikitude.org/">Wikitude</a> (mais voltado pra turismo) e <a href="http://www.biggu.com/apps/shopsavvy-android/">Shop Savvy</a> (mais voltado pra compras).</p>
<p>Se já me sinto numa rotina sem muitas surpresas (às vezes, sério mesmo, dá impressão de que já vivo aqui há décadas, e já devo ter ajudado uma dúzia de pessoas na rua) é porque o celular fez com que a adaptação fosse a mais fácil possível. Talvez seja uma coisa que nem percebamos no Brasil, uma vez que não temos tanta informação online sobre comércios e tal (e fora que conexão G3 nem é tão difundida assim), mas depois de utilizar o celular por um tempo, fica fácil de perceber como dispositivos móveis estão prontos a revolucionar a computação móvel &#8211; eles estão solucionando problemas que mal entendíamos, e fazendo isso de forma fenomenal, super prática, e invisível.</p>
<p>Não quer dizer que o G1 seja algo de outro mundo; não levem por esse lado. Embora eu tenha amado o aparelho, provavelmente tudo citado aqui pode ser realizado através de um iPhone, Palm Pre, Blackberry e outros. A questão não é o modelo, mas a plataforma, e o contexto onde ela se insere. Pra mim é meio foda mostrar o quanto fico deslumbrado porque afinal trabalho com tecnologia e já sabia do que a plataforma era capaz, mas acho que o contraste de rotinas proporcionado por essa minha mudança é que me permitiu que eu absorvesse esse choque tecno-cultural em sua plenitude.</p>
<p>Smartphones são foda.</p>
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		<title>Aos mestres, com carinho</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 21:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[estudos]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje foi a última aula da oficina de Flash Lite 3.0 que dei no Senac São Paulo (a quem estiver curioso, o conteúdo ensinado está aqui, e os arquivos usados e criados estão aqui).
Não sou professor, mas como andei dando alguns desses cursos livres (gratuitos, abertos pra alunos de graduação de Design de Interfaces, contando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje foi a última aula da oficina de Flash Lite 3.0 que dei no Senac São Paulo (a quem estiver curioso, o conteúdo ensinado está <a href="http://docs.google.com/Doc?id=dd5fhzg8_174dnb43fw7&amp;hl=en">aqui</a>, e os arquivos usados e criados estão <a href="http://hosted.zeh.com.br/misc/senac/post/2009a/flashlite3">aqui</a>).</p>
<p>Não sou professor, mas como andei dando alguns desses cursos livres (gratuitos, abertos pra alunos de graduação de Design de Interfaces, contando como <em>atividade complementar</em>) e como acho que vai demorar muito tempo até eu repetir a experiência, achei que seria legal falar um pouco do negócio aqui.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-321" title="Senac" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/06/senac_fl3_1.jpg" alt="Senac" width="580" height="340" /></p>
<p>Comecei a dar essas aulas em 2007, com uma oficina de Flash Lite 2.1 pra minha própria sala, não só para difundir um certo conhecimento que eu tinha, mas também pra contar como horas de <em>atividade complementar</em> tanto para mim como para minha sala (precisávamos disso de acordo com o currículo do curso). Depois da primeira, acabei dando outras oficinas de Flash e Processing também pra minha sala, e esta última, de Flash Lite 3.0, para outro semestre do mesmo curso, cada uma com carga horária total entre 16 e 20 horas.</p>
<p>Para mim, uma das vantagens de dar essas aulas foi a oportunidade de aprender a expor melhor alguma informação. Nunca fui muito bom de explicações com o propósito de <em>ensinar</em>, e nunca tinha dado nenhum tipo de aula (na verdade, sempre tive um certo preconceito contra a prática), então acho que aprendi bastante nesse sentido &#8211; não só como elaborar o discurso do aprendizado e o roteiro de uma aula, mas até como falar melhor em público.</p>
<p>No entanto, uma coisa que eu não esperava muito bem &#8211; que eu não <em>imaginava</em> que seria tão diferente &#8211; é o quanto entendi da visão da sala e da rotina de cada aula a partir do ponto de vista de quem está lá na frente falando e explicando &#8211; do ponto de vista do professor.</p>
<p>E aí, neguinho, em verdade lhe digo, ser professor é treta.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-320" title="Senac" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/06/senac_fl3_2.jpg" alt="Senac" width="580" height="369" /></p>
<p>Uma das coisas mais difíceis de dar aula é <em>preparar</em> cada aula. Como é algo <em>invisível</em> pros alunos, é algo que pode passar despercebido, por isso acho que muita gente não leva em consideração. Mas, pelo menos no meu caso, eu tinha de passar horas preparando cada uma das aulas, bolando o roteiro do que seria passado e de que forma; eu gastava mais tempo pra planejar cada aula do que pra efetivamente <em>dar</em> a aula.</p>
<p>E nem é tanto uma coisa de conhecimento &#8211; de ser obrigado a pesquisar o assunto porque não o conhecia tão bem. É porque, por mais que você saiba um assunto, você precisa ter um roteiro decorado e testado pra poder dar uma aula real. Não dá pra sair improvisando; diferente de uma aula, quando você trabalha <em>de verdade</em>, criando algo pra você mesmo usando uma tecnologia qualquer, existem mil coisinhas que podem sair erradas, com erros de sintaxe ou seja o que for, mas que qualquer desenvolvedor pode resolver rapidamente. Já numa aula, isso causa uma quebra perigosa na linha de pensamento dos alunos, já que qualquer coisa fora do normal te força a parar e se concentrar em resolver o problema ao invés de continuar despejando o conhecimento.</p>
<p>Eu conheço muito de Flash, etc etc, afinal já trabalho com a plataforma há uma década; ainda assim, em determinados momentos, em aulas anteriores, tive de parar de falar e explicar algo porque tive algum resultado inesperado no que estava montando em tempo real como exemplo (geralmente, porque não tinha testado o roteiro de aula suficientemente e me deparei com algum problema inesperado na plataforma ou no programa). O foda é que nesses momentos eu tenho de reverter pro meu modo <em>desenvolvedor</em> e começar a depurar o que tinha dado de errado, e só aí virar e explicar pra sala o que aconteceu. É uma coisa bem chata e quando isso acontece deve dar ao aluno a impressão de que o professor é meio retardado e não sabe do que está falando. Sei que já tive momentos parecidos assistindo a aulas de outros professores, e agora entendo um pouco melhor o lado deles.</p>
<p>E outra coisa que pude sentir na pele é que muitas vezes os alunos não tratam o professor como <em>gente</em>, mas sim como alguém que está lá realizando um serviço <em>opcional</em>, que ninguém tem a obrigação de gostar ou aceitar.</p>
<p>Espero que nesse sentido ninguém me entenda mal, até porque todas as turmas pra quem dei aula foram super legais e só tenho a agradecer pelo tempo que me aturaram. Mas o que quero dizer é que quando você está lá na frente, é muito fácil se sentir meio frustrado quando você olha pra sala e percebe que só metade está ouvindo o que você está falando (o resto escrevendo no MSN/lendo email/falando com colega/vendo vídeo), ou quando você olha pra lista de presença e percebe que só metade da turma compareceu, como se o tempo que você perdeu pra preparar a aula fosse inútil e não compensasse o tempo que o aluno gastaria assistindo-a. É algo que eu mesmo também sou culpado de quando era aluno, e algo que só saquei de verdade quando também fiquei em pé lá na frente ficando com a boca seca de tanto falar.</p>
<p>Professor também é gente. Então, a meus professores, o meu muito obrigado.</p>
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		<title>Sobre pizzarias e seus atendimentos</title>
		<link>http://pessoal.zehfernando.com/2009/sobre-pizzarias-e-seus-atendimentos/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 15:15:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[O post anterior sobre o texto da pizza acabou sendo mais lido do que eu esperava. Bacana. No entanto, acho que tem uma parte que eu gostaria de deixar mais clara pra quem não entendeu.
No follow-up que o Luli postou sobre o texto, um leitor fez o seguinte comentário:
On 15.05.09 Raul said:
Concordo! Os clientes só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O post anterior <a href="http://pessoal.zehfernando.com/2009/se-vendessemos-pizzas-como-produzimos-sites-10-anos-depois/">sobre o texto da pizza</a> acabou sendo mais lido do que eu esperava. Bacana. No entanto, acho que tem uma parte que eu gostaria de deixar mais clara pra quem não entendeu.</p>
<p>No <a href="http://www.luli.com.br/2009/05/13/dois-novos-artigos-alguns-textos-antigos-e-coisas-que-pouco-mudam/">follow-up que o Luli postou</a> sobre o texto, um leitor fez o seguinte comentário:</p>
<blockquote><p>On 15.05.09 Raul said:<br />
Concordo! Os clientes só deveriam existir para nos pagar mesmo…ta loko..parece que só querem fazer a gente trabalhar….</p></blockquote>
<p>Obviamente é um comentário feito de forma sarcástica; o que ele realmente parecia querer dizer é que o texto era reclamação de gente que não queria trabalhar.</p>
<p>A todo mundo que leu o post anterior e não sacou, não concordou, e até mesmo a todo mundo que concordou, tem um detalhe que talvez tenha passado em branco: eu amo meu trabalho. Não estaria trabalhando há 15 anos na mesma área e com basicamente as mesmas tecnologias se não curtisse o que faço. Até porque quem trabalha nessa área sabe que trabalhar muito mais do que 8 horas por dia é muito comum. O cliente principal que inspirou o texto da pizza foi um cliente que me fez trabalhar todo dia até muito mais tarde, muitas madrugadas, e diversos finais-de-semana. Achar que o texto é coisa de preguiçoso é ridículo. Não tenho nada contra trabalhar; tenho, sim, contra trabalhar pra criar algo <em>inútil</em> (que sabíamos que seria descartado) num horário que vai muito além do originalmente planejado, por meses a fio.</p>
<p>Mas se você for parar pra analisar, o problema principal que o texto da pizza fala sobre nem é tanto o <em>cliente</em>, mas sobre a <em>empresa</em> (agência ou estúdio web). É uma coisa que o Luli falou bem no <a href="http://www.luli.com.br/2009/05/13/dois-novos-artigos-alguns-textos-antigos-e-coisas-que-pouco-mudam/#comment-7499">pequeno comentário</a> em resposta:</p>
<blockquote><p>On 21.05.09 Radfahrer said:<br />
O Zeh tem razão, Raul e LéoFlôr. O desconhecimento de como funciona o processo de produção de um website, associado à gigantesca desinformação do mercado e a ganância (ou desespero) de alguns donos de agências e profissionais de atendimento é que é o grande culpado. O cliente só pede o que pede porque dizem para ele que ele pode pedir.</p></blockquote>
<p>Só pra dar ênfase: <em>O cliente só pede o que pede porque dizem para ele que ele pode pedir.</em> Perceba que logo na introdução do texto eu deixei claro que aquela era uma empresa que tinha como uma de suas principais características abrir as pernas pro cliente. O problema não é o cliente não saber o que quer e mudar de idéia constantemente: <em>é a agência aceitar isso como coisa comum</em>.</p>
<p>Tudo isso eu estou escrevendo porque quero mostrar o outro lado. (drum rolls)</p>
<p>Depois de ter saído da empresa que me levou a criar essa lista maldita, eu estava extremamente descontente com minha área de trabalho. Fiquei achando que o normal era ficar trabalhando finais-de-semana e madrugadas fazendo trabalhos medíocres que, em 90% das vezes, não iam pro ar. Estava pensando seriamente em mudar de profissão.</p>
<p>A sorte &#8211; inesperada &#8211; é que imediatamente após sair de lá eu fui pra uma outro estúdio, a <a href="http://grafikonstruct.com.br/">Grafikonstruct</a>. E seis meses de GK foram suficientes pra mudar minha visão sobre o mercado de forma assustadora.</p>
<p>Pra falar de forma resumida, na GK eu trabalhava <em>menos horas</em> (fazia um horário humano), era <em>mais feliz</em> (porque fazia um trabalho que fazia sentido, e que ia pro ar, e que era <em>mais desafiador</em>), o estúdio <em>cobrava menos</em>, eu <em>ganhava mais</em> (ambos porque menos trabalho era desperdiçado), e os trabalhos eram <em>mais eficientes</em> pro cliente (porque eram criados pra solucionar um problema, não pra satisfazer o ego do cliente).</p>
<p>Ou seja, tudo ao contrário.</p>
<p>E qual era a diferença entre a GK e a empresa anterior? O relacionamento com o cliente. Na GK, o <em>atendimento</em> era real. Não sei nem se dá pra chamar de atendimento. Se o cliente pedia algo sem noção, a gente dizia que aquilo era algo sem noção. Se pedia algo que levaria muito tempo e teria um retorno mínimo, a gente dizia isso pra ele. Se ele se mostrava complicado e não sabia o que queria, mesmo após meses de diálogo, a empresa abria mão do cliente. Simples assim. Não quer dizer que tudo fosse mil maravilhas na GK, pois todo lugar tem seus problemas e suas encrencas, mas era um paraíso comparado à empresa anterior.</p>
<p>Foi a experiência na GK que me fez entender que o que conta não é tanto o cliente (ou seu tamanho, ou seu <em>nome</em>), e sim a postura que a própria agência ou estúdio adota. Se você está numa empresa que acha que trabalhar bem é se virar pra fazer o que o cliente acha que quer por mais esdrúxulo que o pedido seja, você vai acabar fazendo um trabalho horrível, constantemente tendo de se virar pra atender algum objetivo inatingível. E aí jogar tudo fora.</p>
<p>Já se você está numa empresa que adota uma postura de conhecimento do mercado, de indicar pro cliente o que é certo e o que errado, é o contrário. Você vai trabalhar não só em prol de algum objetivo <em>claro</em>, mas também um que <em>faz sentido</em> pro problema do cliente.</p>
<p>Essa experiência é o que me leva a dizer que &#8220;existem empresas e empresas&#8221;, coisa que faço sempre que falo sobre a área, seja em conversas com amigos, seja em apresentações. Não dá pra julgar como é a qualidade do ambiente de trabalho de uma empresa só pelo que ela produz ou pelos clientes que ela tem. O atendimento, ou a forma como a empresa se posiciona frente ao cliente, faz uma puta diferença. Tem empresa que quer fazer de conta que trabalha simplesmente atendendo aos caprichos do cliente e acaba produzindo um trabalho medíocre ao custo de muito suor. Mas tem empresa que vê o problema do cliente e quer solucioná-lo de verdade, mesmo que isso crie atrito com o cliente quando este é menos informado. E eu já sei em que tipo de empresa gosto de trabalhar.</p>
<p>Se o cliente te liga hoje pedindo 5 pizzas diferentes e diz que só vai pagar pela pizza que ele gostar mais, e você aceita, pode esperar que amanhã ele vai te ligar de novo, mas dessa vez pedindo 10 pizzas diferentes, e de novo só disposto a pagar por uma. E aí a culpa é do cliente e sua incerteza, ou de quem aceitou fazer as pizzas?</p>
<p>E pra emendar, um vídeo razoavelmente relacionado. Não tem muito a ver com minha experiência na tal empresa que levou ao texto da pizza, mas é algo também comum pra quem trabalha na área, pelo menos pro pessoal de planejamento e vendas.</p>
<p><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/R2a8TRSgzZY&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/R2a8TRSgzZY&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
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		<title>Aí eu acordo atrasado&#8230;</title>
		<link>http://pessoal.zehfernando.com/2009/ai-eu-acordo-atrasado/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 14:53:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[choque]]></category>
		<category><![CDATA[nova york]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230;e a primeira coisa que vejo é isso.

Cacildis!
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;e a primeira coisa que vejo é isso.</p>
<p><a href="http://twitter.com/firstborn_nyc/status/1858460700"><img class="aligncenter size-full wp-image-275" title="Visa Twitter" src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/05/twit.png" alt="Visa Twitter" width="570" height="391" /></a></p>
<p>Cacildis!</p>
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		<title>Dez dicas para seus primeiros dez anos de carreira</title>
		<link>http://pessoal.zehfernando.com/2009/dez-dicas-para-seus-primeiros-dez-anos-de-carreira/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 02:57:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[estudos]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Como disse antes, aqui vai o slideshow da curta apresentação que fiz no InterfaceCamp do Senac algumas horas atrás. É um slideshow bem simples.

Essa palestra contém 10 (11, na verdade) dicas que acho legal pra quem está começando na carreira. Elas são bem pessoais, e razoavelmente práticas &#8211; um resgate do que aprendi em 15 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como <a href="http://pessoal.zehfernando.com/2009/communicate-yourself-before-you-wreck-yourself-said-the-old-warrior/">disse antes</a>, aqui vai o slideshow da curta apresentação que fiz no InterfaceCamp do Senac algumas horas atrás. É um slideshow <strong>bem</strong> simples.</p>
<p><object style="margin: 0px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayer2.swf?doc=20090513dicas-090512110325-phpapp01&amp;rel=0&amp;stripped_title=dez-dicas-para-seus-primeiros-dez-anos-de-carreira" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed style="margin: 0px;" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayer2.swf?doc=20090513dicas-090512110325-phpapp01&amp;rel=0&amp;stripped_title=dez-dicas-para-seus-primeiros-dez-anos-de-carreira" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Essa palestra contém 10 (11, na verdade) dicas que acho legal pra quem está começando na carreira. Elas são bem pessoais, e razoavelmente práticas &#8211; um resgate do que aprendi em 15 anos de experiência. Talvez nem todas sirvam pra todos (até porque são mais voltadas pra profissionais web/motion), mas achei legal passar já que na pior das hipóteses uma ou outra pode servir bem. Seguem elas abaixo, explicadas, pra complementar o slideshow.</p>
<p><strong>1. Faça o que você gosta.</strong> Importante por dois motivos: você trabalha mais feliz, e você tem mais gás para ir atrás e se atualizar. Querer trabalhar com algo que você não gosta só porque dá dinheiro ou tem demanda é receita pra uma qualidade de vida inferior.</p>
<p><strong>2. Tenha foco, mas não tenha medo de ser multidisciplinar.</strong> Especialize-se em algo. Animador não <em>tem</em> de saber programação. Programador não <em>tem</em> de saber design. Os profissionais ideais não são os que <em>fazem tudo</em>, mas os que fazem bem seu trabalho &#8211; e que, talvez, saibam um pouco de outras áreas. Ser multidisciplinar é legal pra ficar antenado no que rola, e ter conhecimentos que lhe permitem explorar bem sua própria área de atuação. As únicas empresas que querem profissionais que fazem tudo são empresas que não sabem que tipo de profissional querem contratar (e isso vem de um programador que desenha, gosta de animação, e de modelagem 3d).</p>
<p><strong>3. Aprenda inglês.</strong> A quantidade de informações em inglês é extremamente vasta, muito maior do que a quantidade em qualquer outra língua, bem como a <em>velocidade</em> com que tal informação é gerada. Saber inglês abre inúmeras portas e faz com que o seu conhecimento em potencial aumente de forma exponencial. Todos devemos aprender inglês para leitura o quanto antes. Quem quiser saber mais sobre o assunto, escrevi muito mais <a href="http://pessoal.zehfernando.com/2009/communicate-yourself-before-you-wreck-yourself-said-the-old-warrior/">neste post anterior</a>.</p>
<p><strong>4. Mantenha uma lista de pendências.</strong> Dica prática: manter uma lista do que deve ser feito num projeto te ajuda a realizá-lo. O ideal é começar com uma lista bem <em>alto nível</em>, com tarefas bem gerais, e ir detalhando conforme você as realiza. Além disso, a lista pode funcionar como um guia da metodologia que você usará pra realizar uma tarefa, já que você pode listar as tarefas que devem ser criadas em ordem cronológica. As listas devem ser simples: um item por linha, e você vai riscando (ou apagando) itens conforme são feitos. Eu mantenho listas de pendências em documentos do <a href="http://docs.google.com/">Google Docs</a>, e uma lista <em>meta</em>, mais geral, num bloco de papel que deixo anotado do lado do computador mesmo.</p>
<p><strong>5. Arquive seus trabalhos.</strong> Sempre guarde sempre seus trabalhos, de preferência organizados por pastas que façam um sentido cronológico (anos, meses, etc). Fica mais fácil na hora de reunir portfólio, ou buscar alguma coisa antiga. Não deixe pra depois. Um pouco de organização já ajuda muito; assuma uma metodologia de nomenclatura de pastas e a utilize sempre.</p>
<p><strong>6. Aprenda a achar as respostas, ao invés de saber tudo.</strong> Ninguém é dono do conhecimento, principalmente hoje. Ninguém sabe tudo. Ao invés de tentar saber tudo, saiba <em>encontrar</em> a resposta &#8211; que mecanismos utilizar (<a href="http://www.google.com">Google</a>) e como procurar. Profissionais hoje podem ser vistos como indexadores de informação mais do que receptáculos de informações estáticas. Não tenha medo de procurar, ou de saber algo <em>por cima</em>. A resposta sempre está lá fora.</p>
<p><strong>7. Faça seu portfólio.</strong> Quando alguém vai te contratar, quer ver seu portfólio. Liste seus trabalhos, faça um portfólio. Currículo vale pouca coisa.</p>
<p><strong>8. Portfólio tem de ser simples.</strong> Não precisa de pirotecnia, animação, seja o que for. O portfólio tem de ser simples e informar bem &#8211; imagens e descrições do que você fez. Você vai mostrar sua qualidade através dos trabalhos que fez, não do portfólio. Qualquer um pode fazer um portfólio extravagante; uma empresa quer é ver como você saiu com tarefas <em>reais</em>, sejam pra clientes, sejam pra escola. Ninguém quer levar um tempão pra poder ver os trabalhos.</p>
<p><strong>9. O melhor lugar pra trabalhar é um conceito relativo.</strong> Não é porque uma agência é conhecida que ela é o melhor lugar do mundo pra trabalhar. Às vezes não é nem porque os trabalhos dela são ótimos. Lógico que todo mundo gosta de fazer trabalhos legais, mas a qualidade dos trabalhos ou a fama da empresa não querem dizer nada sobre a qualidade de vida de quem trabalha lá. Tem muito lugar legal pequeno ou pouco conhecido.</p>
<p><strong>10. Salário não significa (quase) nada.</strong> Não é porque algum lugar paga bem que o trabalho é bacana, que as pessoas são gente fina, ou que você vai aprender muito. Pode ser o contrário: ganhar bem estando preso num lugar horrível onde você não aprende e não desenvolve um trabalho legal é um beco-sem-saída. Salário deve ser um dos últimos ou o o último item a ser usado na hora de decidir onde você quer trabalhar. Existem exceções a esta regra &#8211; por exemplo, quando você precisa de um salário suficiente pra pagar sua faculdade, ou seu aluguel.</p>
<p><strong>xx. Tenha karma.</strong> Dica bônus. Fiquei meio com vergonha de falar muito na hora, até porque não quero parecer pregador e porque é um assunto mais genérico, mas aqui a idéia é, seja um cara gente boa, preocupe-se com seu próprio trabalho, e as coisas acontecem. Não tente passar a perna em ninguém, não tente tomar atalhos, não tente <del datetime="2009-05-14T02:32:14+00:00">gozar com o pau dos outros</del> tomar crédito de trabalhos que não são seus. O mercado não é tão grande quanto parece, e tentar dar uma de espertinho nesse meio não compra muitos amigos. Pra quem faz um trabalho legal, o reconhecimento vem naturalmente.</p>
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		<title>Se vendêssemos pizzas como produzimos sites (10 anos depois)</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 21:09:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Senta que lá vem a história.

Eu não gosto de falar mal de lugares em que trabalhei, e felizmente, não tenho muitos motivos pra isso. Ao contrário, tive a sorte de trabalhar em (ou para) diversos lugares fenomenais, com pessoas fantásticas, e poderia ficar falando dias sobre o assunto. No entanto, tem um lugar em específico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Senta que lá vem a história.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Ejg5JBK3n0w&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Ejg5JBK3n0w&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Eu não gosto de falar mal de lugares em que trabalhei, e felizmente, não tenho muitos motivos pra isso. Ao contrário, tive a sorte de trabalhar em (ou <em>para</em>) diversos lugares fenomenais, com pessoas fantásticas, e poderia ficar falando dias sobre o assunto. No entanto, tem um lugar em específico onde trabalhei que me rendeu péssimas experiências; vou citá-lo aqui brevemente porque faz parte do contexto, então não me levem a mal. E nem importa muito, porque o lugar já fechou há anos mesmo.</p>
<p>Lá pros idos de 1999, eu trabalhava no departamento de produção web numa agência de propaganda. Era um trabalho bem ruim &#8211; não só porque era ainda o começo na Internet no Brasil (quando poucos clientes sequer tentavam <em>entender</em> a Internet) mas porque esta agência em específico tinha como uma de suas principais características abrir as pernas pra qualquer que fosse a vontade do cliente.</p>
<p>Nessa época, atendíamos um certo cliente que, devido ao fato de ser o principal cliente da agência, deitava e rolava na hora de pedir algum trabalho. Eram inúmeras &#8220;versões&#8221; de trabalhos que eram feitas, e inúmeros representantes do cliente envolvidos com a aprovação de qualquer coisa. Parecia um episódio dos Cavaleiros do Zodíaco, quando após derrotar um inimigo (diretor X) que em teoria era o mais forte do universo (mais chefe), surgia algum outro que era ainda mais forte (diretor Y), seguindo uma corrente interminável de aprovações. E sabe quando tem aquele cliente que não aprova algo porque a mulher dele não gosta de amarelo, e o site tem amarelo? Então. Esse cliente. Grande, trabalhando com tecnologia, conhecido nacionalmente, mas ainda assim, um cliente mala, em parte por culpa de como o <em>atendimento</em> era feito dentro da agência &#8211; que era basicamente fazer o que for que o cliente mandasse, afinal, ele estava <em>pagando</em>.</p>
<p>Obviamente, quem se fodia nesse cenário eram os peões que tinham de ralar fazendo trabalhos que seriam recusados pelos motivos mais esdrúxulos. Eu era um destes peões.</p>
<p>Nós levávamos tudo na esportiva. Reclamávamos mas fazíamos o trabalho, trabalhando madrugadas e finais de semana, mesmo que fosse pra algo que sabíamos que era a décima versão (sem exageros) de algo péssimo. Até que um dia, não podendo mais me conter, escrevi, com a ajuda e sugestões do Alessandro Straccia, do Ivan Clever e do Giuliano Arsati (que trabalhavam comigo), um texto intitulado &#8220;Se vendêssemos pizzas como produzimos sites&#8221;, carinhosamente chamado de <em>pizza.txt</em>. Era um texto bem chulo, sem muita revisão, mas que retratava nosso dia-a-dia de trabalho através de analogias com o trabalho de uma pizzaria, deixando claro o quão surreais eram algumas das situações pelo qual passávamos. A maioria das situações citadas eram relacionadas a esse cliente que citei acima, mas tentamos fazer um apanhado geral da nossa área de trabalho.</p>
<p>Nessa época, eu também estava num momento experimental, tentando iniciar mensagens <em>virais</em> de forma anônima. Às vezes, deixar algo desse tipo sem assinatura ao ser distribuido funciona melhor pra popularizar do que deixar com o nome assinado. Sabe quando hoje em dia alguém escreve algum email reclamando de algo e assina &#8220;Millôr Fernandes&#8221;, &#8220;Arnaldo Jabor&#8221;, essas coisas, só porque quer transformar o email em corrente e sabe que vai ter mais credibilidade dessa forma? Então, é algo parecido (mas menos cretino, já que era <em>só</em> anônimo, ao invés de roubar o nome de alguém).</p>
<p>Foi assim que decidi divulgar o texto. Copiei ele inteiro pra um email que mandei na famosa lista WD (iniciada pelo Michel Lent em, sei lá, 1996, acho). Essa lista era <em>a</em> lista de discussão da Internet brasileira à época (antes do racha que teve devido a discussões e da divisão em listas específicas, ou da reencarnação em outros formatos). Não assumi a autoria do texto &#8211; se bem me lembro, eu disse no corpo da mensagem que &#8220;achei por aí&#8221; ou que &#8220;um amigo me mandou&#8221; &#8211; e, após o envio, vi ele se alastrar rapidamente, como fogo selvagem, em outras listas de discussão, e até ser re-enviada algumas vezes na própria lista WD. Missão cumprida.</p>
<p>Até existiram outras alegorias que escrevi e distribuí de forma parecida, mas nenhuma teve tanto sucesso (ou foi tão boa, pra ser sincero) quanto essa da pizzaria. Foi com satisfação que fiquei sabendo, bem depois do ocorrido, que ela foi inserida no livro &#8220;<a href="http://www.luli.com.br/dwd2/">Design/web/design:2</a>&#8220;, de <a href="http://www.luli.com.br/">Luli Radfahrer</a> (publicado em 2000) e atribuída a um &#8220;Autor desconhecido&#8221;. Embora a versão publicada tenha sido alterada (se me lembro bem, era uma versão encurtada, mais concisa), o livro, obviamente, ajudou a disseminar o seu conteúdo, então não é surpresa <a href="http://rodrigowebdesign.com/blog/2007/05/30/se-vendessemos-pizzas-como-produzimos-sites/">que</a> <a href="http://mercadobinario.blogspot.com/2009/03/esta-fora-da-onda-da-internet-o-erro-e.html">várias</a> <a href="http://ricardor.blogspot.com/2003_08_31_archive.html">pessoas</a> ainda citem esse texto em blogs.</p>
<p>É um certo orgulhinho secreto. Se fosse assinado por alguém, duvido que o texto teria se propagado da forma como se propagou. Parte do charme da coisa era o fato de ser anônimo, e se alguém anunciasse a autoria do treco aos quatro ventos, acabaria soando meio prepotente. É tipo comer a Luana Piovani e não poder falar pra ninguém. Mas, como já fazem uns 10 anos do ocorrido, e duvido que muita gente vai ler isso aqui, fica aqui finalmente a confidência.</p>
<p>Eu andei procurando o texto original nos meus backups antigos desorganizados e não achei, e me parece que não existem arquivos da lista WD original online. Fica, então, difícil de comprovar a autoria. Mas, pra ser sincero, acho que nem importa muito; quem quiser acredita, e quem não quiser, pode deliciar-se assim mesmo com o texto, que continua, infelizmente, atual.</p>
<p>Na ausência do <em>txt</em> original, segue abaixo uma das versões que achei <a href="http://ricardor.blogspot.com/2003_08_31_archive.html">num site</a>; não tenho certeza de que é a versão original (completa), mas acho que sim, a julgar pela ausência de acentos em algumas palavras (nessa época eu estava fazendo a transição de escrever textos em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/BBS">BBSs</a> pra escrever textos da forma correta, então esquecia de acentuar boa parte do que escrevia) e alguns outros detalhes estranhos.</p>
<blockquote><p>SE VENDÊSSEMOS PIZZAS COMO PRODUZIMOS SITES&#8230;</p>
<p>Imaginem as seguintes situações:</p>
<p>* O cliente liga pra gente pedindo uma pizza e esta mais preocupado com a aparência da pizza do que o conteúdo real dela.</p>
<p>* No meio do trabalho de confecção da pizza, o cliente liga pedindo pra você mandar pra ele um preview de como esta ficando a pizza para a aprovação (ou desaprovacao) dele.</p>
<p>* Após o cliente acima receber a pizza-preview, ele pede pra fazer &#8220;uma pequena alteraçãozinha&#8221;, substituir a mussarela amarela por mussarela verde, simplesmente porque ele gosta mais de verde. Isso faz com que você tenha de jogar a pizza antiga fora e produzir uma nova, que alem de dar mais trabalho ficara bem mais feia.</p>
<p>* O cliente te liga numa noite qualquer pedindo 500 pizzas para serem feitas em 15 minutos, pois ele tem uma festa pra ser iniciada e resolveu te ligar só agora.</p>
<p>* Você destaca seus melhores pizzaiolos pra atender a esse cliente porque seu pedido é &#8216;mais importante&#8217; e deixa as pizzas dos outros clientes de lado, o que faz com que todos eles liguem pra reclamar que a pizza deles não esta pronta dentro do prazo.</p>
<p>* Após você produzir quase todas as pizzas do cliente acima, ele te liga avisando que não precisa mais de pressa porque ele errou a hora. Na verdade, você ainda tinha 4 horas pra produzir as pizzas.</p>
<p>* O cliente te pede pra colocar as azeitonas de forma simétrica de modo a dar destaque à area central da pizza, que afinal é a area mais importante do disco e é a primeira area que o cara que for comer a pizza deverá ver ao bater o olho nela.</p>
<p>* O cliente ouve falar de um novo &#8220;ingrediente da moda&#8221; e simplesmente se convence de que sua pizza devera ter esse ingrediente, apesar do ingrediente ser inútil nesse caso e só dar mais dor de cabeça pra ser implementado.</p>
<p>* O cliente pede uma entrega urgente que precisa ficar pronta em 2 minutos. Após você usar os seus melhores pizzaiolos, até contratar pizzaiolos freelancers pra fazer o serviço e atrasar novamente os outros servicos, você faz a entrega pro cliente e ele demora 4 horas pra começar a comer as pizzas.</p>
<p>* Ele pede que a pizza funcione perfeitamente mesmo pra quem gosta de pizzas pequenas, medias ou grandes, sem saber que isso demanda no triplo de esforço necessário, e não quer saber de pagar a maispor isso.</p>
<p>* Você faz uma pizza maravilhosa e entrega pro cliente, e ele então liga pra você pra reclamar que ele não tem garfo e faca, que são necessários pra comer a pizza.</p>
<p>* Um possivel cliente te liga pra pedir uma pizza e quando você pergunta que pizza que ele quer, ele te responde que não sabe, que só quer uma pizza porque todo mundo que ele conhece tem uma.</p>
<p>* O cliente te liga, pede uma pizza super incrementada e trabalhada, e simplesmente não entende como você pode cobrar tão caro por essa pizza, sendo que o boteco da esquina dele faz uma pizza por bem menos.</p>
<p>* Outro cliente te liga e pede uma pizza e fica abismado com o preço que você que cobrar pela pizza, e ele te diz que o sobrinho dele faz uma pizza por um décimo do preço que você pede (ele usa um template de pizza semi-pronta comprada no Carrefour).</p>
<p>* O cliente te liga e pede uma pizza linda, mas avisa que ja pediu a mesma pizza pra 5 outras pizzarias e só pagara a que ele gostar mais.</p>
<p>* O cliente te liga e pede que a pizza dele tenha todos os ingredientes possíveis e imagináveis que você tem no seu estoque, mesmo os mais absurdos possíveis, achando que isso fará a pizza mais atrativa a quem for come-la.</p>
<p>* O cliente pede a pizza, sem problema nenhum, mas você não poderá entrega-la por motivos de segurança. Ele não quer que você entre na casa dele, então você terá de entrega-la na casa do agente de segurança dele, que mora do outro lado da cidade, que então a entregara pro cliente&#8230;que mora do lado da pizzaria.</p>
<p>* O cliente não tem amigos americanos, nem espanhóis e nem nada em casa, mas mesmo assim te pede que você mande uma pizza com versões em inglês, espanhol, japonês, javanês, svenska, paquistanês, francês e gaulês.</p></blockquote>
<p>Cru, mas meu melhor momento Luís Fernando Veríssimo.</p>
<p>Como nota de rodapé, pra ser sincero, alguns dos itens citados aí são de situações bastante específicas, então pode ficar difícil de sacar &#8211; por exemplo, o item &#8220;ingrediente da moda&#8221; citado acima era uma crítica direta ao fato do tal cliente querer um site em Flash com uma tecnologia caríssima que existia na época (Flash Generator) pra uma aplicação consideravelmente inútil (usuário poder mudar a cor de fundo da página!), quando o site dele funcionaria muito melhor se fosse em HTML. É também a razão pela qual alguns itens foram alterados ou excluídos do livro do Luli, acho.</p>
<p>E quem tiver mais informações sobre o arquivo da lista WD, pra ver se a gente consegue localizar o original disso, fique à vontade pra postar nos comentários.</p>
<p><strong>Update:</strong> Luli Radfahrer postou <a href="http://www.luli.com.br/2009/05/13/dois-novos-artigos-alguns-textos-antigos-e-coisas-que-pouco-mudam/">um pequeno update sobre o texto</a> em seu blog. Valeu!</p>
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		<title>A velha questão do curso superior</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 23:31:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[estudos]]></category>
		<category><![CDATA[trampo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda no assunto Edted, durante a realização da mesa-redonda final alguém fez uma pergunta (via Twitter acho) querendo saber se eu achava que faculdade era uma coisa importante na formação de uma pessoa.
Na ocasião eu acabei respondendo com um breve &#8220;sim&#8221;, em parte porque não queria tomar muito o tempo da mesa, e em parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda no assunto <a href="http://pessoal.zehfernando.com/2009/falar-e-facil-dificil-e-dizer/">Edted</a>, durante a realização da mesa-redonda final alguém fez uma pergunta (via Twitter acho) querendo saber se eu achava que faculdade era uma coisa importante na formação de uma pessoa.</p>
<p>Na ocasião eu acabei respondendo com um breve &#8220;sim&#8221;, em parte porque não queria tomar muito o tempo da mesa, e em parte porque é uma discussão tão grande que não caberia direito no breve tempo de discussão que a gente tinha disponível de qualquer forma.</p>
<p>Aparentemente essa foi a resposta <em>certa</em>, porque o pessoal que estava assistindo até curtiu: os outros palestrantes deram risada, e teve um início de palmas na audiência. Mas, pra ser sincero, acho que a brevidade da resposta fez com que ela soasse meio seca (pra não dizer cretina); então, pra complementá-la, e até porque esse é um assunto muito pessoal, aqui vai um pouco do que acho sobre o tema. Eu até já tinha falado um pouco disso <a href="http://www.brunoribeiro.net/?p=510">nos comentários deste artigo</a> escrito pelo Bruno Ribeiro, mas escrevo aqui de forma mais extensa. Aviso: verborragia master, como sempre.</p>
<p>Eu sempre fui um cara meio contra faculdade e cursos em geral. Pra explicar: eu comecei a trabalhar efetivamente com desenvolvimento de sistemas (e suas interfaces) em 1994, quanto eu tinha 16 anos, e desde então nunca parei de trabalhar. Sempre aprendi fazendo e indo atrás, isso numa época pré-Google e até pré-Internet. Comecei a programar aos 10 anos, e talvez por isso sempre fui muito defensor de um esquema autodidata de aprendizado.</p>
<p>Depois que terminei o segundo grau, resolvi, por diversos motivos, dar um tempo nos estudos. Eu até cheguei a fazer faculdade em 97 e 98 (Propaganda e Marketing), mas acabei abandonando por falta de grana pra continuar e tempo pra estudar &#8211; tive de escolher entre trabalhar e ter dinheiro pra sobreviver, ou viver de vento e estudar sabe-se lá como.</p>
<p>Nesse período em que fiquei exclusivamente trabalhando, tive algumas experiências que me levaram a detestar ainda mais essa idéia de levar certificações ou diplomas ao pé da letra. Duas eu posso citar em especial.</p>
<p>A primeira é que eu trabalhava num lugar onde tinha uma pessoa que possuía um grande certificado de um software bastante usado na época (Aldus/Adobe Page Maker), e deixava o certificado pendurado logo acima do computador. Isso basicamente atestava que a pessoa sabia o que estava fazendo e era um profissional de destaque na área. Essa pessoa ganhava um pouco mais do que o dobro do que eu ganhava. O detalhe é que quando tinha algum problema muito cabuloso para resolver no Page Maker, essa pessoa me chamava, já que eu era o <em>faz-tudo</em> do lugar na época &#8211; e incluía-se aí mexer com o Page Maker, coisa que nem era minha especialização.</p>
<p>Nada contra essa pessoa, que era super gente boa. Mas a experiência me deixou com uma opinião amarga sobre certificações.</p>
<p>A segunda é mais contundente. Na primeira agência <em>de Internet</em> em que comecei a trabalhar, era costume criar propostas de projetos para clientes em potencial, e apresentações que acompanhavam essas propostas. Aquelas típicas apresentações cretinas e pomposas que falavam sobre a agência. Enfim, um dia estávamos desenvolvendo umas três propostas pra serem apresentadas pra um grande cliente. A secretária estava montando um slideshow com informações sobre as propostas &#8211; uma das quais eu que estava desenvolvendo &#8211; e tivemos um papo mais ou menos assim:</p>
<blockquote><p>Secretária: Então, Zeh, estou montando a apresentação pro &lt;Grande cliente X&gt;, e estou colocando as fichas da agência. No que você é formado?</p>
<p>Zeh: Não sou formado.</p>
<p>Secretária: (Boquiaberta) Não é formado?! Não fez faculdade?</p>
<p>Zeh: Não.</p>
<p>Secretária: Mas você não fez nenhum curso?</p>
<p>Zeh: Só me formei no segundo grau, em Processamento de Dados.</p>
<p>Secretária: Ahn&#8230; tudo bem.</p></blockquote>
<p>Aí ela foi e fez a apresentação&#8230; sem meu nome. Não importa que o conceito, design, e programação da proposta eram meus: se eu não tinha nenhuma graduação interessante pra citar, eu não importava, valia mais a pena colocar o bio de um dos sócios da agência. Não era culpa da secretária, diga-se de passagem, já que ela também era gente fina; era uma coisa normal da agência.</p>
<p>Essa mesma agência era aquela típica empresa anos 90, que considerava melhor alguém que tivesse um curso de graduação, fosse ele qual fosse. Você podia ser graduado em veterinária, que pronto, era automaticamente um melhor designer. Eles até queriam meu conhecimento, já que profissionais <em>de Internet</em> não eram tão comuns na época. Mas eu era meio que um patinho feio.</p>
<p>E na real, nem sei se apresentação toda foi pro cliente mesmo. Essa idéia de propostas era um mundinho de faz-de-conta às vezes.</p>
<p>Por conta dessas e de outras, criei uma certa mágoa de todo essa idéia de formação. O fato de que conheci ótimos profissionais sem formação alguma, bem como péssimos profissionais formados &#8211; típico do começo da Internet no Brasil, acho &#8211; não ajudou a imagem do mundo acadêmico.</p>
<p>Não quer dizer que eu detestasse cursos. Cheguei a fazer 3 anos de <a href="http://www.escola-panamericana.com.br/">Panamericana</a> exatamente porque achei que tava perdendo um pouco do contato com o mundo do design, e porque queria respirar um pouco mais da coisa. Não que seja uma super escola, e obviamente não tem nada a ver com formação acadêmica, mas é um <em>curso</em>, e aprendi algumas coisas lá sim.</p>
<p>Mas minha opinião geral sobre faculdades e formação só começou a mudar lá pros idos de 2000, quando visitei o <a href="http://www.sp.senac.br/">Senac</a> pela primeira vez, por convite/dica da <a href="http://www.lu3.com.br/">Lu Terceiro</a>. Foi num evento com palestras de diversos monstros do (então) webdesign mundial, em especial a <a href="http://www.thedesignersrepublic.com/">Designers Republic</a> (!). Fiquei impressionado com duas coisas: primeiro, a iniciativa de uma faculdade de trazer designers desse porte pra um evento local; e segundo, a grade do curso de Design Gráfico que existia até então no Senac, distribuída como parte do material promocional do evento. <em>Três semestres de tipografia</em>? Eu não sabia que existia nenhum curso desse tipo em São Paulo &#8211; eu precisava fazer aquela faculdade.</p>
<p>Só havia um problema: o curso do Senac era à tarde. Eu escrevi um email pro então coordenador do curso perguntando sobre a possibilidade de cursos à noite no futuro, e ele foi bastante otimista, dizendo que existia a idéia e que isso deveria rolar no futuro.</p>
<p>Nessa época, eu estava terminando a Panamericana (na verdade, num hiato de 2 anos sem estudar que tive entre o segundo e o terceiro ano do curso). Decidi terminar a Panamericana e aguardar novidades do Senac.</p>
<p>Foi o que eu fiz. Após terminar a Panamericana, Fiquei juntando grana por 2 anos, e então, em 2004, veio a novidade de que o curso de Design do Senac iria se desmembrar, e novas especializações seriam criadas: Design Industrial, e Design de Interfaces. Apesar de meu desejo ser mais de focar no design gráfico &#8211; que continuaria existindo à tarde &#8211; decidi que o Design de Interfaces se encaixaria bem nos meus planos e decidi tentar.</p>
<p>Todo mundo da área que eu conhecia achou a decisão meio doida. Todo mundo apoiou, mas ainda assim achou esquisito, porque naquela área, com já uma década de experiência, eu &#8220;não precisaria&#8221; desse tipo de formação. E por um lado eles estavam certos, era uma coisa meio doideira, e eu ia gastar uma bela grana e um bom tempo com isso. Mas ainda assim, era uma coisa que me deixava feliz, porque eu finalmente tinha a grana (e, de certo modo, o <em>tempo</em>) pra fazer a faculdade, então era uma boa oportunidade pra me livrar de algo que tinha virado meio que uma pedra imaginária no sapato cerebral pra mim. Como quando eu finalmente terminei Double Dragon (só uns 10 anos depois de ter jogado pela primeira vez, com raiva, usando um emulador e save states).</p>
<p>Ainda assim, nunca fui fazer faculdade de modo muito otimista. Eu queria três coisas, basicamente: 1. Um papel chamado &#8220;diploma&#8221;, pra poder usar pra todos os fins cabíveis, ainda que cretinos; 2. Saber mais sobre o mundo acadêmico, a fim de poder falar mal com algum ganho de causa; e 3. Aprender um pouquinho, quem sabe, talvez, sobre design.</p>
<p>Enfim, em 2005, com 26 anos, comecei o curso de Bacharel em Design de Interfaces no Senac São Paulo. Me formei em dezembro de 2008, com 31 anos.</p>
<p>Pra resumir a história &#8211; até porque <a href="http://zehfernando.com/2008/the-end-of-the-end/">já escrevi coisa pra caralho sobre isso aqui</a> (em inglês) &#8211; minhas expectativas ao fazer a faculdade foram superadas. Talvez eu fosse cínico demais &#8211; não gosto de <em>confiar</em> em pessoas, empresas ou serviços &#8211; mas entrei lá sem esperar muita coisa e saí com mais do que pensava. Fazer um curso onde te forçam a pensar de modo diferente, e a ter contato com tecnologias, mídias, plataformas e problemas que você não encontraria no dia-a-dia do <em>trabalho real</em> é extremamente gratificante. Não que o Senac seja a faculdade perfeita &#8211; ele com certeza tem seus defeitos, e eu era da primeira turma do curso &#8211; mas eu acredito que fez bem o que se prestou a fazer.</p>
<p>Mesmo ter o contato com as pessoas &#8211; meus colegas eram, em média, 10 anos mais novos do que eu &#8211; foi algo que me fez aprender muito. Não é à toa que faço questão de ter links pra blogs de todos meus colegas que os têm aí do lado da página. Pra mim foi um ótimo período; extremamente difícil &#8211; já que tive de abrir mão de diversas coisas &#8211; mas ainda assim, muito recompensador.</p>
<p>O engraçado é que eu provavelmente consegui aproveitar o curso muito mais exatamente por ser mais velho. Tenho certeza de que ter um repertório adicional me fez captar algumas aulas de uma forma muito melhor e absorver muito mais do curso do que a maioria dos outros alunos. Não que eu tenha alguma diferença intelectual &#8211; pelo contrário, eu acredito que a grande maioria dos meus colegas está num nível muito superior do que o que eu tinha <em>quando tinha a idade deles</em> (voz de velho caquético) &#8211; mas porque minha experiência que fez com que o discurso dos professores tivesse uma digestão muito mais fácil.</p>
<p>Ou seja, quem estiver pensando em começar faculdade mais tarde, eu recomendo. Vale a pena.</p>
<p>Tenho certeza de que saí da faculdade uma pessoa melhor, e um profissional melhor. Não que minha opinião tenha sido completamente mudada &#8211; ainda acredito que é possível, sim, ser um profissional de destaque sem um curso superior. Acredito, sim, que muita gente com um curso superior continua sendo um zero à esquerda simplesmente porque não aproveitou o período acadêmico do jeito que poderia. Sou, sim, contra a tal &#8220;regulamentação&#8221; e <em>exigência</em> de diploma nas empresas desta área; acho uma puta coisa retrógrada. Mas agora também acredito que, pra quem realmente <em>quer</em>, faculdade pode ser um grande salto pessoal, intelectual e profissional.</p>
<p>Faculdade vale a pena.</p>
<p>E minha colação de grau é semana que vem.</p>
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