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	<title>pessoal.zehfernando.com &#187; nova york</title>
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		<title>Duas medidas diferentes</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 20:47:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de me mudar para Nova York, diversos amigos e amigas anunciaram de antemão que me visitariam quando enfim eu me mudasse. Assim, quando finalmente me mudei (pra um apartamento provisório a princípio) e estava procurando um apartamento final na cidade, fiz questão de procurar apartamentos de dois quartos. A razão era uma só: ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de me mudar para Nova York, diversos amigos e amigas anunciaram de antemão que me visitariam quando enfim eu me mudasse. Assim, quando finalmente me mudei (pra um apartamento provisório a princípio) e estava procurando um apartamento <em>final</em> na cidade, fiz questão de procurar apartamentos de dois quartos. A razão era uma só: ter um espaço pros amigos que fossem visitar.</p>
<p>Foi o que acabei fazendo; meu apartamento atual tem dois quartos, sendo que o maior (de &#8220;visitas&#8221;) é até maior que meu próprio quarto. Comprei duas camas pra esse quarto, até.</p>
<p>O experimento acabou ocorrendo como o esperado e tive a visita prolongada de diversos amigos e conhecidos até hoje (além de vários outras já agendadas pro futuro). Então, como não estou escrevendo muito aqui no blog esses dias, queria postar dois links que são exatamente de pessoas que estão me visitando nesse momento.</p>
<p>O primeiro é o blog <a href="http://porrany.tumblr.com/">Porra New York!</a>, do <a href="http://cargocollective.com/lucasmotta/">Lucas Motta</a>. O Lucas é um desenvolvedor Flash Brasileiro que foi recentemente contratado pela mesma empresa em que eu trabalho (<a href="http://www.firstbornmultimedia.com/">Firstborn</a>), e o site tem registros fotográficos e textuais de suas peripécias na cidade. E como eu sei que é um parto alguém se mudar do Brasil pra cá (além de ser uma bica), estou hospedando ele temporariamente enquanto ele procura apartamento (e aguarda o <a href="http://www.rafaelrinaldi.com/">Rafael Rinaldi</a>, que é outro desenvolvedor Flash Brasileiro que foi contratado pela Firstborn).</p>
<p>Outra pessoa que está visitando temporariamente é a Camila Chaves, com quem trabalhei na <a href="http://www.grafikonstruct.com.br/">Grafikonstruct</a> há alguns anos atrás. Ela está aqui só a turismo, mas se divertindo com a programação da primavera da cidade. O legal é que ela comprou uma câmera nova logo após chegar na cidade, e tem postado os vídeos feito com seus olhos de turista em <a href="http://www.vimeo.com/camila">sua página no Vimeo</a>.</p>
<p>Ambos valem a visita, para os leitores que querem ver Nova York por outros olhos.</p>
<p>Finalmente, uma coisa interessante de notar devido a ter alugado um apartamento com dois quartos é que este é um conceito completamente <em>alienígena</em> pras pessoas da cidade. Sempre que conto pra alguém que moro numa casa com dois quartos, recebo olhares estupefatos como resposta; as pessoas assumem que ou eu sou louco, ou muito rico (pelo menos o segundo sei que não sou). Faz certo sentido, considerando-se que o fato de ter dois quartos (e mais espaço) aumenta o aluguel de um apartamento, mas algo que justifica o investimento sob meu ponto de vista (poder hospedar amigos) é algo que não é tão facilmente digerido pela cultura local. Por conta disso, hoje em dia, dificilmente digo para alguém que moro num apartamento de dois quartos; explicar as razões para isso já se tornou cansativo.</p>
<p>De certo modo, no entanto, mudei um pouco de idéia &#8211; 9 meses desse experimento me fizeram mudar de opinião. A verdade é que além de ser mais caro, ter um quarto a mais implica em mais espaço para limpar num apartamento, e mais espaço desperdiçado (se você não estiver hospedando ninguém). No final das contas, vale mais a pena pegar um apartamento só de um quarto, mas com mais espaço para os cômodos normais, pelo mesmo preço &#8211; amigos sempre podem ficar hospedados na sala, já que visitas geralmente são temporárias.</p>
<p>Meu próximo apartamento &#8211; devo me mudar em agosto, que é quando vence meu contrato atual &#8211; só terá um quarto.</p>
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		<title>Mudança de estações</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 19:49:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[nova york]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje é o dia do equinócio vernal no hemisfério norte, marcando o início da Primavera na terra imperial. E só agora que já estou em Nova York há um certo tempo &#8211; quase 9 meses &#8211; é que começa a ficar clara pra mim a real diferença entre o clima daqui e o do Brasil.
Mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje é o dia do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Equinox">equinócio</a> vernal no hemisfério norte, marcando o início da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Spring_%28season%29">Primavera</a> na terra imperial. E só agora que já estou em Nova York há um certo tempo &#8211; quase 9 meses &#8211; é que começa a ficar clara pra mim a real diferença entre o clima daqui e o do Brasil.</p>
<p>Mais do que <em>mais frio</em>, <em>mais quente</em>, <em>mais úmido</em> ou qualquer outra comparação similar, aqui o clima tem <em>mais contraste</em> do que eu esperava. É algo óbvio quando você para pra pensar, mas algo com que eu nunca tive de conviver antes: as mudanças de estações são mais sensíveis.</p>
<p>O verão é ensolarado &#8211; boa parte do dia é mais clara e, obviamente, mais quente. No outono, você vê as folhas das árvores amarelando e caindo, e o clima começa a esfriar. No inverno, as árvores são só galhos pelados, a neve toma conta das ruas, o frio força transeuntes a ir de um ponto a outro sem parar no meio do caminho, os parques ficam vazios, e o sol dura bem menos tempo no céu. E agora, na primavera, o calor está voltando.</p>
<p>Em São Paulo, essa diferença nunca existiu, pelo menos dessa mesma forma. Existe, sim, uma diferença na temperatura <em>média</em> da cidade, mas ao mesmo tempo, é comum você ter dias de calor extremo no inverno, ou frio congelante no verão. Da mesma forma, mudanças na natureza são difíceis de perceber (fenômeno provavelmente fortalecido pela bolha criada pelo concreto que cobre a superfície da cidade e pela extensa massa cinzenta que cobre o céu), algo que acaba sendo um belo retrato da nulidade das estações no cotidiano do cidadão.</p>
<p>Já em Nova York, é difícil deixar de viver <em>em função</em> da estação do ano. As mudanças se refletem no comportamento das pessoas e de toda a malha urbana de uma forma tal que é impossível você manter uma mesma rotina, ou uma mesmo estado de espírito, durante o ano todo.</p>
<p>Com a primavera começando, e alguns dias de calor despontando &#8211; agora são aproximadamente 20° C em Manhattan &#8211; isso fica especialmente fácil de notar na atitude das pessoas. É como se o sol despertasse algo que estava adormecido: você vê muito mais bicicletas nas ruas; os parques começam a lotar de pessoas que só querem gastar um tempo no sol; você vê muito mais turistas; qualquer queda de temperatura adicional é motivo pra alguém sair de chinelo e bermuda/saia; bares e restaurantes colocam suas mesas de volta nas calçadas, e as portas duplas (usadas pra bloquear o vento frio) são removidas dos mesmo estabelecimentos.</p>
<p>Mas, acima de tudo, os ânimos ficam muito mais <em>positivos</em>. É impossível não encontrar alguém no dia como de hoje e comentar o quão legal o clima está. E não é só um papo vago qualquer na falta de algum assunto mais profundo; é porque todo mundo está com o clima na cabeça. Pra comparar, a primeira coisa que checo quando acordo é a previsão do tempo no meu celular.</p>
<p>Esse contraste criado entre as estações deixa clara também uma parte da atitude do cidadão comum e, suspeito, da rotina de qualquer outra cidade no mundo onde o clima tem uma variação real: as pessoas estão mais preparadas para os <em>altos e baixos</em> de sua rotina anual, ao invés de simplesmente esperando uma uma rotina estável e sem muita variação. É uma coisa difícil de explicar, mas que percebo na minha própria atitude. De certo modo, passado o deslumbramento inicial com a neve, o inverno foi bem ruim por aqui pra mim &#8211; fica chato de sair, tem muito vento, tá muito frio, você tem de estar todo encapotado pra fazer qualquer coisa tipo ir no supermercado comprar cerveja; mas, ao mesmo tempo, saber que o inverno vai acabar logo e que um verão delicioso se aproxima faz tudo valer a pena e faz qualquer clima fácil de suportar. Seja qual for a sua estação preferida (muitos amigos meus aqui preferem o outono), você sempre sabe que ela chegará em breve, e você simplesmente se prepara pra isso.</p>
<p>Me lembro que, em São Paulo, era extremamente raro eu acordar e ser surpreendido positivamente pelo clima, ou de ter minha disposição muito influenciada pela temperatura. O clima simplesmente não afetava meu dia. Aqui em Nova York, o contrário acontece frequentemente, e o efeito no meu dia é visível &#8211; é muito difícil não deixar de se sentir extremamente otimista num dia como hoje. São <em>só 20 graus</em>, algo que qualquer um em São Paulo ou outra cidade do Brasil consideraria um dia normal (ou, talvez, até um pouco frio). Mas não é a temperatura absoluta que faz a diferença; é a relativa, e sentir uma mudança pra melhor. Impossível não se deixar levar.</p>
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		<title>Estado imperial de espírito</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 01:22:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sabe aquelas épocas em que você sempre ouve a mesma música tocando na rua, ou em pontos comerciais (tipo lojas) &#8211; geralmente alguma música pop que aparentemente foi lançada no momento certo? Então.
Nos últimos meses, absolutamente todo lugar que entro aqui em Nova York tá tocando a mesma música &#8211; Empire State of Mind, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe aquelas épocas em que você sempre ouve a <em>mesma</em> música tocando na rua, ou em pontos comerciais (tipo lojas) &#8211; geralmente alguma música pop que aparentemente foi lançada no momento <em>certo</em>? Então.</p>
<p>Nos últimos meses, absolutamente todo lugar que entro aqui em Nova York tá tocando a mesma música &#8211; <em>Empire State of Mind</em>, por <em>Jay-Z</em> e <em>Alicia Keys</em>. Engraçado que eu já tava extremamente irritado com a faixa, apesar de nem saber do que se tratava, simplesmente porque ela acaba tocando em todo lugar.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0UjsXo9l6I8&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/0UjsXo9l6I8&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Esses dias, numa festa, já na segunda execução da faixa, finalmente parei pra ouvir a letra pra ver do que se trata. Aí ficou fácil de sacar porque a música ficou tão popular: ao contrário dos raps normais que são encontrados por aqui, a letra é razoavelmente positiva e, mais importante, glorifica a própria cidade. E tenho de admitir: o vocal da Alicia Keys realmente faz a música, e a letra é muito <em>superpracimex</em>. Só pra citar o refrão:</p>
<blockquote><p>
New York<br />
Concrete jungle where dreams are made of,<br />
There&#8217;s nothing you can’t do,<br />
Now you&#8217;re in New York<br />
These streets will make you feel brand new,<br />
the lights will inspire you,<br />
Let&#8217;s hear it for New York, New York, New York</p></blockquote>
<p>Triste ver que dificilmente encontramos algo sobre nossas próprias cidades. Sabe aquela coisa de ouvir a letra e se identificar um pouco pelo <em>entorno</em>? Então. Faz falta. Pelo menos algo que vira um hino de verdade como é o caso desta música, ou, ainda, outra que é um <em>pouquinho</em> mais conhecida.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dbWHEM1sn0Y&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/dbWHEM1sn0Y&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Mas, só pra não passar batido &#8211; pelo menos temos &#8220;São Paulo&#8221;, do 365, na versão mais famosa do Inocentes.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/muaQ5fvrbRY&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/muaQ5fvrbRY&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Frio e garoa na escuridão é o que São Paulo é pra mim mesmo. Pena que, hoje, a coisa tá mais pra pânico mesmo.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/o6SxpQQzIYE&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/o6SxpQQzIYE&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Que falta faz uma boa banda com identificação local.</p>
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		<title>Dia de neve</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 17:03:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[nova york]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem à tarde finalmente nevou em Nova York &#8211; uma neve que só parou de cair esta manhã. Foi o primeiro dia de &#8220;tempestade de neve&#8221; deste inverno, e já bateu recorde dos anos recentes &#8211; com 14 polegadas 35 centímetros de neve segundo medições oficiais, é a maior precipitação desde 2003 (informações ouvidas na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem à tarde finalmente nevou em Nova York &#8211; uma neve que só parou de cair esta manhã. Foi o primeiro dia de &#8220;tempestade de neve&#8221; deste inverno, e já bateu recorde dos anos recentes &#8211; com <del datetime="2009-12-20T16:33:15+00:00">14 polegadas</del> 35 centímetros de neve segundo medições oficiais, é a maior precipitação desde 2003 (informações ouvidas na TV, então, sem links para fontes, sinto).</p>
<p>Mas digo &#8220;tempestade&#8221; entre aspas porque, na realidade, é algo bastante brando e fácil de lidar. Eu diria que é até mesmo uma bela mudança.</p>
<p><a title="Frost street on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/zehfernando/4200562190/"><img class="aligncenter size-full" src="http://farm3.static.flickr.com/2759/4200562190_e59e8f615b.jpg" alt="Frost street" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Nova York tem uma coisa interessante: apesar de não ser uma das regiões mais frias dos Estados Unidos (a temperatura média nas últimas semanas tem sido &#8220;só&#8221; 0ºC), ela acaba sendo vítima de um fenômeno bizarro &#8211; os túneis de vento que se formam entre os quarteirões, devido à forma como a maioria das avenidas e ruas foi criada (baseada <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Grid_plan">num grid</a>). Então é normal estar uma temperatura até suportável, mas dependendo de onde você está, você pega um vento frio absurdo contra você que faz a sensação de temperatura ser muito pior. Nesse sentido, as últimas semanas têm sido bastante instrutivas pra mim, Brasileiro acostumado a temperaturas mais amenas &#8211; você entende que a razão de alguém usar cachecol não é meramente estética, deixa de achar <del datetime="2009-12-20T17:06:21+00:00">ceroulas</del> <a href="http://www.nextag.com/thermal-pants/search-html">calças térmicas</a> engraçadas, compreende a diferença que agasalhos <em>de verdade</em> fazem, e aprende a diferença entre os <a href="http://images.google.com/images?q=gloves">dois</a> <a href="http://images.google.com/images?q=mittens">principais</a> tipos de luva (que são, também, bastante necessárias).</p>
<p>A parte <em>mais</em> interessante é que tudo isso parece mudar um pouco com a neve. Por algum motivo, com a neve, o clima ficou mais estável &#8211; os ventos simplesmente sumiram &#8211; e por isso, apesar da queda da temperatura e da neve que sobre o chão, é tudo muito mais suportável: você consegue ficar na rua com a cabeça descoberta, o que é um avanço descomunal em relação às últimas semanas.</p>
<p><a title="Frost street on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/zehfernando/4200563774/"><img class="aligncenter size-full" src="http://farm3.static.flickr.com/2766/4200563774_7952615612.jpg" alt="Frost street" width="500" height="375" /></a></p>
<p>É também interessante ver a reação das pessoas à neve. Em certo sentido, é uma grande chateação &#8211; é mais difícil de caminhar, serviços essenciais ficam prejudicados (a coleta de lixo, por exemplo, foi adiada esta semana), e você é obrigado a fazer uma série de coisas pra se livrar da neve (caso contrário, você pode ser processado se alguém, por exemplo, escorregar na sua calçada &#8211; coisas de um país litigioso). Imagino que dirigir nesses condições deve ser algo bizarro também.</p>
<p>Mas, ao mesmo tempo, o tapete branco traz consigo uma certa atitude positiva ao coração das pessoas. Começou ontem mesmo, quando andando por Manhattan, percebi a neve caindo (então uma poeira fina) e a reação de encanto na cara de boa parte dos pedestres. E hoje, em plena madrugada de domingo pós-tempestade, vi muito mais pessoas nas ruas do que de costume &#8211; muitas limpando a calçada, é verdade, mas várias também simplesmente paradas, olhando em volta e admirando a mudança.</p>
<p><a title="Snow on the sidewalk on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/zehfernando/4199807757/"><img class="aligncenter size-full" src="http://farm5.static.flickr.com/4008/4199807757_bfa2ba7e9e.jpg" alt="Snow on the sidewalk" width="500" height="375" /></a></p>
<p>A neve em si é muito do que me falaram; parece areia, em consistência, embora seja mais fofa. Você pisa em 30cm de neve e a coisa se reduz a uns 2cm de gelo. Daí o motivo de se fazer bolas de neve &#8211; você tem de amassar uma boa quantidade de neve na mão, até ela se solidificar o suficiente pra manter a forma. Do mesmo modo, como muito da neve é só ar, você entra em algum lugar com a roupa coberta de neve e depois de poucos minutos ela já evaporou, sem chegar a encharcar nada (botas razoavelmente à prova d&#8217;água são definitivamente necessárias pra andar na rua, no entanto, já que os pés têm de lidar com muito mais neve).</p>
<p>Não vi guerras de bolas de neve nem homens de gelo por aqui &#8211; é algo que seria bastante difícil, de certo modo porque não tem tantas crianças na região, e também porque comparado a outras regiões do país, a neve que cai aqui é muito pouca e durante pouco tempo (fica suja rapidamente) pra permitir a construção de grandes estruturas. Mas, ao mesmo tempo, ainda não visitei os parques do bairro ainda, então fica difícil de julgar só pela minha rua.</p>
<p>Vendo o frio que fez no final do outono e agora no começo do inverno, eu tava meio temeroso com a neve e o frio que ela iria trazer &#8211; com o vento frio é muito mais chato andar na rua, fazer qualquer tipo de exercício, ou simplesmente sair pra fazer alguma coisa diferente. Mas a mudança de temperatura <em>sentida</em> trazida pela neve, por enquanto, tem sido positiva.</p>
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		<title>Cervejas de Nova York</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 13:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[comida]]></category>
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		<description><![CDATA[Antes de me mudar para a terra imperial, uma das coisas que sempre me intrigaram eram as cervejas da cidade. Eu sempre via amigos que moravam nos Estados Unidos discutindo suas cervejas preferidas de forma ferrenha, como quem discute um jogo do time de futebol do coração (ou uma marca de vinho, dependendo do seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de me mudar para a terra imperial, uma das coisas que sempre me intrigaram eram as <em>cervejas</em> da cidade. Eu sempre via amigos que moravam nos Estados Unidos discutindo suas cervejas preferidas de forma ferrenha, como quem discute um jogo do time de futebol do coração (ou uma marca de vinho, dependendo do seu contexto social).</p>
<p>Sempre achei aquilo uma tremenda babaquice, simplesmente porque, na minha opinião, todas as cervejas sempre tiveram <em>o mesmo gosto</em>. Legal pra refrescar e tal, comer com um churrasco, mas só. No entanto, como não podia beber com eles pra saber se aquelas discussões realmente tinham cabimento, acabava relevando e evitando assumir um lado na discussão. De repente era algo do clima que fazia as cervejas terem sabor diferente, sei lá.</p>
<p>Foi só quando cheguei aqui que saquei o que eles queriam dizer. Não era nada a ver com o clima &#8211; na verdade, o lance todo das cervejas por aqui é uma questão de <em>contraste</em>.</p>
<p>Isso quer dizer que aqui tem uma diferença muito maior &#8211; de sabor, ingredientes, viscosidade, seja o que for &#8211; entre as cervejas encontradas. Mais do que isso: ao invés do mercado ser dominado por duas ou três marcas principais, como acontece em São Paulo, o que você encontra são <em>dúzias</em> de marcas diferentes que são vendidas normalmente. Você vai num mercadinho qualquer e já acha uma dúzia de marcas de cerveja diferente. Vai numa loja especializada, e acha centenas (sem exagero).</p>
<p>Sabe aquela coisa que alguns bares em São Paulo têm, de oferecer só cerveja de uma mesma marca, devido a alguma parceria do estabelecimento com o fornecedor? Aqui, seria impensável. Até existe aquela coisa dos bares terem só umas 6 ou 7 cervejas específicas, mas é mais pela logística da coisa.</p>
<p>Devido a isso, posso dizer hoje que comecei a gostar <em>de verdade</em> de cerveja. Não é aquela coisa de tomar pra refrescar, mas sim de tomar porque o sabor é <em>bom</em> e tomar cerveja na janta. A ponto de eu até ter um ranking pessoal de marcas &#8211; algo mais ou menos assim:</p>
<ol>
<li>Murphy&#8217;s Ale (draught, encontrado no <a href="http://www.murphy-gonzalez.com/">Murphy &amp; Gonzalez</a>)</li>
<li> Red Stripe</li>
<li> Yuengling &#8211; Traditional Lager</li>
<li> Samuel Adams &#8211; Summer Ale</li>
<li> Corona</li>
<li> Stella Artois</li>
<li>Todo o resto</li>
</ol>
<p>Enfim, sempre vai ter uma cerveja que você gosta mais. Tem cerveja pra todos os gostos, tenho certeza &#8211; meu ranking pessoal coincide pouco com o de meus amigos.</p>
<p>Outra parte engraçada é que praticamente não existe distinção entre cervejas nacionais, importadas, ou extremamente locais (de cervejarias de bairro) por aqui. Todas competem pelo mesmo espaço da mesma forma e com aproximadamente o mesmo preço. Sabe aquela coisa da propaganda da gostosa na praia fazendo de conta que bebe cerveja? Também impensável. Até existem propagandas na TV, mas comparativamente, a presença das <em>grandes marcas</em> tipo Budweiser parece ser minúscula no mercado de Nova York.</p>
<p>Quando eu voltar pra São Paulo, tenho certeza de que uma das coisas que mais vou ter problemas pra me re-adaptar é na hora de tomar cerveja. Talvez eu esteja sendo muito maldoso, ou talvez meu gosto que tenha sido prejudicado por algum vírus implantado pelo governo Norte-Americano, mas hoje posso dizer que as cervejas brasileiras parecem uma piada comparadas às que são encontradas por aqui.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Então, você quer trabalhar numa agência de fora&#8230;</title>
		<link>http://pessoal.zehfernando.com/2009/entao-voce-quer-trabalhar-numa-agencia-de-fora/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 23:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao contrário do que muita gente pensa, ir trabalhar numa agência de fora do país não é nenhum bicho de sete cabeças.
Talvez eu tenha dado um pouco de sorte, porque quando vim pra cá, já tinha uma boa experiência depois de trabalhar com o mesmo pessoal durante dois anos, e já tinha vários outros amigos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao contrário do que muita gente pensa, ir trabalhar numa agência de fora do país não é nenhum bicho de sete cabeças.</p>
<p>Talvez eu tenha dado um pouco de sorte, porque quando vim pra cá, já tinha uma boa experiência depois de trabalhar com o mesmo pessoal durante dois anos, e já tinha vários outros amigos que tinham me dado uma boa noção do que esperar, então não acho que fui pego de surpresa em relação às coisas mais importantes. Mas, considerando que muita gente me pergunta sempre sobre o mesmo assunto, aqui vai um apanhado de coisas que aprendi de um jeito ou de outro sobre a experiência específica de se transplantar pra uma agência ou um estúdio interativo fora das terras de Cabral, em especial nos Estados Unidos; imagino que possa ser útil pra quem esteja contemplando esse passo no futuro.</p>
<p><strong>Contratar gente de fora é coisa normal</strong>. Boa parte das agências faz isso sem se preocupar. Isso se deve a uma combinação de vários fatores, mas gosto de acreditar que um dos principais seja o fato de que um ambiente mais rico em experiências tende a refletir positivamente no trabalho que é criado. Acho que na <a href="http://firstbornmultimedia.com/">Firstborn</a>, onde trabalho, metade dos funcionários é estrangeiro.</p>
<p>Da mesma forma, embora estejam sempre à espreita atrás dos <em>melhores do mercado</em> &#8211; coisa que só o mercado local não dá conta, daí a necessidade de se contratar gente de fora &#8211; é comum que agências contratem também funcionários mais juniores, ou <em>interns</em> &#8211; algo como um estágio &#8211; por um período menor de tempo. A Firstborn constantemente contrata caras de várias partes do mundo pra trabalhar aqui por 3 meses, muitas vezes estudantes universitários. Ou seja, as agências contratam gente de todo nível.</p>
<p><strong>Agências são extremamente pragmáticas na hora de contratar</strong>. Isso quer dizer que elas levam em consideração tudo que é importante &#8211; em especial o <em>portfólio</em> de alguém &#8211; e nada mais. Aquela coisa do &#8220;quem indicou&#8221; é muito menor por aqui &#8211; a impressão é que eles querem evitar que alguém seja contratado só por ser conhecido de alguém (embora <em>recomendações</em> sejam bem aceitas, e às vezes até requisitadas). A título de ilustração, é normal a agência onde eu trabalho ter contactado ou entrevistado gente que eu conheço sem que eles tivessem me questionado sobre a pessoa, só o fazendo no final do processo; talvez eles temessem que eu levasse pro lado pessoal mais do que o profissional.</p>
<p>Ou seja, ter um <em>camarada</em> dentro de um lugar não quer dizer muita coisa, ou pelo menos, nem tanto quanto quer dizer no Brasil. Não existem muitos atalhos (e note que não estou dizendo que isso seja bom ou ruim).</p>
<p>O melhor método pra conseguir uma emprego é sempre ir no site das agências que estejam com vagas e mandar seus dados. Não tem magia nenhuma envolvida.</p>
<p><strong>O motivo de contratar estrangeiros não é mão-de-obra-barata</strong>. Embora isso talvez seja verdade em outros setores da indústria, a verdade é que contratar estrangeiros é mais chato e mais caro (em alguns casos, <em>muito mais</em> caro e <em>muito</em> mais chato) do que contratar algum nativo. É algo que é feito com base nos méritos profissionais de cada indivíduo, não na sua capacidade de aceitar salários mais baixos.</p>
<p><strong>Salários são sempre declarados pelo valor anual</strong>. O salário nunca é descrito pelo seu valor mensal, como no Brasil. Então, quando você estiver pra aceitar uma oferta, lembre-se de que pra sacar direito o quanto isso representa, é necessário dividir por 12; se você vir alguma oferta de emprego que oferece, digamos, $50k (50,000), isso significa um salário mensal de $4166.</p>
<p><strong>Os salários são sempre declarados em sua forma bruta, sem imposto</strong>. Da mesma forma, salários sempre são oferecidos e declarados em vagas sem o imposto ter sido contabilizado &#8211; e o imposto corta, <em>em média</em>, 30% do salário. No caso acima, dos $4166 mensais, uma boa parcela seria removida, chegando ao total de $2916 mensais que seriam então recebidos pelo empregado.</p>
<p>Ou seja, quando alguém lhe fizer uma oferta de emprego, calcule bem antes para não ter nenhuma surpresa. Isso não é feito imediatamente claro pelas empresas quando elas contratam algum estrangeiro, porque é algo muito óbvio para elas, mas fazemos a coisa de modo diferente no Brasil, diferenciando entre <em>bruto</em> e <em>líquido</em> com mais frequência (e na verdade, nosso imposto real é muito mais alto).</p>
<p><strong>Não tem décimo-terceiro, um mês de férias remuneradas, nem nada disso</strong>. Os <em>benefícios</em> variam de empresa pra empresa (em especial em relação a como as férias funcionam), e muitas até oferecem bônus durante o ano ou em seu final, mas no geral, vale lembrar que as regras trabalhistas fora do país não são as mesmas de dentro do Brasil.</p>
<p><strong>O custo de vida aqui é muito mais alto</strong>, talvez em especial em Nova York. É comum alguém ver uma oferta de emprego e ficar excitado pelo valor oferecido &#8211; em dólares! &#8211; porque faz uma comparação com o mesmo valor no Brasil. A verdade é que algumas coisas são bem mais caras por aqui, em especial o aluguel: em Nova York, a média é gastar um terço do seu salário líquido com o aluguel. Ou seja, nunca julgue seu futuro salário sob o prisma do Brasil &#8211; você pode acabar recebendo uma merreca que mal dá para pagar as contas, enquanto achava que estaria fazendo rios de dinheiro.</p>
<p>Embora exista uma certa inversão desse fator &#8211; qualquer tipo de dispositivo eletrônico é, obviamente, muito mais barato aqui do que no Brasil &#8211; ele não é suficiente pra compensar a diferença a longo prazo.</p>
<p><strong>Existem diferentes tipos de visto de trabalho</strong>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_visas#Classes_of_Visas">cada um</a> com suas próprias vantagens e desvantagens em relação a tempo de duração, preços, tipo de trabalho, dificuldade em se obter, etc. Quando uma empresa vai contratar alguém, o visto faz certa diferença já que alguns vencem depois de um tempo e alguns dão um trabalhão para serem tirados. Só pra referência, pro meu visto, tive de passar uns 6 meses escrevendo textos (em paralelo com meu trabalho normal) numa rotina longa e chata que me deixou numa pilha de nervos eterna. O processo de aprovação mesmo levou 2 semanas, mas toda a preparação pode levar muito mais.</p>
<p>Além disso, nenhum é muito automático &#8211; é comum as pessoas acharem que só porque uma empresa quer contratar alguém, o visto é &#8220;mais fácil&#8221;. Não é bem por aí &#8211; na verdade, o fato de uma empresa requerer seu visto é, salvo raras exceções, o <em>mínimo</em> requerimento necessário pra começar o processo.</p>
<p>Da mesma forma, <strong>visto de trabalho é visto de trabalho</strong>. Não é cidadania, não é <em>greencard</em>, não é nada disso &#8211; é só um sinal de que o governo Norte-Americano deu a um estrangeiro a permissão de trabalhar pra uma empresa durante um certo tempo. Assim, seu visto de trabalho está vinculado à empresa que te contratou: se você se demitir, tem de sair do país, e se você quiser mudar de emprego, a nova empresa precisa requerer um novo visto (ou transferir o anterior, dependendo do tipo). Além disso, embora portadores de visto de trabalho estejam tão <em>dentro da lei</em> quanto possível, e tenham <em>Social Security Number</em> (uma espécie de CPF nos Estados Unidos), eles não são <em>cidadãos</em> ou imigrantes Norte-Americanos: não podem votar, por exemplo, e são obrigados a seguir algumas restrições adicionais de permanência e trânsito internacional.</p>
<p>Ou seja, embora alguns vistos de trabalho possam ser renovados indefinidamente, a permanência do portador do visto dentro do país é vista, antes de tudo, como <em>temporária</em>. Obviamente, outros países podem tratar a coisa de forma diferente, mas minha experiência é limitada aos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Ninguém vai ficar dando assistenciazinha quando você chega de fora</strong>. Lógico, a empresa geralmente tá preparada pra ajudar com indicações de corretores, hotéis e coisas assim quando alguém chega de fora da cidade ou do país, e é comum ter um pequeno bônus pra ajudar no custo da mudança. Mas ninguém vai ficar alugando casa ou comprando móveis pra recém-contratados &#8211; isso é uma coisa mais pessoal e espera-se que as próprias pessoas façam isso. Pra quem vem de fora, é uma boa planejar com antecedência como a coisa acontecerá, ao invés de ficar esperando alguém levar pela mão e ser surpreendido ao invés.</p>
<p>E finalmente, <strong>vale mais a pena pela experiência do que por qualquer outra coisa</strong>. Pra quem quiser fazer dinheiro fácil, é mais prático e lucrativo trabalhar remotamente &#8211; ou seja, do Brasil para alguma agência nos Estados Unidos ou em outro lugar. Mas, para quem quer aprender, e ter uma boa dose de uma experiência meio diferente, é uma experiência fantástica e bastante recompensadora.</p>
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		<title>Algo entre formiga e sardinhas</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 20:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[São Paulo é uma cidade lotada. Acho que nossos governantes perceberam isso: eu costumo dizer que o único papel dos governos municipal e estadual de São Paulo é tornar a cidade tão insuportável para todos que as pessoas vão querer se mudar para outro lugar (resolvendo, assim, o problema da lotação). No meu caso, eles [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São Paulo é uma cidade <em>lotada</em>. Acho que nossos governantes perceberam isso: eu costumo dizer que o único papel dos governos municipal e estadual de São Paulo é tornar a cidade tão insuportável para todos que as pessoas vão querer se mudar para outro lugar (resolvendo, assim, o problema da lotação). No meu caso, eles conseguiram, mas é triste ver que nem por isso o declínio do conforto está em vias de parar (se é que dá pra chamar o aperto de um metrô ou ônibus e a velocidade média de 15km/h nas principais vias de &#8220;conforto&#8221;).</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ru0ZoYVR_UQ&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/ru0ZoYVR_UQ&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Fiquei sabendo através de websites da <a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/paulistano-transportado-feito-gado-no-metro/">recente e malfadada tentativa de pôr ordem no metrô</a>, e é interessante pensar como a coisa se compara ao metrô de NY.</p>
<p>O metrô de São Paulo é muito melhor que o metrô de Nova York. As estações são muito mais limpas. É tudo muito mais bonito, mais espaçoso, e mais bem conservado. Tudo parece muito novo. Os trens são rápidos, grandes, com número de portas e vagões padronizados, ótima distribuição interna das barras de suporte para os usuários, e os pontos de parada são bem distantes entre si, permitindo o máximo de velocidade e eficiência no transporte. As estações têm identidade visual muito bem definida, embora nem sempre completamente idênticas, e são, no geral, bastante seguras. O sistema, no geral, é muito novo e avançado &#8211; coisa de dar orgulho.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o metrô de Nova York é muito melhor que o metrô de São Paulo. O metrô está em todo o canto &#8211; existem inúmeras linhas que cobrem a cidade e seus arredores de forma bastante eficaz. Ele funciona 24 horas por dia &#8211; você <em>nunca</em> precisa usar carro, e <em>nunca</em> sai de casa precisando se preocupar em voltar até um horário máximo. A cidade possui uma concentração enorme de pessoas, mas ainda assim, independente do horário, sempre tem bastante espaço dentro do vagão.</p>
<p>É uma comparação estranha. São Paulo tem tudo para ter o melhor sistema, mas acaba ficando devendo no que realmente importa &#8211; cobertura e padrões mínimos de conforto.</p>
<p>Obviamente, tudo se resume na quantidade de vias. Com seus 61 km de vias que vão do ponto A ao ponto B com 2 gargalos horríveis no meio do caminho, é uma difícil comparação ao sistema velho, sujo, mal feito e caótico de Nova York, onde os 369 km disponíveis fazem toda a diferença.</p>
<p>Quando aluguei meu novo apartamento por aqui e me mudei <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Williamsburg,_Brooklyn">pro meu bairro</a>, amigos meus me avisaram que eu poderia pegar o metrô lotado de manhã, pra ir trabalhar, já que existe um certo gargalo naquela região. O resultado? O pior que acontece é eu pegar um metrô onde não posso ler meu livro em pé com muito espaço. Às vezes até acontece de passar um trem lotado que <em>não estou a fim de pegar</em>, porque já me acostumei a um certo nível de conforto, mas logo após sempre passa um mais vazio. No geral, acabo demorando 30 minutos pra chegar no escritório, todo dia.</p>
<p>Quando alguém por aqui me diz que o metrô está lotado, dou risada.</p>
<p>Isso porque, em São Paulo, eu desfrutava do luxo de morar do lado do <a href="http://www.metro.sp.gov.br/redes/vermelha/tebelem.shtml">metrô Belém</a>, na Zona Leste. Resultado? Eu nunca pegava o metrô pra ir pra lugar nenhum de manhã, já que tal tarefa era impossível devido à superlotação. Se precisasse ir trabalhar, pegava um ônibus. O metrô era bastante conveniente nos finais-de-semana, se quisesse ir pro centro, mas em qualquer outro caso, era completamente inútil.</p>
<p>Nova York já foi escrava do carro, há décadas atrás, mas numa <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Moses#End_of_the_Moses_era">turbulenta mini-revolução</a> acordou desse devaneio e hoje é escrava do pedestre. São Paulo, ao contrário, ainda faz de conta que automóvel é o meio de transporte urbano ideal. E enquanto o governo finge que faz alguma coisa e os Paulistanos fazem de conta que acreditam enquanto compram carros maiores e mais potentes para andar cada vez mais devagar, ou acreditam em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fura-fila">projetos inócuos superfaturados</a>, a rotina na cidade vai ficando cada vez mais difícil de suportar.</p>
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		<title>Os cookies são deles, mas os salgadinhos são nossos</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 21:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[comida]]></category>
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		<description><![CDATA[Dia desses, fui no Rio Bonito, aquele que é considerado o supermercado de produtos Brasileiros em Nova York (e que depois de uma reforma recente finalmente deixou de ser o supermercado tosco que era). A intenção era comprar algumas iguarias Luso-ítalo-libano-brasileiras para introduzir nossa culinária casual peculiar a amigos nativos que ficaram de me visitar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses, fui no <a href="http://maps.google.com/maps?q=rio+bonito&amp;fb=1&amp;gl=us&amp;hq=rio+bonito&amp;hnear=New+York,+NY&amp;view=text&amp;latlng=2352134488274484313&amp;dtab=0&amp;ei=HJy2St30N5SyywTe0PSzCA&amp;oi=&amp;sa=X">Rio Bonito</a>, aquele que é considerado <strong>o</strong> supermercado de produtos Brasileiros em Nova York (e que depois de uma reforma recente finalmente deixou de ser o supermercado tosco que era). A intenção era comprar algumas <em>iguarias</em> Luso-ítalo-libano-brasileiras para introduzir nossa culinária casual peculiar a amigos nativos que ficaram de me visitar no meu novo apartamento.</p>
<p>Comprar comidas e produtos de origem Brasileira por aqui é uma coisa engraçada porque, obviamente, nem tudo tem um nome correspondente em inglês. Então apesar de até existir alguma seleção por aqui, você tem de ir mais pela caixa do produto do que pelo nome.</p>
<p>Enfim, acabei comprando várias coisas e tomando notas de alguns dos nomes. Confiram alguns deles:</p>
<ul>
<li><strong>Pão de queijo</strong>: <em>cheese roll</em>, <em>cheese bun</em>, ou <em>cheese bread</em>, dependendo do distribuidor. O certo seria cheese bread mesmo, mas cai num conflito porque já existe <a href="http://www.cookingbread.com/cheese_bread.html">algo bastante conhecido</a> com esse nome por aqui.</li>
<li><strong>Coxinha</strong>: <em>chicken breast in dough</em>.</li>
<li><strong>Coxinha de frango com catupiry</strong>: <em>chicken breast with cheese in dough</em>.</li>
<li><strong>Croquete</strong>: <em>ham and cheese croquettes</em>.</li>
</ul>
<p>Alguns outros nomes – como <em>kibe</em> e <em>risole</em> – são mantidos, provavelmente porque já são nomes bem próprios mesmo, apesar dos sabores terem nomes estranhos quando são baseados em produtos não muito comuns aqui (<em>risole de palmito</em> vira <em>hearts of palm risole</em>, por exemplo). E apesar dos produtos no geral serem <a href="http://store.starbites.com/">razoavelmente mais caros</a> do que o preço que você pagaria em padarias e lanchonetes aleatórias de São Paulo, o sabor pelo menos é o mesmo.</p>
<p>Só não achei esfiha por enquanto.</p>
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		<title>Pense duas vezes antes de abrir a próxima porta</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 12:52:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[pirações]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Nova York, todas as fechaduras são de cabeça-pra-baixo.
Isso é uma coisa que reparei no meu apartamento temporário (no qual passei o primeiro mês): em todas as fechaduras, eu tinha de usar a chave ao contrário do que eu estava acostumado. Não liguei; era um prédio meio antigo, as fechaduras deviam ter sido instaladas erradas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Nova York, todas as fechaduras são de cabeça-pra-baixo.</p>
<p>Isso é uma coisa que reparei no meu apartamento temporário (no qual passei o primeiro mês): em todas as fechaduras, eu tinha de usar a chave ao contrário do que eu estava acostumado. Não liguei; era um prédio meio antigo, as fechaduras deviam ter sido instaladas erradas, coisa típica de se encontrar em qualquer canto.</p>
<p>Quando me mudei pro meu novo apartamento &#8211; desta vez, um prédio novo &#8211; me surpreendi ao perceber que ali, também, a fechadura estava de cabeça-pra-baixo. Foi aí que reparei: o nome do fabricante gravado na fechadura estava corretamente orientado, e era perfeitamente legível. A fechadura não estava de cabeça-pra-baixo; era pra ser daquele jeito mesmo.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/darwinbell/2436097666/"><img src="http://pessoal.zehfernando.com/wp-content/uploads/2009/08/lock.jpg" alt="Etched Lock, por Darwin Bell" title="Etched Lock, por Darwin Bell" width="560" height="381" class="aligncenter size-full wp-image-610" /></a></p>
<p>Às vezes não é a fechadura que está de cabeça-pra-baixo, só nossas expectativas.</p>
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		<title>Restaurantes do dia-a-dia em NY</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 14:23:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[comida]]></category>
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		<description><![CDATA[As pessoas gostam de dizer que São Paulo é a capital da gastronomia sabe-se lá de onde, mas pra quem gosta de comer, vou falar uma coisa: NY é o lugar.
Eu sou meio suspeito pra falar, já que não sou nenhum gourmet e não saí testando nenhum restaurante Francês, Italiano, Croata ou Indiano pra ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas gostam de dizer que São Paulo é a capital da gastronomia sabe-se lá de onde, mas pra quem gosta de comer, vou falar uma coisa: NY é o lugar.</p>
<p>Eu sou meio suspeito pra falar, já que não sou nenhum <em>gourmet</em> e não saí testando nenhum restaurante Francês, Italiano, Croata ou Indiano pra ver qual tem o melhor tempero, vinho ou seja o que for. Mas pra quem, como eu, gosta de comer qualquer coisa por aí, o lugar é animal. Em Manhattan, você dá dois passos e tropeça em algum lugar sensacional.</p>
<p>Em São Paulo existem lugares legais, lógico. Mas a impressão aqui é que qualquer lugar meia-boca que você acha já é equivalente ao melhor que você encontrava em São Paulo &#8211; especialmente verdade em relação a comidas <em>urbanas</em> tipo hamburgeres, saladas e sanduíches.</p>
<p>Da mesma forma, por algum motivo, praticamente todo lugar parece ser extremamente convidativo &#8211; como se fosse um <em>restaurante de bairro</em>, por mais que esteja no meio do burburinho de Manhattan. Acho que isso tem um pouco a ver com a cultura local e, por mais estranho que possa parecer, porque o público tende a ser avesso a cadeias de restaurantes conhecidos. Você encontra restaurantes pequenos, únicos, desconhecidos, e mesmo assim <em>populares</em>, em todo canto. Não é aquela coisa do cara montar um restaurante e falir só porque ninguém nunca ouviu falar da marca.</p>
<p>Com tantas e tão boas opções, é inevitável dar aquela impressão de que os Norte-Americanos são obesos porque têm tantas opções, etc e tal. Tem uma mítica. Mas a surpreendente verdade sobre Manhattan é que a coisa é exatamente o contrário; talvez pela qualidade da comida (muita salada, muito suco, pouco ou nenhum óleo ou gordura), e talvez pelo fato de que você tem de andar <em>muito</em>, a impressão é de que a população em geral é bem saudável. Acho que você encontra sim mais gente acima do peso ideal do que você encontraria em São Paulo, mas é uma diferença muito pequena.</p>
<p>Pessoalmente, eu ando comendo mais do que nunca desde que cheguei aqui. Mas, ao mesmo tempo, posso dizer que estou super saudável &#8211; com o mesmo peso de quando saí de São Paulo (72kg), e na verdade até um pouco abaixo &#8211; e andando pra caramba. Não digo &#8220;andando como nunca&#8221; porque eu sempre fui um cara chegado em caminhar, mas a cidade realmente te leva a andar demais (às vezes até sem que você perceba direito) e a subir e descer <em>muitas</em> escadas (praticamente nenhum metrô daqui tem escadas rolantes, por exemplo, ao contrário <a href="http://crossfit-fortbragg.com/crossfit/images/stories/escalator.jpg">da imagem</a> que geralmente fazemos dos gringos).</p>
<p>Falando sobre restaurantes específicos, e na categorias de boas surpresas, o <a href="http://www.lennysnyc.com/main.asp">Lenny&#8217;s</a> é provavelmente o lugar que mais me surpreendeu. De certo modo, não é nada de mais &#8211; basicamente, uma cadeia de restaurantes que vende sanduíches e saladas, estilo o Subway. Mas o lugar faz alguns sanduíches realmente deliciosos, <em>bem servidos</em> e com um bom preço (a média aqui é gastar uns US$ 10,00 com almoço). Me apaixonei pelo lugar e vou lá sempre que posso.</p>
<p>E talvez a grande exceção que vai contra o que eu disse sobre cadeias, uma que é onipresente por aqui e ainda assim mantém uma boa qualidade é o <a href="http://www.subway.com/subwayroot/index.aspx">Subway</a>. Antes de chegar aqui eu tinha ouvido falar que existiam muitos <a href="http://www.starbucks.com/">Starbucks</a> em Manhattan, mas a verdade é que vejo umas 4 vezes mais Subways do que Starbucks &#8211; realmente estão em todo canto, não só na cidade como no bairro. E, mais importante, fazem um sanduíche bem legal. Infelizmente fazem muitos anos que não vou nos Subways de São Paulo então fica difícil comparar, mas aqui a coisa é boa, bem fresca, e com a <em>customização</em> do sanduíche praticamente obrigatória (outra característica de muitos lugares por aqui).</p>
<p>Já hamburgeres são uma questão à parte. Talvez por ser um <em>prato típico</em> da região, todos os hamburgers de verdade que comi por aqui são pelo menos do mesmo nível que os melhores que comi em São Paulo (em lugares como <a href="http://www.thefifties.com.br/">Fifties</a>, <a href="http://www.fridays.com.br/">Fridays</a>, <a href="http://www.outback.com.br/">Outback</a>, etc). De certo modo porque muitas das cadeias que encontramos no Brasil também estão disponíveis aqui (a única que testei por enquanto foi o <a href="http://www.applebees.com/">Applebees</a> &#8211; equivalente ao Brasileiro), mas mesmo bares (<a href="http://www.murphy-gonzalez.com/">Murphy &#038; Gonzalez</a>), lugares do &#8220;calçadão&#8221; de Coney Island (<a href="http://www.nathansfamous.com/">Nathan&#8217;s</a>) e restaurantes especializados locais (<a href="http://www.schnippers.com/">Schnippers</a>, <a href="http://www.fiveguys.com/home.aspx">Five Guys</a>) têm hamburgeres sensacionais. Pra alguém que gosta de matar uma vaca por dia, a cidade é ótima.</p>
<p>Mas na questão de hamburgeres, a única exceção talvez fique com as cadeias de <em>fast food</em> mesmo. Pra quem não sabe, as cadeias conhecidas dos Brasileiros &#8211; <a href="http://www.mcdonalds.com/">McDonald&#8217;s</a>, <a href="http://www.bk.com/">Burger King</a>, etc &#8211; são vistos como lugares ruins de se comer por aqui. E com razão &#8211; de certo modo, eles geralmente miram em consumidores de baixa renda (são muito fáceis de se encontrar na periferia), e são mais mal-tratados do que seus equivalentes brazucas: não são todos, mas a grande maioria dos restaurantes é bem suja. Pra ser sincero, sair de um lugar mais <em>aconchegante</em> (como é a maioria dos restaurantes por aqui) e ir pra um ambiente extremamente plastificado como o de um fast food é uma sensação meio estranha. Chega a ser meio depressivo. E sendo sucinto, a impressão que dá é que quem trabalha lá é bem mal pago (além deles não terem funcionários suficientes pra atender à demanda, mesmo fora de horários de pico).</p>
<p>Por isso, e pela qualidade das alternativas, desde que cheguei aqui acabei não tendo vontade real de ir em nenhum fast food desse tipo &#8211; ao contrário do que eu esperava, pra ser sincero. No entanto, a bem da experiência, acabei abrindo uma exceção e fui num Burger King um dia desses. O resultado foi um hamburger ruim e sem gosto, bem pior do que o equivalente Brasileiro. Não acho que vou voltar lá tão cedo. E não chega a ser algo tão barato pra compensar.</p>
<p>Outro exemplo dessa característica local é minha experiência com o <a href="http://www.arbys.com/">Arby&#8217;s</a>. Eu adorava o Arby&#8217;s no Brasil e fiquei bem triste quando a cadeia se retirou do mercado Brasileiro &#8211; ninguém usa o rosbife fino (estilo Norte-Americano) como eles serviam. Antes de chegar em Nova York, me convenci que uma das primeiras coisas que faria seria ir num Arby&#8217;s pra comer novamente um dos hamburgeres de rosbife deles. Mas a verdade é que desde que cheguei acabei não indo em nenhum Arby&#8217;s &#8211; em parte porque temo que seja só outra cadeia de restaurantes ruim, em parte porque não tem nenhum restaurante da cadeia perto de onde trabalho e moro, e em parte porque o rosbife fino aqui é encontrado em todo lugar mesmo (os sanduíches mais populares do Subway e do Lenny&#8217;s levam o mesmo tipo de rosbife).</p>
<p>Pra quem gosta de saladas, o lugar também é ótimo. A maioria das cadeias que vendem sanduíches também trabalham com os mais diversos tipos de saladas, sejam saladas baseadas em <em>templates</em> pré-prontos ou customizadas na hora. E tudo parece bem fresco sim (no bom sentido). Se você gosta de decidir absolutamente tudo que vai em sua comida, a cidade é uma festa.</p>
<p>Restaurantes <em>self-service</em> (<em>buffet</em>), o estilo dominante de restaurante <em>pra trabalhadores</em> em São Paulo, são bem incomuns por aqui. Comi em um e achei a qualidade da comida razoável, mas obviamente diferente do esperado &#8211; nada daquela coisa Brasileira do tipo arroz/feijão/salada/carnes.</p>
<p>E também ao contrário do que eu esperava, aqui é mais incomum achar comida chinesa ou japonesa. Me disseram que até existem alguns, mas mais concentrados em certas regiões. Talvez uma bela exceção que vale a pena ser apontada seja o <a href="http://www.inakayany.com/">Inakaya</a>, um restaurante de comida japonesa que fica no térreo do prédio do New York Times e é, definitivamente, o restaurante com o melhor <em>design</em> que já vi. O lugar realmente tem uma atmosfera incrível, principalmente à noite; austera, mas coisa de filme.</p>
<p>Não cheguei a experimentar o sushi daqui em nenhum restaurante japonês de verdade, no entanto. Mas de novo a bem da experiência, acabei comendo <del datetime="2009-07-28T13:53:00+00:00">uma tábua</del> um pote plástico de sushi num <a href="http://www.amishfinefood.com/">Amish Market</a> (!) perto do meu trabalho. A montagem é meio diferente, e o tempero é mais apimentado (característica do sushi local, corroborada por amigos Brasileiros com base em outras experiências), mas no geral pareceu algo de suficiente qualidade.</p>
<p>Ainda tenho inúmeros outros lugares e categorias pra testar, principalmente em relação a massas e pizzas, mas os prognósticos não podiam ser melhores: <em>gastronomicamente falando</em>, NY é sensacional.</p>
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