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Artigos que falam especificamente sobre a cidade de Nova York.
Artigos que falam especificamente sobre a cidade de Nova York.
Escrito em 11/January/2010, 18:22 em nova york | 3 comentários
Sabe aquelas épocas em que você sempre ouve a mesma música tocando na rua, ou em pontos comerciais (tipo lojas) – geralmente alguma música pop que aparentemente foi lançada no momento certo? Então.
Nos últimos meses, absolutamente todo lugar que entro aqui em Nova York tá tocando a mesma música – Empire State of Mind, por Jay-Z e Alicia Keys. Engraçado que eu já tava extremamente irritado com a faixa, apesar de nem saber do que se tratava, simplesmente porque ela acaba tocando em todo lugar.
Esses dias, numa festa, já na segunda execução da faixa, finalmente parei pra ouvir a letra pra ver do que se trata. Aí ficou fácil de sacar porque a música ficou tão popular: ao contrário dos raps normais que são encontrados por aqui, a letra é razoavelmente positiva e, mais importante, glorifica a própria cidade. E tenho de admitir: o vocal da Alicia Keys realmente faz a música, e a letra é muito superpracimex. Só pra citar o refrão:
New York
Concrete jungle where dreams are made of,
There’s nothing you can’t do,
Now you’re in New York
These streets will make you feel brand new,
the lights will inspire you,
Let’s hear it for New York, New York, New York
Triste ver que dificilmente encontramos algo sobre nossas próprias cidades. Sabe aquela coisa de ouvir a letra e se identificar um pouco pelo entorno? Então. Faz falta. Pelo menos algo que vira um hino de verdade como é o caso desta música, ou, ainda, outra que é um pouquinho mais conhecida.
Mas, só pra não passar batido – pelo menos temos “São Paulo”, do 365, na versão mais famosa do Inocentes.
Frio e garoa na escuridão é o que São Paulo é pra mim mesmo. Pena que, hoje, a coisa tá mais pra pânico mesmo.
Que falta faz uma boa banda com identificação local.
Escrito em 20/December/2009, 10:03 em choque, nova york | 2 comentários
Ontem à tarde finalmente nevou em Nova York – uma neve que só parou de cair esta manhã. Foi o primeiro dia de “tempestade de neve” deste inverno, e já bateu recorde dos anos recentes – com 14 polegadas 35 centímetros de neve segundo medições oficiais, é a maior precipitação desde 2003 (informações ouvidas na TV, então, sem links para fontes, sinto).
Mas digo “tempestade” entre aspas porque, na realidade, é algo bastante brando e fácil de lidar. Eu diria que é até mesmo uma bela mudança.
Nova York tem uma coisa interessante: apesar de não ser uma das regiões mais frias dos Estados Unidos (a temperatura média nas últimas semanas tem sido “só” 0ºC), ela acaba sendo vítima de um fenômeno bizarro – os túneis de vento que se formam entre os quarteirões, devido à forma como a maioria das avenidas e ruas foi criada (baseada num grid). Então é normal estar uma temperatura até suportável, mas dependendo de onde você está, você pega um vento frio absurdo contra você que faz a sensação de temperatura ser muito pior. Nesse sentido, as últimas semanas têm sido bastante instrutivas pra mim, Brasileiro acostumado a temperaturas mais amenas – você entende que a razão de alguém usar cachecol não é meramente estética, deixa de achar ceroulas calças térmicas engraçadas, compreende a diferença que agasalhos de verdade fazem, e aprende a diferença entre os dois principais tipos de luva (que são, também, bastante necessárias).
A parte mais interessante é que tudo isso parece mudar um pouco com a neve. Por algum motivo, com a neve, o clima ficou mais estável – os ventos simplesmente sumiram – e por isso, apesar da queda da temperatura e da neve que sobre o chão, é tudo muito mais suportável: você consegue ficar na rua com a cabeça descoberta, o que é um avanço descomunal em relação às últimas semanas.
É também interessante ver a reação das pessoas à neve. Em certo sentido, é uma grande chateação – é mais difícil de caminhar, serviços essenciais ficam prejudicados (a coleta de lixo, por exemplo, foi adiada esta semana), e você é obrigado a fazer uma série de coisas pra se livrar da neve (caso contrário, você pode ser processado se alguém, por exemplo, escorregar na sua calçada – coisas de um país litigioso). Imagino que dirigir nesses condições deve ser algo bizarro também.
Mas, ao mesmo tempo, o tapete branco traz consigo uma certa atitude positiva ao coração das pessoas. Começou ontem mesmo, quando andando por Manhattan, percebi a neve caindo (então uma poeira fina) e a reação de encanto na cara de boa parte dos pedestres. E hoje, em plena madrugada de domingo pós-tempestade, vi muito mais pessoas nas ruas do que de costume – muitas limpando a calçada, é verdade, mas várias também simplesmente paradas, olhando em volta e admirando a mudança.
A neve em si é muito do que me falaram; parece areia, em consistência, embora seja mais fofa. Você pisa em 30cm de neve e a coisa se reduz a uns 2cm de gelo. Daí o motivo de se fazer bolas de neve – você tem de amassar uma boa quantidade de neve na mão, até ela se solidificar o suficiente pra manter a forma. Do mesmo modo, como muito da neve é só ar, você entra em algum lugar com a roupa coberta de neve e depois de poucos minutos ela já evaporou, sem chegar a encharcar nada (botas razoavelmente à prova d’água são definitivamente necessárias pra andar na rua, no entanto, já que os pés têm de lidar com muito mais neve).
Não vi guerras de bolas de neve nem homens de gelo por aqui – é algo que seria bastante difícil, de certo modo porque não tem tantas crianças na região, e também porque comparado a outras regiões do país, a neve que cai aqui é muito pouca e durante pouco tempo (fica suja rapidamente) pra permitir a construção de grandes estruturas. Mas, ao mesmo tempo, ainda não visitei os parques do bairro ainda, então fica difícil de julgar só pela minha rua.
Vendo o frio que fez no final do outono e agora no começo do inverno, eu tava meio temeroso com a neve e o frio que ela iria trazer – com o vento frio é muito mais chato andar na rua, fazer qualquer tipo de exercício, ou simplesmente sair pra fazer alguma coisa diferente. Mas a mudança de temperatura sentida trazida pela neve, por enquanto, tem sido positiva.
Escrito em 2/November/2009, 6:41 em choque, comida, nova york | 3 comentários
Antes de me mudar para a terra imperial, uma das coisas que sempre me intrigaram eram as cervejas da cidade. Eu sempre via amigos que moravam nos Estados Unidos discutindo suas cervejas preferidas de forma ferrenha, como quem discute um jogo do time de futebol do coração (ou uma marca de vinho, dependendo do seu contexto social).
Sempre achei aquilo uma tremenda babaquice, simplesmente porque, na minha opinião, todas as cervejas sempre tiveram o mesmo gosto. Legal pra refrescar e tal, comer com um churrasco, mas só. No entanto, como não podia beber com eles pra saber se aquelas discussões realmente tinham cabimento, acabava relevando e evitando assumir um lado na discussão. De repente era algo do clima que fazia as cervejas terem sabor diferente, sei lá.
Foi só quando cheguei aqui que saquei o que eles queriam dizer. Não era nada a ver com o clima – na verdade, o lance todo das cervejas por aqui é uma questão de contraste.
Isso quer dizer que aqui tem uma diferença muito maior – de sabor, ingredientes, viscosidade, seja o que for – entre as cervejas encontradas. Mais do que isso: ao invés do mercado ser dominado por duas ou três marcas principais, como acontece em São Paulo, o que você encontra são dúzias de marcas diferentes que são vendidas normalmente. Você vai num mercadinho qualquer e já acha uma dúzia de marcas de cerveja diferente. Vai numa loja especializada, e acha centenas (sem exagero).
Sabe aquela coisa que alguns bares em São Paulo têm, de oferecer só cerveja de uma mesma marca, devido a alguma parceria do estabelecimento com o fornecedor? Aqui, seria impensável. Até existe aquela coisa dos bares terem só umas 6 ou 7 cervejas específicas, mas é mais pela logística da coisa.
Devido a isso, posso dizer hoje que comecei a gostar de verdade de cerveja. Não é aquela coisa de tomar pra refrescar, mas sim de tomar porque o sabor é bom e tomar cerveja na janta. A ponto de eu até ter um ranking pessoal de marcas – algo mais ou menos assim:
Enfim, sempre vai ter uma cerveja que você gosta mais. Tem cerveja pra todos os gostos, tenho certeza – meu ranking pessoal coincide pouco com o de meus amigos.
Outra parte engraçada é que praticamente não existe distinção entre cervejas nacionais, importadas, ou extremamente locais (de cervejarias de bairro) por aqui. Todas competem pelo mesmo espaço da mesma forma e com aproximadamente o mesmo preço. Sabe aquela coisa da propaganda da gostosa na praia fazendo de conta que bebe cerveja? Também impensável. Até existem propagandas na TV, mas comparativamente, a presença das grandes marcas tipo Budweiser parece ser minúscula no mercado de Nova York.
Quando eu voltar pra São Paulo, tenho certeza de que uma das coisas que mais vou ter problemas pra me re-adaptar é na hora de tomar cerveja. Talvez eu esteja sendo muito maldoso, ou talvez meu gosto que tenha sido prejudicado por algum vírus implantado pelo governo Norte-Americano, mas hoje posso dizer que as cervejas brasileiras parecem uma piada comparadas às que são encontradas por aqui.
Escrito em 10/October/2009, 16:54 em choque, nova york, trampo | 13 comentários
Ao contrário do que muita gente pensa, ir trabalhar numa agência de fora do país não é nenhum bicho de sete cabeças.
Talvez eu tenha dado um pouco de sorte, porque quando vim pra cá, já tinha uma boa experiência depois de trabalhar com o mesmo pessoal durante dois anos, e já tinha vários outros amigos que tinham me dado uma boa noção do que esperar, então não acho que fui pego de surpresa em relação às coisas mais importantes. Mas, considerando que muita gente me pergunta sempre sobre o mesmo assunto, aqui vai um apanhado de coisas que aprendi de um jeito ou de outro sobre a experiência específica de se transplantar pra uma agência ou um estúdio interativo fora das terras de Cabral, em especial nos Estados Unidos; imagino que possa ser útil pra quem esteja contemplando esse passo no futuro.
Contratar gente de fora é coisa normal. Boa parte das agências faz isso sem se preocupar. Isso se deve a uma combinação de vários fatores, mas gosto de acreditar que um dos principais seja o fato de que um ambiente mais rico em experiências tende a refletir positivamente no trabalho que é criado. Acho que na Firstborn, onde trabalho, metade dos funcionários é estrangeiro.
Da mesma forma, embora estejam sempre à espreita atrás dos melhores do mercado – coisa que só o mercado local não dá conta, daí a necessidade de se contratar gente de fora – é comum que agências contratem também funcionários mais juniores, ou interns – algo como um estágio – por um período menor de tempo. A Firstborn constantemente contrata caras de várias partes do mundo pra trabalhar aqui por 3 meses, muitas vezes estudantes universitários. Ou seja, as agências contratam gente de todo nível.
Agências são extremamente pragmáticas na hora de contratar. Isso quer dizer que elas levam em consideração tudo que é importante – em especial o portfólio de alguém – e nada mais. Aquela coisa do “quem indicou” é muito menor por aqui – a impressão é que eles querem evitar que alguém seja contratado só por ser conhecido de alguém (embora recomendações sejam bem aceitas, e às vezes até requisitadas). A título de ilustração, é normal a agência onde eu trabalho ter contactado ou entrevistado gente que eu conheço sem que eles tivessem me questionado sobre a pessoa, só o fazendo no final do processo; talvez eles temessem que eu levasse pro lado pessoal mais do que o profissional.
Ou seja, ter um camarada dentro de um lugar não quer dizer muita coisa, ou pelo menos, nem tanto quanto quer dizer no Brasil. Não existem muitos atalhos (e note que não estou dizendo que isso seja bom ou ruim).
O melhor método pra conseguir uma emprego é sempre ir no site das agências que estejam com vagas e mandar seus dados. Não tem magia nenhuma envolvida.
O motivo de contratar estrangeiros não é mão-de-obra-barata. Embora isso talvez seja verdade em outros setores da indústria, a verdade é que contratar estrangeiros é mais chato e mais caro (em alguns casos, muito mais caro e muito mais chato) do que contratar algum nativo. É algo que é feito com base nos méritos profissionais de cada indivíduo, não na sua capacidade de aceitar salários mais baixos.
Salários são sempre declarados pelo valor anual. O salário nunca é descrito pelo seu valor mensal, como no Brasil. Então, quando você estiver pra aceitar uma oferta, lembre-se de que pra sacar direito o quanto isso representa, é necessário dividir por 12; se você vir alguma oferta de emprego que oferece, digamos, $50k (50,000), isso significa um salário mensal de $4166.
Os salários são sempre declarados em sua forma bruta, sem imposto. Da mesma forma, salários sempre são oferecidos e declarados em vagas sem o imposto ter sido contabilizado – e o imposto corta, em média, 30% do salário. No caso acima, dos $4166 mensais, uma boa parcela seria removida, chegando ao total de $2916 mensais que seriam então recebidos pelo empregado.
Ou seja, quando alguém lhe fizer uma oferta de emprego, calcule bem antes para não ter nenhuma surpresa. Isso não é feito imediatamente claro pelas empresas quando elas contratam algum estrangeiro, porque é algo muito óbvio para elas, mas fazemos a coisa de modo diferente no Brasil, diferenciando entre bruto e líquido com mais frequência (e na verdade, nosso imposto real é muito mais alto).
Não tem décimo-terceiro, um mês de férias remuneradas, nem nada disso. Os benefícios variam de empresa pra empresa (em especial em relação a como as férias funcionam), e muitas até oferecem bônus durante o ano ou em seu final, mas no geral, vale lembrar que as regras trabalhistas fora do país não são as mesmas de dentro do Brasil.
O custo de vida aqui é muito mais alto, talvez em especial em Nova York. É comum alguém ver uma oferta de emprego e ficar excitado pelo valor oferecido – em dólares! – porque faz uma comparação com o mesmo valor no Brasil. A verdade é que algumas coisas são bem mais caras por aqui, em especial o aluguel: em Nova York, a média é gastar um terço do seu salário líquido com o aluguel. Ou seja, nunca julgue seu futuro salário sob o prisma do Brasil – você pode acabar recebendo uma merreca que mal dá para pagar as contas, enquanto achava que estaria fazendo rios de dinheiro.
Embora exista uma certa inversão desse fator – qualquer tipo de dispositivo eletrônico é, obviamente, muito mais barato aqui do que no Brasil – ele não é suficiente pra compensar a diferença a longo prazo.
Existem diferentes tipos de visto de trabalho, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens em relação a tempo de duração, preços, tipo de trabalho, dificuldade em se obter, etc. Quando uma empresa vai contratar alguém, o visto faz certa diferença já que alguns vencem depois de um tempo e alguns dão um trabalhão para serem tirados. Só pra referência, pro meu visto, tive de passar uns 6 meses escrevendo textos (em paralelo com meu trabalho normal) numa rotina longa e chata que me deixou numa pilha de nervos eterna. O processo de aprovação mesmo levou 2 semanas, mas toda a preparação pode levar muito mais.
Além disso, nenhum é muito automático – é comum as pessoas acharem que só porque uma empresa quer contratar alguém, o visto é “mais fácil”. Não é bem por aí – na verdade, o fato de uma empresa requerer seu visto é, salvo raras exceções, o mínimo requerimento necessário pra começar o processo.
Da mesma forma, visto de trabalho é visto de trabalho. Não é cidadania, não é greencard, não é nada disso – é só um sinal de que o governo Norte-Americano deu a um estrangeiro a permissão de trabalhar pra uma empresa durante um certo tempo. Assim, seu visto de trabalho está vinculado à empresa que te contratou: se você se demitir, tem de sair do país, e se você quiser mudar de emprego, a nova empresa precisa requerer um novo visto (ou transferir o anterior, dependendo do tipo). Além disso, embora portadores de visto de trabalho estejam tão dentro da lei quanto possível, e tenham Social Security Number (uma espécie de CPF nos Estados Unidos), eles não são cidadãos ou imigrantes Norte-Americanos: não podem votar, por exemplo, e são obrigados a seguir algumas restrições adicionais de permanência e trânsito internacional.
Ou seja, embora alguns vistos de trabalho possam ser renovados indefinidamente, a permanência do portador do visto dentro do país é vista, antes de tudo, como temporária. Obviamente, outros países podem tratar a coisa de forma diferente, mas minha experiência é limitada aos Estados Unidos.
Ninguém vai ficar dando assistenciazinha quando você chega de fora. Lógico, a empresa geralmente tá preparada pra ajudar com indicações de corretores, hotéis e coisas assim quando alguém chega de fora da cidade ou do país, e é comum ter um pequeno bônus pra ajudar no custo da mudança. Mas ninguém vai ficar alugando casa ou comprando móveis pra recém-contratados – isso é uma coisa mais pessoal e espera-se que as próprias pessoas façam isso. Pra quem vem de fora, é uma boa planejar com antecedência como a coisa acontecerá, ao invés de ficar esperando alguém levar pela mão e ser surpreendido ao invés.
E finalmente, vale mais a pena pela experiência do que por qualquer outra coisa. Pra quem quiser fazer dinheiro fácil, é mais prático e lucrativo trabalhar remotamente – ou seja, do Brasil para alguma agência nos Estados Unidos ou em outro lugar. Mas, para quem quer aprender, e ter uma boa dose de uma experiência meio diferente, é uma experiência fantástica e bastante recompensadora.
Escrito em 30/September/2009, 13:02 em choque, nova york, pirações | 2 comentários
São Paulo é uma cidade lotada. Acho que nossos governantes perceberam isso: eu costumo dizer que o único papel dos governos municipal e estadual de São Paulo é tornar a cidade tão insuportável para todos que as pessoas vão querer se mudar para outro lugar (resolvendo, assim, o problema da lotação). No meu caso, eles conseguiram, mas é triste ver que nem por isso o declínio do conforto está em vias de parar (se é que dá pra chamar o aperto de um metrô ou ônibus e a velocidade média de 15km/h nas principais vias de “conforto”).
Fiquei sabendo através de websites da recente e malfadada tentativa de pôr ordem no metrô, e é interessante pensar como a coisa se compara ao metrô de NY.
O metrô de São Paulo é muito melhor que o metrô de Nova York. As estações são muito mais limpas. É tudo muito mais bonito, mais espaçoso, e mais bem conservado. Tudo parece muito novo. Os trens são rápidos, grandes, com número de portas e vagões padronizados, ótima distribuição interna das barras de suporte para os usuários, e os pontos de parada são bem distantes entre si, permitindo o máximo de velocidade e eficiência no transporte. As estações têm identidade visual muito bem definida, embora nem sempre completamente idênticas, e são, no geral, bastante seguras. O sistema, no geral, é muito novo e avançado – coisa de dar orgulho.
Ao mesmo tempo, o metrô de Nova York é muito melhor que o metrô de São Paulo. O metrô está em todo o canto – existem inúmeras linhas que cobrem a cidade e seus arredores de forma bastante eficaz. Ele funciona 24 horas por dia – você nunca precisa usar carro, e nunca sai de casa precisando se preocupar em voltar até um horário máximo. A cidade possui uma concentração enorme de pessoas, mas ainda assim, independente do horário, sempre tem bastante espaço dentro do vagão.
É uma comparação estranha. São Paulo tem tudo para ter o melhor sistema, mas acaba ficando devendo no que realmente importa – cobertura e padrões mínimos de conforto.
Obviamente, tudo se resume na quantidade de vias. Com seus 61 km de vias que vão do ponto A ao ponto B com 2 gargalos horríveis no meio do caminho, é uma difícil comparação ao sistema velho, sujo, mal feito e caótico de Nova York, onde os 369 km disponíveis fazem toda a diferença.
Quando aluguei meu novo apartamento por aqui e me mudei pro meu bairro, amigos meus me avisaram que eu poderia pegar o metrô lotado de manhã, pra ir trabalhar, já que existe um certo gargalo naquela região. O resultado? O pior que acontece é eu pegar um metrô onde não posso ler meu livro em pé com muito espaço. Às vezes até acontece de passar um trem lotado que não estou a fim de pegar, porque já me acostumei a um certo nível de conforto, mas logo após sempre passa um mais vazio. No geral, acabo demorando 30 minutos pra chegar no escritório, todo dia.
Quando alguém por aqui me diz que o metrô está lotado, dou risada.
Isso porque, em São Paulo, eu desfrutava do luxo de morar do lado do metrô Belém, na Zona Leste. Resultado? Eu nunca pegava o metrô pra ir pra lugar nenhum de manhã, já que tal tarefa era impossível devido à superlotação. Se precisasse ir trabalhar, pegava um ônibus. O metrô era bastante conveniente nos finais-de-semana, se quisesse ir pro centro, mas em qualquer outro caso, era completamente inútil.
Nova York já foi escrava do carro, há décadas atrás, mas numa turbulenta mini-revolução acordou desse devaneio e hoje é escrava do pedestre. São Paulo, ao contrário, ainda faz de conta que automóvel é o meio de transporte urbano ideal. E enquanto o governo finge que faz alguma coisa e os Paulistanos fazem de conta que acreditam enquanto compram carros maiores e mais potentes para andar cada vez mais devagar, ou acreditam em projetos inócuos superfaturados, a rotina na cidade vai ficando cada vez mais difícil de suportar.
Escrito em 20/September/2009, 14:39 em choque, comida, nova york | 5 comentários
Dia desses, fui no Rio Bonito, aquele que é considerado o supermercado de produtos Brasileiros em Nova York (e que depois de uma reforma recente finalmente deixou de ser o supermercado tosco que era). A intenção era comprar algumas iguarias Luso-ítalo-libano-brasileiras para introduzir nossa culinária casual peculiar a amigos nativos que ficaram de me visitar no meu novo apartamento.
Comprar comidas e produtos de origem Brasileira por aqui é uma coisa engraçada porque, obviamente, nem tudo tem um nome correspondente em inglês. Então apesar de até existir alguma seleção por aqui, você tem de ir mais pela caixa do produto do que pelo nome.
Enfim, acabei comprando várias coisas e tomando notas de alguns dos nomes. Confiram alguns deles:
Alguns outros nomes – como kibe e risole – são mantidos, provavelmente porque já são nomes bem próprios mesmo, apesar dos sabores terem nomes estranhos quando são baseados em produtos não muito comuns aqui (risole de palmito vira hearts of palm risole, por exemplo). E apesar dos produtos no geral serem razoavelmente mais caros do que o preço que você pagaria em padarias e lanchonetes aleatórias de São Paulo, o sabor pelo menos é o mesmo.
Só não achei esfiha por enquanto.
Esta é a página pessoal de Zeh Fernando. Este é um website criado para amigos e familiares; se você não me conhece, você provavelmente não deveria estar aqui – nada vai fazer muito sentido. Para mais informações, visite minha página normal (em inglês).
Ah, e esse site não funciona direito em Internet Explorer. Não é de propósito. Depois arrumo isso. Enquanto isso, você pode instalar um browser de gente como o Chrome ou o Firefox.